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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Médico cubano supera 'desconfiança' e conquista pacientes no litoral do RN


Raul Hernandez atua em S. Miguel do Gostoso no programa Mais Médicos.
Em todo o estado, são 208 médicos estrangeiros e 35 brasileiros do programa.



Fernanda Zauli Do G1 RN
 


Raul Hernandez trabalha em São Miguel do Gostoso através do programa Mais Médicos (Foto: Karina Soares) 
Raul Hernandez trabalha em São Miguel do Gostoso através do programa Mais Médicos (Foto: Karina Soares)



 

Atencioso, simples, cuidadoso. Essas são apenas algumas das palavras usadas por moradores da pequena São Miguel do Gostoso para definir o médico cubano Raul Hernandez Lopez que atua na comunidade desde dezembro de 2013. Ele é um dos 243 profissionais que trabalham no Rio Grande do Norte através do programa Mais Médicos - que completou dois anos em agosto. "O atendimento dele é muito bom, ele é muito atencioso, está sempre disponível", diz a garçonete Maria Leda Barbosa, de 32 anos, que aguardava atendimento para a filha Letícia, de 7 anos, que é asmática.
São Miguel do Gostoso fica no litoral norte do estado e tem 10 mil habitantes. 

Além de Raul, o município tem ainda outro médico cubano e um italiano contratados através do programa. Nenhum teve problema de adaptação na cidade.

Raul Hernandez atende na Unidade Básica de saúde do Maceió e desde que chegou à cidade conquistou o respeito e a admiração dos moradores. "Ele é uma benção pra gente. O doutor Raul é muito atencioso, o atendimento dele é diferente do dos outros médicos. Ele é mais cuidadoso, conversa com a gente. Tem médico que parece que tem preconceito com a gente porque a gente é pobre. O doutor Raul não. Ele trata a gente bem. Se ele for embora eu vou sentir muita falta", diz a dona de casa Ana Maria Almeida, de 30 anos.

Pacientes dizem que médico cubano é mais atencioso (Foto: Karina Soares) 
Pacientes dizem que médico cubano é mais
atencioso (Foto: Karina Soares)


Mas nem sempre foi assim. Coordenadora da unidade de saúde do Maceió, a enfermeira Karina Flavia Soares de Moura, de 36 anos, conta que no início a população teve receio de ser atendida pelo cubano. A desconfiança durou pouco. "No início as pessoas tiveram um pouco de receio, até por causa de toda a polêmica envolvendo a chegada de médicos cubanos para atender no Brasil. Mas após os primeiros contatos o doutor Raul conquistou a comunidade. O paciente se sente acolhido. Essa humanização do atendimento, a simplicidade dele, tudo isso agrada aos pacientes", diz.

Para a dona de casa Maria de Fátima de Melo, de 35 anos, o único problema no atendimento do médico é o idioma. Ela explica que às vezes é difícil entender o que ele diz. "Ele fala meio enrolado e às vezes eu não entendo, mas as enfermeiras sempre ajudam e aí fica mais fácil", conta.

O médico concorda. "Aqui no Nordeste, especificamente, existem algumas palavras muito particulares, mas quando eu tenho dificuldades peço ajuda às enfermeiras. Não chega a ser um problema", diz. Formado há 25 anos, ele também já morou na Venezuela onde trabalhou atendendo casos de urgência. O médico não se queixa das condições de trabalho. "Não temos tudo, mas com o que temos conseguimos trabalhar", afirma.

A coordenadora do Programa Saúde da Família na cidade, Maria de Lourdes Alves da Costa, explica que a chegada dos médicos estrageiros resolveu o problema de falta de médicos na atenção básica. "Antes do Mais Médicos a gente até conseguia médico, mas muitos não queriam cumprir a carga horária, atendiam três dias na semana e não apareciam mais. A maioria ficava pouco tempo na cidade porque bastava aparecer uma proposta de outro município pra eles irem embora", relata.

"Nós já tivemos médicos brasileiros excelentes aqui em São Miguel do Gostoso. Não podemos generalizar, mas os cubanos têm surpreendido na humanização, no acolhimento aos pacientes, e isso conquista a comunidade".
 
Mais Médicos
O governo federal divulgou que, em dois anos de funcionamento, o programa levou 18.240 médicos a 4.058 municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), beneficiando cerca de 63 milhões de pessoas.


No Rio Grande do Norte, 99 cidades são atendidas pelo programa. Ao todo, são 243 médicos contratados pelo programa, sendo 208 estrangeiros e 35 brasileiros. A coordenadora da comissão do Mais Médicos na Secretaria Estadual de Saúde, Claudia Frederico, explicou que o programa sanou a falta de médicos em muitas cidades do estado.

"Você tinha um município em que o médico aparecia duas vezes por semana, atendia rapidinho e ia embora. Agora temos uma situação inversa. Os médicos moram na cidade, atendem todos os dias da semana, com calma. É isso que tem agradado a população", explica.


Raul Hernandez trabalha em São Miguel do Gostoso desde novembro de 2013 (Foto: Karina Soares) 
Raul Hernandez trabalha em São Miguel do Gostoso desde novembro de 2013 (Foto: Karina Soares)

quarta-feira, 18 de março de 2015

Inscrições na terceira chamada do Mais Médicos terminam hoje


Termina hoje (18) o prazo para as inscrições na terceira chamada do Programa Mais Médicos. Profissionais registrados nos conselhos regionais de Medicina já inscritos no programa e que ainda não foram alocados podem concorrer a 930 vagas remanescentes em 530 municípios e dez distritos sanitários especiais indígenas. As inscrições vão até às 20h no site do programa.

Entre as cidades que não tiveram todas as vagas preenchidas estão 15 capitais, como Salvador, com 24 vagas em aberto, São Paulo, com 11, São Luís com 11, e Brasília com dez. Para a terceira chamada, além das 318 vagas não ocupadas nas etapas anteriores em 218 cidades e dez distritos indígenas, também foram incorporadas 612 vagas que, em princípio, tinham sido preenchidas, mas que não foram ocupadas porque os profissionais selecionados desistiram.

Ao todo, são 4.362 os candidatos que podem optar por uma das vagas nessa etapa do programa. Os que forem selecionados deverão se apresentar no local de trabalho entre os dias 23 e 27 de março. A previsão é que eles comecem as atividades no dia 6 de abril.

Com as duas primeiras chamadas, 76% das vagas foram preenchidas. Segundo o Ministério da Saúde, 3.155 médicos estão em atividade desde o dia 2 de março. A maioria (2.023) optou pelo benefício do bônus de 10% na pontuação de provas de residência médica, que receberá caso tenha conceito satisfatório durante os 12 meses de atuação no programa.

Caso ainda restem vagas, no dia 10 de abril será aberta chamada para brasileiros formados no exterior e, em 5 de maio, para médicos estrangeiros. Até dezembro de 2014, 14.462 médicos foram enviados para trabalhar em 3.785 municípios pelo Mais Médicos.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Profissionais selecionados na nova etapa do Mais Médicos devem se apresentar até hoje nos municípios


Os profissionais selecionados para atuar na nova etapa do Programa Mais Médicos devem se apresentar até hoje (20) nos municípios onde trabalharão, caso contrário não participarão das novas chamadas desta edição do programa.

Para confirmar a vaga, o profissional precisa entregar à gestão do município cópias de documento oficial com foto, do diploma e do registro no Conselho de Medicina. Segundo o cronograma do governo, os médicos começam a trabalhar no dia 2 de março.

Nesta etapa do programa, 12.580 profissionais fizeram a inscrição. Desse total, 3.936 foram selecionados. Diferentemente das outras edições, nas quais cerca de 80% dos participantes haviam se formado no exterior e não tinham o diploma validado, desta vez mais de 90% das vagas foram preenchidas por médicos formados no Brasil.

Para a segunda chamada, que ocorrerá nos dias 23 e 24 de fevereiro, estarão disponíveis as 210 vagas que não foram preenchidas e, eventualmente, as surgidas pela não confirmação do profissional até amanhã. A terceira chamada está prevista para os dias 17 e 18 de março.

Caso ainda haja vagas, ocorrerá, em 10 de abril, chamada para brasileiros formados fora do país e, em 5 de maio, para médicos estrangeiros. Trimestralmente, o Ministério da Saúde lançará edital para a oferta de vagas que, eventualmente, forem abertas.

sábado, 1 de março de 2014

Governo anuncia aumento no salário de médicos cubanos do Programa Mais Médicos

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, anunciou hoje (28) um reajuste salarial de 25% para os profissionais cubanos que trabalham no Brasil por meio do Programa Mais Médicos. A partir de março, os 7,4 mil médicos cubanos que atuam no Brasil por meio do Mais Médicos passam a receber US$ 1.245.

O salário dos cubanos, atualmente, consiste em US$ 400, pagos pelo governo brasileiro, e US$ 600, pagos pelo governo cubano e retidos em uma conta no país. O aumento anunciado pela pasta, portanto, é US$ 245, sendo que o valor total, a partir de agora, será pago no Brasil.

Segundo Chioro, a negociação com a Organização Panamericana de Saúde (Opas) e com o governo cubano para estabelecer o reajuste salarial já estava em andamento quando ele assumiu o comando da pasta, no início do mês de fevereiro. Houve, de acordo com o ministro, uma determinação da presidenta Dilma Rousseff para que o valor pago aos profissionais cubanos fosse revisto.

Chioro fez questão de ressaltar que não houve aumento dos valores repassados pelo governo brasileiro pela cooperação internacional. “Não vamos gastar um centavo a mais. Vamos continuar pagando o mesmo valor”, disse. O que houve, segundo ele, foi uma alteração nos valores acordados no contrato com o governo cubano.

Chioro rebateu a ideia de que o anúncio do reajuste seria uma resposta à pressão de médicos cubanos como Ramona Rodríguez, que abandonou o programa. “Não há, da nossa parte, nenhuma questão que envolva diretamente pressão dos próprios médicos cubanos, muito menos daquela profissional. Não é o que nos mobiliza. O que nos mobiliza é a necessidade de aprimorar.”

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014


Cubanos do Mais Médicos passarão a ganhar US$ 1.245, afirma ministro


De acordo com Arthur Chioro (Saúde), houve 'vontade' do governo cubano.
Novos valores começam a ser pagos a partir de março, segundo ministério.



Filipe Matoso Do G1, em Brasília



O ministro da Saúde, Arthur Chioro, anunciou nesta sexta-feira (28) que os profissionais cubanos que atuam no programa Mais Médicos passarâo a ganhar US$ 1.245 (cerca de R$ 2,9 mil) por mês a partir de março.
Atualmente, segundo o ministro, os médicos cubanos recebem US$ 400 (R$ 933) e mais US$ 600 (R$ 1,4 mil), que ficam depositados em uma conta em Cuba. Agora, os cubanos terão direito aos US$ 600 imediatamente. Um aumento de US$ 245 (R$ 571) completará o total de US$ 1.245. O ministro informou que 7,4 mil médicos cubanos atuam no Mais Médicos.
A contratação de cubanos pelo Mais Médicos se tornou objeto de polêmica porque eles ganham menos que outros profissionais do programa, cuja remuneração é de R$ 10 mil mensais. Esse é o valor, por médico, que o governo brasileiro transfere à Organização Panamericana de Saúde (Opas), com a qual firmou um convênio para receber os médicos cubanos. A Opas transfere o dinheiro ao governo de Cuba, que paga os médicos.

Info Mais Médicos V8 8.10 (Foto: Editoria de Arte/G1)
“Houve uma cooperação, um entendimento da Opas. Houve também vontade do governo cubano e nós estamos anunciando que os médicos cubanos no Brasil que participam na qualidade de cooperados passarão, a partir de março, a receber aumento dos valores pagos. O valor, efetivamente, líquido, que ficará disponibilizado para eles através do acordo passará a ser de US$ 1.245, cerca R$ 3 mil líquidos, sem contar valores pagos pela prefeitura para alimentação, transporte, hospedagem e sem contar a manutenção dos benefícios que esse médico tem por ser servidor do governo de Cuba”, afirmou o ministro.
De acordo com o representante da Opas no Brasil, Joaquin Molina, a organização fica com 5% do que é pago pelo Brasil a Cuba. Segundo ele, o dinheiro é usado para pagamento de taxas administrativas do contrato. Molina e Chioro disseram não saber o que o governo cubano faz com a diferença não repassada aos profissionais.
"Eu não saberia dizer, e nem poderia dizer, como ministro da Saúde do Brasil, como Cuba utiliza seu recurso. Agora, eu posso dizer que tenho a impressão de que uma parte considerável vai para o sistema de saúde de Cuba, para formação de médicos e que tem ajudado em cooperações em todo mundo. Acho que essa [explicação] é plausível, mas quem deve responder é o governo de Cuba", disse o ministro.
 
Para o Ministério Público do Trabalho, o programa Mais Médicos descumpre a legislação trabalhista porque os cubanos ganham menos que profissionais de outros países e não têm direitos trabalhistas, como férias remuneradas e de 13º salário. Por isso, o MPT iniciou uma investigação de irregularidades no Mais Médicos.

Bolsistas são referência
Segundo Arthur Chioro, o valor que passará a ser pago aos médicos foi calculado com base no que é pago pelo ministério aos médicos bolsistas que fazem residência médica, em jornada de 60 horas (R$ 3 mil).

Ainda de acordo com Chioro, o aumento no valor pago aos médicos cubanos não acarretará aumento de gastos para o Brasil. Segundo ele, a quantia foi acertada entre o governo brasileiro, o governo de Cuba e a Opas.
"Não há por parte do governo brasileiro nenhum aumento dos valores. Nós não vamos dar um centavo a mais para essa nova modalidade de pagamento. 
Continuaremos pagando o mesmo valor. O que houve foi negociação, a partir da presidente Dilma Rousseff, que o nosso governo fez com a Opas e Cuba, nos valores acordados dentro do contrato. Então, não haverá aumento de custos. O valor pago pelo governo será o mesmo", completou.
Chioro voltou a defender o formato de contratação dos médicos cubanos, por meio da parceria entre os governos do Brasil, Cuba e a Opas.
"O acordo que nós fechamos com a Opas [...] prevê que o governo cubano faça a intermediação do pagamento. Os médicos são pagos pelo governo cubano com recursos que o governo brasileiro transfere para a Opas. E nós recebemos uma clara determinação da nossa presidente Dilma, que mobilizou um esforço grande do governo, para que nos pudéssemos garantir aos médicos cooperados cubanos que atuam no Brasil o valor efetivamente pago", afirmou.
 

Oposição
Para Arthur Chioro, o governo não deve basear suas decisões nas críticas de entidades médicas contrárias ao programa.

"Temos uma clara oposição ao programa, que não dialoga, que não defende interesse dos médicos, da população brasileira. Temos um problema de concepção, que é democrático, preciso respeitar, mas nós não podemos basear o conjunto de nossas decisões pensando nas entidades médicas, porque por elas o Brasil não teria o programa Mais Médicos e o Brasil continuaria sem médicos", disse.
 
Expansão do programa
Segundo Chioro, a meta do governo é chegar a 13 mil médicos no programa com as inscrições para o quarto ciclo, após o carnaval.

“A meta, que é da presidente Dilma, não foi construída do nada. Foi construída a partir da demanda dos municípios que aderiram ao programa e se enquadraram nos critérios. Este número de 13 mil profissionais não surgiu do nada, tem critérios que norteiam o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto ciclos. Aí o programa se completará porque todas as áreas de maior vulnerabilidade do país já terão sido atendidas”, afirmou.