Os
115 cardeais com direito a voto começam nesta terça-feira (12) o conclave,
como é chamada a reunião a portas fechadas que escolherá o novo Papa, sucessor
de Bento XVI.
Desde 7h locais (3h, pelo horário de Brasília), os
cardeais começaram a se tranferir para a
Casa
Santa Marta, onde ficarão hospedados. Cada um terá seu quarto – os aposentos
foram definidos por um sorteio.
O arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, o arcebispo emérito de
Salvador, Dom Geraldo Majella Agnelo, e o arcebispo de Aparecida e presidente da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Raymundo Damasceno,
deixaram o Colégio Pio Brasileiro por volta das 8h10 (4h10, pelo horário de
Brasília), onde estavam hospedados.
Perguntado como se sentia ao iniciar o dia em que um novo papa pode ser
escolhido, Dom Odilo Pedro Scherer disse: "com frio". Ninguém mais falou com a
imprensa. Eles entraram no carro e rumaram para a Casa Santa Marta.
O arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer,
ruma para a Casa Santa Marta. (Foto: Fernanda Kalena / Especial para o
G1)
Às 10h (6h no horário de Brasília), será realizada na Basílica de São Pedro a
missa inaugural do conclave. Ela será aberta a todos que conseguirem lugar e
presidida pelo cardeal decano, o italiano Angelo Sodano, com todos os demais
cardeais, não apenas os votantes, participando como cocelebrantes.
Dom Geraldo Majella Agnelo, arcebispo emérito de
Salvador, ocupa o mesmo carro que Dom Odilo Scherer. (Foto: Fernanda Kalena /
Especial para o G1)
Segundo o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, a missa não deve
durar mais de 2 horas. Às 15h45 (11h45, pelo horário de Brasília), os cardeais
vão para o Palácio Apostólico. De lá, às 16h30 (12h30 de Brasília), seguirão em
procissão da Capela Paulina para a Capela Sistina.
Os cardeais entram na capela, ocupam seus lugares e fazem o juramento
previsto na Constituição Apostólica. Há uma introdução em latim, feita pelo
cardeal italiano Giovanni Batista Re, como celebrante principal.
Depois,
cada um dos cardeais vai ao centro da capela, com a mão sobre o Evangelho, para
dizer sua adesão ao juramento, tambem em latim.
Então, a capela é fechada, após a saída das pessoas que não participarão do
conclave.
Começam, então, as votações.
Neste primeiro dia só deve
haver uma votação, segundo Lombardi. Caso não haja um candidato com ao menos 2/3
dos votos possíveis (77 votos), as cédulas são queimadas numa estufa e produzem
fumaça preta. Porém, se houver um escolhido, a fumaça será branca.
O cronograma prevê que os cardeais concluam os trabalhos às 19h15 (15h15 no
horário de Brasília), retornando para a Casa Santa Marta. Às 20h (16h no horário
de Brasília), será servido o jantar.
Brasileiros
Cinco brasileiros irão participar do
conclave: o arcebispo emérito de São Paulo, Dom Claudio Hummes, de 78 anos, Dom
João Braz de Aviz, 65, Dom Odilo Pedro Scherer, 63, Dom Geraldo Majella Agnelo,
e o arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB), Dom Raymundo Damasceno.
Neste domingo, alguns cardeais
celebraram missas nas igrejas das quais são titulares em Roma. Dom Odilo
celebrou uma missa às 10h30 na Igreja de Santo André no Quirinal, acompanhada
por dezenas de jornalistas.
Realizada no quarto domingo do período da
Quaresma, que precede a Páscoa, o assunto geral dos textos lidos e também do
sermão feito por Dom Odilo foi a misericórdia e a reconciliação com Deus. O
cardeal brasileiro estava sereno e tranquilo, e sorriu em muitos momentos da
missa – mesmo a celebração tendo sido filmada e fotografada.
"Tem muita
gente que vive como se Deus não existisse ou não tivesse importância", afirmou
durante o sermão que durou 22 minutos. "Convido a orar para a Igreja fazer bem
sua missão nesse tempo. Seguramente um tempo difícil, mas também alegre".
Dom Raymundo Damasceno deixa o Colégio
Pio
Brasileiro.
(Foto: Fernanda Kalena / Especial para o
G1)
Capela Sistina
No sábado, bombeiros instalaram uma
chaminé na Capela Sistina, onde será realizado o conclave. Pela chaminé sairá a
fumaça preta ou branca, para o anúncio da definição ou não do novo papa. No fim
de semana, funcionários do Vaticano trabalharam para deixar o local pronto,
fazendo o nivelamento do piso, instalando mesas e cadeiras, entre
outros.
A capela está fechada para a visitação turística desde a última
terça-feira (5). Decorada com afrescos dos maiores artistas do Renascimento,
como Michelangelo e Rafael, ela fica dentro da ala de museus do Palácio
Apostólico, na Cidade do Vaticano.
Durante o período das votações, os
cardeais não poderão receber informações externas durante a reunião, nem poderão
ler jornais, ouvir rádio, assistir à TV ou acessar a internet, como prevê a
Constituição Apostólica.
Para garantir o sigilo do conclave, serão
instalados bloqueios de comunicação para impedir o uso de equipamentos e
dispositivos eletrônicos, como celulares. A medida já foi tomada com relação à
Sala dos Sinodos, onde têm ocorrido as congregações, garantindo o segredo das
reuniões.
Renúncia de Bento XVI
Bento XVI, desde 28
de fevereiro Papa Emérito, anunciou em 11 de fevereiro que havia decidido
renunciar. Foi o primeiro pontífice a renunciar em mais de seis séculos, o que
criou situações praticamente inéditas para a Igreja Católica Apostólica
Romana.
Desde a renúncia, Bento XVI está em Castel Gandolfo, a residência de verão
dos Papas, que fica a cerca de 25 km do Vaticano. Ele permanecerá lá por 2 meses
e depois ficará recluso num antigo convento sobre as colinas do Vaticano, com
vista para a cúpula da Basílica de São Pedro.