Alex Régis
Obra entrará 30 metros em área que pertence ao Exército
Yuno Silva - repórter
A reestruturação da
avenida Engenheiro Roberto Freire, que faz parte da série de
intervenções urbanas previstas pelo Governo do Estado para obras de
mobilidade com vistas à Copa do Mundo 2014, desatou um nó que aparentava
ser o principal obstáculo à viabilidade do projeto: a cessão de parte
da área que o Exército Brasileiro mantém há décadas ao longo da avenida,
em Capim Macio. A faixa de 30 metros na margem direita da avenida,
sentido Ponta Negra-BR 101, estava sob negociação há meses.
O ato
foi publicado no Boletim do Exército nº 27, de 6 de julho de 2012, onde
consta o Despacho Decisório nº 073/2012, referente ao processo PO nº
1100011/2012, que formaliza a cessão de 35.048,43 metros quadrados da
área, cadastrada no Comando do Exército como RN 07-0022 (Campo de
Instrução Capim Macio).
O projeto de reestruturação da avenida
Roberto Freire está orçado em R$ 221,7 milhões, contempla pouco mais de 4
km de via (que passará a ser expressa), e inclui construção de
ciclovias, passarelas, calçadão e três túneis - o maior deles com quase
1.200 metros. De acordo com o projeto apresentado por Rafael Brandão
Mendes, coordenador de gestão da Secretaria Estadual de Infraestrutura, a
obra vai adentrar, em seu ponto máximo, cerca de 30 metros na área
cedida.
A obra compreende o trecho entre o viaduto da BR-101 e a
feirinha de artesanato do Conjunto Ponta Negra, logo após o
entroncamento da avenida com a Via Costeira. Não estão previstas
desapropriações de imóveis no trajeto. O tráfego estimado pela SIN no
início da Roberto Freire, próximo ao Viaduto da BR-101, é de 120 mil
veículos por dia.
O documento emitido pelo Exército prevê,
"como medida compensatória pelo uso do bem", o compromisso do Estado em
realizar "obras de interesse do Comando do Exército a serem
estabelecidas pelo Comando da 7ª Região Militar e 7ª Divisão do EB".
Ainda de acordo com o despacho, o Governo do Estado terá "dois anos para
cumprir a finalidade" prevista e "atender às exigências ambientais".
Segundo
Rafael Brandão, o Governo está na fase de contratação de estudos para
poder obter a licença de instalação. "Não tenho como precisar uma data
para a finalização dos estudos. Posso adiantar é que até setembro os
estudos estarão contratados e nosso objetivo é iniciar a obra ainda este
ano". Para o gestor, mesmo que a obra não esteja completamente
concluída até a Copa do Mundo, "a meta é que ela esteja funcionando até
2014".
Questionado sobre a problemática da drenagem necessária
para atender o novo equipamento, principalmente os túneis, uma vez que
as obras de drenagem dos bairros de Ponta Negra e Capim Macio - que
fazem parte da mesma bacia hidrológica - ainda não foram concluídas pela
Prefeitura, Rafael adiantou "que a execução do projeto deverá correr
paralelamente à conclusão das drenagens desses bairros, pois tudo fará
parte do mesmo sistema, que, inclusive será elaborado pelo mesmo
projetista".
Durante o período de intervenção na avenida
Engenheiro Roberto Freire, o trânsito será desviado por vias
alternativas, "que serão qualificadas e sinalizadas para atender à
demanda". Brandão adiantou que a proposta do Governo ainda inclui ações
de educação dos motoristas para que se habituem a utilizar outros
caminhos. "Vamos desviar o tráfego por dentro de Capim Macio, Cidade
Jardim e Campus Universitário. O plano de execução de obras e o desvio
de tráfego precisam trabalhar juntos para não prejudicar o trânsito". A
saída da Via Costeira também será desviada durante o período de obras,
na direção da rua Clóvis Vicente, à altura dos restaurantes Guinza e
Abade.
Projeto original tem quase 40 anosA
avenida Engenheiro Roberto Freire (RN-063) foi construída entre 1974 e
1975. Possui 4 km de extensão (entre o viaduto de Ponta Negra e a
feirinha de artesanato do Conjunto). Atualmente, conta com nove
semáforos, uma lombada eletrônica e um radar eletrônico. Com a obra, o
número de pistas existentes na avenida irá dobrar, passando para 12
faixas.
A Roberto Freire contará com corredor exclusivo para
ônibus, ciclovia e as plataformas de ônibus serão construídas próximas
ao canteiro central da via, ao modelo de como é hoje na avenida Bernardo
Vieira. Os acessos às plataformas de embarque serão nos pontos onde
haverão semáforos (dotados de faixas de pedestres), sempre nas vias
locais, exceto em frente ao Extra e UnP. Nesses pontos, as passarelas
também serão dotadas de uma rampa central, dando acesso às paradas.