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domingo, 25 de novembro de 2012

Mídia moralista sai em defesa da quadrilha de Perillo e Cachoeira


 




Os ataques midiáticos ao relatório da CPI do Cachoeira e a soltura deste pela Justiça justamente quando as provas de seus crimes engolfam o governador de Goiás, Marconi Perillo, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e o editor de Veja Policarpo Júnior, desnudam a farsa do julgamento do mensalão e a tese ridícula de que aquele tribunal de exceção teria inaugurado uma nova era em que poderosos também seriam submetidos à lei.

A indignação da mídia tucana e de sua militância com a corrupção – na América Latina, há “partidos” da mídia que têm até militância –, portanto, fica absolutamente caracterizada como produto de um descaramento que esbofeteia o Brasil. É tudo tão escancarado que é impossível que alguém de boa fé não esteja notando como a indignação com a corrupção no PT dá lugar à defesa apaixonada de um grupo político que aprisionou Goiás naquele que, agora sim, é o maior escândalo de corrupção já visto no país, pois atinge a casa dos bilhões de reais.

A cúpula da quadrilha que aprisionou Goiás, segundo o relatório da CPI, era formada, basicamente, por Cachoeira, Demóstenes, Perillo, Gurgel e Policarpo. O que pesa contra esses quatro é estupefaciente e dispensará a Justiça do uso da famigerada teoria do “domínio do fato” devido à vastidão de provas materiais que pesam contra eles.

Sobre Cachoeira e Demóstenes nem é preciso dizer nada, mas sobre Perillo e Gurgel lembremo-nos de que os “atos de ofício” que comprovam atos criminosos são intermináveis. Perillo se envolveu em negócios imobiliários com Cachoeira, nomeou quem ele pediu – há gravações da PF mostrando que o bicheiro determinava os nomes de quem queria pôr no governo e as nomeações aconteciam –, mas as atividades criminosas da quadrilha jamais foram alvo de ações do governo goiano e, por fim, o procurador-geral da República, sabendo de tudo que acontecia, e ao contrário do que fez com o PT e seus aliados, engavetou tudo.

A esta altura, a imprensa deveria estar cobrando a CPI para que fizesse um relatório duro condenando um esquema imenso, muito maior do que o do mensalão (do PT) em todos os sentidos, tanto em número de integrantes da quadrilha como em valores desviados. E tudo com o concurso do chefe do Ministério Público Federal. Entretanto, ao contrário da corrupção que possa haver no PT, a do PSDB, do DEM e do MPF gerou defesa desabrida dos corruptos pelos moralistas de plantão.

Então vamos combinar: se um escândalo dessa magnitude for abafado, se o relatório da CPI aliviar para Perillo, Gurgel e Policarpo ou se o relatório for desfigurado e o Ministério Público e a Justiça não fizerem nada, acabou o Brasil. Estará comprovado que estamos vivendo em um Estado ditatorial que persegue um grupo político enquanto protege outro – e quando se alude a Estado não se está falando do Poder Executivo, mas do Judiciário e do Legislativo.

Como acreditar em um país em que crimes escancarados, atrevidos (para usar termo da moda) e incomensuráveis são praticados à larga e, após serem descobertos, seus autores são poupados devido ao grupo político que integram? Como acreditar em um país em que a Justiça, a imprensa e o próprio Legislativo tratam a corrupção de um lado com rigor irrefreável e a de outro com tolerância total?

Quando se fala em CPI do Cachoeira, fala-se em Goiás. Essa história da empreiteira Delta e dos governadores de Brasília e do Rio de Janeiro é cortina de fumaça para desviar o foco da transformação daquele Estado em parque de diversões de corruptos locais.

A empreiteira Delta provavelmente tem muita sujeira contra si, mas essa investigação precisa de sua própria CPI. E contra Agnelo Queiróz e Sergio Cabral até agora não surgiu uma mísera prova, um mísero indício crível. Nem com todo “domínio do fato” do mundo se torna possível acusá-los.

Contra Agnelo, pesa apenas uma única e isolada menção da quadrilha a um codinome que seria o do governador, menção que não se confirmou se foi a ele mesmo, e nada mais. Contra Cabral, pesa ainda menos porque não há menção alguma da quadrilha a ele. Tudo o que há é uma filmagem de um jantar do governador do Rio com o dono da Delta, Fernando Cavendish, em Paris, apesar de as relações desse personagem envolverem nomes como José Serra, Gilberto Kassab e muitos outros oposicionistas ao governo federal.

Que se faça a CPI da Delta, então. Mas a do Cachoeira é sobre Goiás e as autoridades que acobertaram e até ajudaram a quadrilha do bicheiro a transformar aquele Estado, repito, em parque de diversões de um grupo criminoso que movimentou bilhões de dinheiro público.
A Justiça que está para prender José Dirceu sem que contra ele pese um grama do que pesa contra Perillo pôs em liberdade um mafioso como Cachoeira. Essa é a “nova era” que o julgamento do mensalão (do PT) inaugurou?

Este país só não virou uma piada completa, ainda, porque a Justiça tratar acusados de corrupção de acordo com a filiação partidária de cada um não tem graça nenhuma. Portanto, se essa CPI não fizer a denúncia que tem que fazer contra Perillo, Gurgel e Policarpo – e, claro, por tabela contra os empregadores deste último – terá acabado a ilusão de que vivemos em uma democracia. O último a sair, portanto, que apague a luz.

Fugi do convescote da direita no STF

Após a visita que fiz ao gabinete do ministro Ricardo Lewandowski consegui entrar no plenário do STF, onde ocorreu a posse do novo presidente daquela Corte, o ministro Joaquim Barbosa.

O que vi ali foi a fina flor da fauna demo-tucano midiática. Merval Pereira e um grupo de distintos senhores se exibiam em frente a um exército de cinegrafistas e fotógrafos que se postou diante da bancada dos ministros que ali dariam posse a Joaquim Barbosa.

Pelo auditório, flanavam o indefectível Merval Pereira (Globo), Renata Lo Prete (Folha de SP), Heraldo Pereira (Globo) e outros expoentes da mídia demo-tucano-judiciária. Na verdade, o PIG praticamente ocupava todos os espaços.

Um fato curioso: encontrei o jornalista Kennedy Alencar e decidi cumprimentá-lo, à diferença do que fiz com o resto do PIG ali presente. Surpreendi-me por ele me conhecer…

Após algumas palavras, brinquei com ele: “Cuidado que o Serra está por aí”. Comentário de Kennedy: “Vixe!”.

O engraçado é que, segundo soube, os jornalistas do PIG disputaram a tapa o convite para a posse de Joaquim Barbosa e eu, que tive acesso à cerimônia, vendo que nada tinha a fazer ali, virei as costas e fui-me embora.

Tinha que editar o vídeo da mensagem de Lewandowski à blogosfera e sabia que estava em uma festa de um partido político que reúne mídia, partidos de oposição e a cúpula do Judiciário. Então esnobei o STF e me mandei.

Detalhe: não havia um só jornalista da imprensa alternativa. O PIG dominou a posse de Barbosa. Esse é o poder que resta ao PIG: sua relação promíscua com o Judiciário.

Abaixo, algumas imagens que registrei durante minha visita ao STF na última quinta-feira







terça-feira, 17 de abril de 2012

Grampos válidos



Grampos foram legais

Ele não tem nada a ver com o caso, não vai fazer parecer nem atuar junto ao STF, mas Luís Inácio Adams tem uma opinião: As escutas contra Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres são todas legais.
Adams avalia que, havendo autorização para grampear Cachoeira, azar de Demóstenes ter falado tanto com o bicheiro.

Ele vai ainda mais longe e diz que as escutas do caso Cachoeira podem e devem ser aproveitadas pelo STF numa eventual ação penal.

domingo, 25 de março de 2012

Para entender o caso Globo x Eike

Autor:
 
 
Tenho muito pontos na minha carteira. O último foi por ter andado a 62 km/hora em uma rua em que a velocidade máxima era de 60 km/h.

Qual a razão da Globo investir contra Eike Baptista, primeiro através da Época Negócios, agora expondo dessa maneira seu filho, antes mesmo da perícia concluir ou não pela sua culpabilidade? Ontem o Jornal Nacional deu longa matéria sobre... os pontos na carteira do rapaz, sem analisar as infrações cometidas - se andou a 62 km/h ou a 140 km/h.


Como se explica um acidente de trânsito - ainda que grave - ser primeira página de jornal?
É simples.

Independentemente da culpa ou não do rapaz, da influência ou não do pai, por trás da matéria tem-se a mesma motivação da revista Veja quando investiu contra André Esteves, do Banco Pactual. Em ambos os casos, o objetivo era demover um bilionário da pretensão de entrar no mercado de mídia. Quando atacado por Veja, Esteves pensava em adquirir a Editora 3. Eike tem sido lembrado quando se fala em venda de controle de redes de TV.

É um vale-tudo que não respeita nada.

domingo, 4 de março de 2012

Sim, a prefeita de direito de Mossoró renunciará

Blog do Carlos Santos

São incontáveis pessoas que me param à rua, que puxam conversa em tantos outros locais, além de me fustigarem em ambientes virtuais. Todas querendo que eu dê uma palavra definitiva.
Querem saber se a prefeita Fátima Rosado (DEM), a “Fafá”, renunciará ou não.
Lá vou eu de novo. De antemão, aviso que não sou oráculo, não mexo com búzios ou cartas. Trabalho com informações que mereçam crédito, indícios que costumam ser checados e a natural avaliação decorrente da experiência.

Sobre a questão levantada, continuo com a mesma opinião: a prefeita de direito deverá renunciar até o início de abril, dentro do prazo legal.

Havia um acordo tácito com o grupo do ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM), para que isso ocorresse há mais tempo, especialmente no final do ano passado, dezembro. Mas esse subgrupo do rosalbismo vem esticando a “corda” e “cozinhando o galo”.

Entretanto, não creio que o ‘acerto’ tenha sido rompido. A prefeita sairá e algumas situações serão acomodadas, para ensejar que a vice-prefeita Ruth Ciarlini (DEM) assuma o governo e possa ser alavancada à disputa sucessória.

É isso. Espero ter sido claro.

Ah, mas volto a asseverar: é minha opinião. Só isso. Não sou dono da verdade.