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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Rio recebe título de Patrimônio Cultural da Humanidade

Chancela da Unesco garante mais políticas públicas para áreas turísticas.

Votação do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco aconteceu na Rússia.


Rodrigo Vianna Do G1 RJ


Previsão do tempo 28 de junho Rio de Janeiro (Foto: Marcos Teixeira Estrella/ TV Globo)
Rio de Janeiro se torna Patrimônio Cultural da Humanidade 
(Foto: Marcos Teixeira Estrella/ TV Globo)

Este domingo (1º) é um dia histórico para o Brasil. Esta é a data em que a cidade do Rio de Janeiro tornou-se a primeira do mundo a receber o título da Unesco de Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural Urbana. A candidatura, apresentada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi aprovada durante a 36ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, em São Petersburgo, na Rússia. As informações são do Iphan.

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, que acompanharam os trabalhos, comemoraram a decisão que resultou na inclusão de mais um bem brasileiro na Lista de Patrimônio Mundial. A votação estava prevista para acontecer no sábado (30), mas foi adiada para este domingo (1º).

O secretário municipal de Turismo, Pedro Guimarães, se pronunciou logo após o anúncio da Unesco.
Para ele, o título foi merecido: "A cidade que é um orgulho para seu povo e uma paixão para todo turista que a visita recebe, de forma merecida, o reconhecimento oficial de seu carinhoso apelido de Cidade Maravilhosa", comemorou ele.

O Jardim Botânico é considerado um dos principais pontos turísticos do Rio (Foto: Rodrigo Vianna / G1)O Jardim Botânico é considerado um dos principais pontos turísticos do Rio (Foto: Rodrigo Vianna / G1)

Para a ministra, o resultado vem “coroar um belíssimo trabalho que evidencia a cidade que nasceu e cresceu entre o mar e a montanha e, com criatividade e talento criou paisagens - hoje mundialmente conhecidas - que a tornaram excepcional e maravilhosa”.

Já o presidente do Iphan explicou que “a paisagem carioca é resultado da utilização intencional da natureza que, atendendo aos interesses econômicos dos colonizadores portugueses, formou espaços únicos no mundo que destacam a originalidade do Rio de Janeiro expressa pela troca entre diferentes culturas associadas a um sítio natural”.

A partir de agora, os locais da cidade valorizados com o título da Unesco serão alvo de ações integradas visando à preservação da sua paisagem cultural. São eles: Pão de Açúcar, Corcovado, Floresta da Tijuca, Aterro do Flamengo, Jardim Botânico e a Praia de Copacabana, além da entrada da Baía de Guanabara. As belezas cariocas incluem, ainda, o forte e o Morro do Leme, o Forte de Copacabana e o Arpoador, o Parque do Flamengo e a enseada de Botafogo.

Praia do Leblon (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)
Rio foi a primeira cidade a se candidatar como Patrimônio Mundial com Paisagem Cultural Urbana (Foto: José Raphael Berrêdo/G1)

O Rio como Patrimônio da Humanidade

O Iphan trabalha na candidatura do Rio como Paisagem Cultural da Humanidade há alguns anos, em parceria com a Associação de Empreendedores Amigos da Unesco, da Fundação Roberto Marinho, do governo e da prefeitura do Rio. Em setembro de 2009 o Iphan entregou à Unesco o dossiê completo da candidatura, justificando sua importância e seu valor universal que está principalmente na soma da beleza natural da cidade com a intervenção de humana.

Em janeiro de 2011, o Centro do Patrimônio Mundial da Unescp, sediado em Paris, decidiu pela inclusão da candidatura do Rio de Janeiro na agenda da 36ª WHC.

Candidata por inteiro


O Rio foi a primeira cidade a se candidatar inteira a Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural Urbana. O reconhecimento do Rio de Janeiro culminará uma nova visão e abordagem sobre os bens culturais inscritos na Lista do Patrimônio Mundial.

Rio ao amanhecer (Foto: Christiano Ferreira/G1)Locais como Corcovado serão alvo de ações integradas visando a preservação (Foto: Marcos Teixeira Estrella / TV Globo)

O conceito de paisagem cultural foi adotado pela Unesco 1992. Até o momento, os sítios reconhecidos mundialmente como paisagem cultural relacionam-se a áreas rurais, a sistemas agrícolas tradicionais, a jardins históricos e a outros locais de cunho simbólico, religioso e afetivo.

Há cerca de dois anos, o Rio se candidatou ao título de Sítio Urbano Misto, que acabou não sendo aceito pela Unesco. O Iphan foi orientado então a valorizar as paisagens culturais.
O Brasil conta atualmente com 18 bens culturais e naturais na lista de 911 bens reconhecidos pela Unesco.

quinta-feira, 22 de março de 2012

ANP diz que Chevron fez 'análise incorreta' na exploração de petróleo

Silvio Jablonski representou agência em audiência no Senado.
Diretor da Chevron diz que não houve danos a pessoas e ao ambiente.
Iara Lemos 
Do G1, em Brasília

Rafael Jaen Williamson, diretor de Assuntos Corporativos da Chevron (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr) 
O diretor da Chevron Rafael Jaen
Williamson disse que empresa busca
formas de evitar novos acidentes
(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

O assessor da diretoria da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Silvio Jablonski , afirmou na tarde desta quinta-feira (22) que a empresa Chevron, responsável pela exploração de petróleo no Campo de Frade, da Bacia de Campos, fez uma análise incorreta do trabalho de exploração realizado na bacia. Em novembro do ano passado, um acidente em poço sob resposabilidade da empresa provocou o vazamento de 2,5 mil a 3 mil barris de óleo cru.

Segundo o assessor da ANP, o vazamento poderia ter sido evitado caso a Chevron tivesse realizado um revestimento "mais extenso" no poço de onde era feita a exploração de petróleo na Bacia de Campos. Jablonski participou de uma audiência pública, promovida pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado.

"Nós identificamos que a Chevron fez uma análise incorreta do poço. Entre a penalidades que estamos aventando são aquelas que estão na lei, que envolve multa, mas não se afasta a possibilidade de ter penalidades quanto ao contrato de concessão, que, em alguns casos, permite até mesmo rescisão de contratos. É um leque de opções que temos", afirmou o representante da agência.
Representando a Chevron, o diretor de Assuntos Corporativos da empresa, Rafael Jaen Williamson, apresentou um histórico da atuação da empresa no Brasil, e afirmou que a Chevron está buscando formas técnicas para evitar novos acidentes como o que aconteceu na Bacia de Campos.

"Reconhecemos a necessidade de continuar melhorando nossos canais de comunicação com o publico e a comunidade. O objetivo é de alcançar soluções técnicas e institucionais pensados para melhor prevenir incidentes desta natureza", afirmou.

Segundo ele, monitoramentos feitos pela empresa apontam que não houve danos ambientais. "Contrariamente ao que foi noticiado, o contínuo monitoramento indica que o vazamento não causou danos para as pessoas, a fauna e a flora marinha" afirmou.

Ainda de acordo com o diretor da Chevron, a empresa e seus parceiros estão produzindo estudos complementares sobre o acidente, que serão encaminhados para análise da ANP.
"A Chevron e seus parceiros estão produzindo estudos complementares para conhecer as condições técnicas da área. Este estudo será apresentado para a ANP e contribuirá para as ações e respostas para eventos desta natureza [acidentes]", disse.

'Negligência'
Ao final da audiência, o procurador da República Eduardo Santos de Oliveira voltou a reforçar a gravidade do acidente. "Diria que houve negligência da empresa, que não comunicou e não tomou as providências necessárias. Para o MPF, houve uma catástrofe", disse o procurador.

Apesar do vazamento, o diretor da ANP, Silvio Jablonski, disse que não há necessidade de o Brasil mudar a legislação no que diz respeito à exploração do petróleo. "A nova legislação é absolutamente preventiva. Estamos alinhados com as práticas internacionais", afirmou.

Embora tenha sido alvo de críticas, o representante da Chevron encerrou a audiência reforçando que a empresa não foi negligente diante do acidente. "Não houve negligência. Fizemos todos os estudos necessários", afirmou.
Arte Vazamento Chevron Rio (Foto: Arte/G1)

Bombeiros procuram helicóptero que teria caído na Costa Verde, no RJ

Acidente teria ocorrido na localidade chamada Cachoeira do Itimirim.
Ainda não há informações sobre vítimas; três equipes estão no local.
 
Do G1 RJ

Agentes do Corpo de Bombeiros do quartel de Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, procuram na noite desta quinta-feira (23) um helicóptero que teria caído numa localidade chamada Cachoeira do Itimirim, entre os municípios de Coroa Grande e Itacuruçá, na Costa Verde. A informação é da assessoria da corporação.

De acordo com os bombeiros, três equipes foram para o local e as buscas ocorrem com o apoio de um helicóptero da própria corporação. Ainda não há informações sobre vítimas.

Após denúncias de fraude, Rufollo é multada em R$ 180 mil, diz secretaria

Secretaria determinou suspensão de participação em licitações do governo.
Decisão será publicada no Diário Oficial de sexta, segundo secretaria.
 
Do G1 RJ

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) informou que aplicou, nesta quinta-feira (22), uma multa no valor de R$ 180 mil à Rufollo Empresa de Serviços Técnicos e Construções LTDA. A secretaria afirmou também que determinou a suspensão de participação da empresa de qualquer licitação no governo do estado do Rio de Janeiro. As medidas acontecem após denúncia de fraudes de licitações públicas em hospitais do Rio revelado pelo Fantástico.

De acordo com a Secretaria, esta punição é resultado de dois processos abertos em outubro de 2011 pela Subsecretaria Executiva da SES-RJ contra a Rufollo para investigar a falta de cumprimento regular e satisfatório do serviço contratado a partir de licitação.

O governo ainda informou que a decisão será publicada em Diário Oficial nesta sexta-feira, 23 de março.

A gerente da Rufollo Serviços Técnicos e Construções, Renata Cavas, chegou por volta das 15h45 para prestar depoimento na sede da Polícia Federal, na Zona Portuária da cidade. Na reportagem, Renata aparece falando que negociar propina é "a ética do mercado". Ela deixou a sede da PF por volta das 17h20 sem falar com a imprensa.

Na sexta-feira (23), é a vez da Toesa prestar esclarecimentos.

Mais cedo, a Rufollo informou, em nota, que os funcionários que apareceram na reportagem do Fantástico no último domingo (18) já foram afastados até que todos os fatos sejam esclarecidos.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (22), a assessoria da empresa cita Constituição e pede que seja assegurado o direito ao contraditório. Mas a nota ignora que uma das pessoas que aparecem nos flagrantes feitos pela reportagem é Rúfolo Vilar, que se identifica como o dono da empresa.

Na reportagem do Fantástico, o repórter Eduardo Faustini, que se passa pelo gestor de compras, pediu a presença do dono da empresa para confirmar o pagamento da propina. Rúfolo Vilar vai ao hospital. Ele confirma que apesar de não estar no contrato social da Rufollo, é ele mesmo quem manda na empresa.
Ao todo, a Polícia Federal abriu quatro inquéritos para investigar crimes como fraudes em licitação, corrupção e formação de cartel. O delegado Antônio Carlos Beaubrun Júnior está à frente do caso.

Primeiro dia de depoimentos
No primeiro dia de depoimentos, foram ouvidos o presidente da Bella Vista Refeições Industriais, Adolfo Maia, o diretor do Instituto de Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eduardo Migowski, e o vice-diretor, Bruno Leite Moreira. Eles falaram sobre o motivo pelo qual abriram as portas do hospital para a reportagem do Fantástico.

“Queriam saber os motivos pelos quais a gente disponibilizou o espaço para a reportagem do Fantástico. Foi justamente porque a gente estava se sentindo lesado, com o prejuízo de R$ 120 mil”, explicou Migowski.
A Polícia Federal ainda decidiu convocar mais três pessoas para prestarem depoimentos, provavelmente na semana que vem.

Bella Vista se defende
Na tarde de quarta-feira (21), a assessoria da Bella Vista divulgou uma nota sobre o assunto, na qual o proprietário da empresa "reafirmou estar sendo injustiçado com a ameaça de suspensão de contratos, pois a empresa nunca participou de atos ilícitos com pagamento de propinas, e Jorge Figueiredo não estava autorizado a atuar na área pública".

quarta-feira, 21 de março de 2012

MPF denuncia Chevron, Transocean e 17 pessoas por vazamento no Rio

Denúncia é por crime ambiental e dano ao patrimônio público.
Vazamento de petróleo no Campo de Frade, da Bacia de Campos, foi em 2011.

Do G1 RJ

                                                                               

O Ministério Público Federal (MPF) divulgou nesta quarta-feira (21) que denunciou as empresas Chevron, Transocean e mais 17 pessoas por crime ambiental e dano ao patrimônio público por causa do vazamento de petróleo no Campo de Frade, da Bacia de Campos, em novembro de 2011.

O presidente da Chevron no Brasil, George Buck, e mais três funcionários da empresa responderão ainda por dificultar a ação fiscalizadora do Poder Público, se omitir em cumprir obrigação de interesse ambiental, apresentar um plano de emergência enganoso e por falsidade ideológica, ao alterarem documentos apresentados a autoridades públicas.

As penas pedidas pelo MPF para os denunciados variam de 21 anos e 10 meses a até 31 anos e 10 meses. O procurador da República Eduardo Santos de Oliveira dá coletiva nesta tarde sobre a denúncia.

Na denúncia, o MPF pede também o sequestro de todos os bens dos denunciados e o pagamento de fiança de R$ 1 milhão para cada pessoa e R$ 10 milhões para cada empresa. Caso sejam condenados, o valor da fiança servirá para pagar a indenização dos danos, multa e custas do processo.

Entregar passaportes em 24 horas
O juiz federal Cláudio Girão Barreto, da 1ª Vara Federal de Campos, no Norte Fluminense, deu um prazo de 24 horas para que 15 executivos e funcionários das empresas Chevron e Transocean entreguem os passaportes. O prazo começa a contar a partir do momento em que os citados no processo recebam a intimação. A decisão do juiz foi tomada nesta terça-feira (20). Dois funcionários que estavam impedidos de sair do país receberam autorização do juiz para viajar.

Os dois são empregados da Transocean, e trabalham embarcados na plataforma do Campo de Frade. De acordo com a decisão judicial, eles “têm viagem programada para o dia 21 de março (próxima quarta-feira), com retorno previsto para 19 de abril”. Ainda segundo o juiz, “as passagens foram compradas em 14 de março e em 29 de fevereiro, antes, portanto, da decisão judicial que os impediu de deixar o território nacional”.

Girão Barreto explica que, segundo os registros da plataforma onde os dois funcionários trabalham, bem como as anotações lançadas nos passaportes deles, ambos “estiveram embarcados em várias oportunidades, seguidas por desembarques e viagens rápidas ao exterior”. Por conta disso, o juiz federal conclui que existe “baixa probabilidade de as viagens (...) prejudicarem a investigação dos fatos apurados (...) ou terem por objetivo subtrair os investigados/indiciados à eventual aplicação da lei penal”.

Presidente da Chevron Brasil tem que entregar passaporte
Na sexta-feira (16), a Justiça Federal havia proibido que 17 pessoas ligadas às empresas Chevron e Transocean deixem o país sem prévia autorização judicial. Entre elas está o presidente da Chevron no Brasil, George Buck. O pedido foi feito pelo Ministério Público Federal (MPF) através de medida cautelar.

De acordo com a decisão, é fato notório que mais uma vez "há indícios veementes de vazamento de óleo" na Bacia de Campos. As 17 pessoas impedidas de deixar o país foram indiciadas por causa do vazamento ocorrido em novembro do ano passado.

Na decisão, o juiz Vlamir Costa Magalhães diz que as pessoas apontadas na investigação são ligadas à direção de empresas exploradoras da região onde ocorreu o vazamento de 2011. Ele alerta que os investigados são estrangeiros e têm condições econômicas e motivos para sair do Brasil. "Não resta dúvida de que a saída destas pessoas do país, neste momento e diante do vigente quadro, geraria sério risco para a investigação dos fatos aludidos e eventual aplicação da lei penal", afirma o juiz.

Presidente da Chevron, George Buck (Foto: Reuters) 
Presidente da Chevron, George Buck, não pode
deixar o país (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

A Chevron informou que "a empresa e seus empregados acatarão qualquer decisão legal".

Na quinta-feira (15), foi identificada uma mancha de óleo durante monitoramento no Campo de Frade, na Bacia de Campos. Na sexta, um inspetor naval da Capitania dos Portos realizou um sobrevoo na área do novo vazamento e identificou, segundo a Marinha, uma "tênue" mancha de óleo com cerca de 1 km. Em nota, a Marinha informou que o novo incidente foi a cerca de 130 km da costa.

Para o Ibama, a nova mancha de óleo pode ser decorrente do vazamento de 2011.

Além da Marinha, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) continuam acompanhando, de forma coordenada, o novo vazamento. Desde o dia 4 de março, a Marinha realiza sobrevoos na região e reforça o patrulhamento.

Polêmica
Ao contrário do que afirmou o diretor de assuntos corporativos da Chevron, Rafael Jaen Williamson, de que a nova mancha de óleo não tem “relação direta” com o vazamento de novembro de 2011, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em nota, afirma que o óleo é, “provavelmente, decorrente do vazamento registrado em novembro de 2011”. Em 2011, cerca de 2,4 mil barris de petróleo vazaram na região. A Chevron pediu à Agência Nacional do Petróleo (ANP) a suspensão da produção de petróleo no Campo de Frade.

O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, informou na noite de sexta-feira (16), por meio de nota, "que quer que a Chevron comunique, oficialmente, por que contrariou o parecer técnico que determinava que a mesma fizesse um revestimento, em aço, do entorno da fissura de 1.200 metros. A empresa só fez 600 metros".

Na quinta-feira (15), Williamson afirmou que “não há nenhuma evidência de que (o novo vazamento) tem a ver com o outro acidente”. Segundo o diretor da Chevron, uma nova fissura, com cerca de 800 metros de comprimento, de onde sai o óleo, foi encontrada a três quilômetros do local do primeiro vazamento, a cerca de 1,3 mil metros de profundidade. Williamson disse que ainda não há explicações para a causa do novo vazamento.

Na nota do Ibama, o instituto esclarece que, como a Chevron não estava operando o poço, a mancha que foi detectada pela Chevron não foi originada “de um novo vazamento”, mas sim de “um afloramento de óleo”, segundo informações preliminares do órgão federal. Ainda de acordo com a nota, a Coordenação de Emergências Ambientais e a Coordenação-Geral de Petróleo e Gás do Ibama, juntamente com a ANP, estão acompanhando a ocorrência.

Nesta sexta-feira, em nota, a Chevron afirmou que não recebeu nenhuma comunicação do Ibama e que, por isso, prefere não fazer comentários. A nota diz: “Até o momento, pelos estudos já realizados, não foi possível estabelecer uma ligação entre os dois incidentes. A empresa irá realizar os novos estudos para determinar as causas do novo afloramento.”

Ministra prefere não comentar
A assessoria de comunicação do Ibama em Brasília informou, também nesta sexta, que uma equipe técnica do instituto fez um sobrevoo no local onde a nova mancha foi localizada e está analisando o que pode ter ocorrido. No Rio de Janeiro, durante uma debate sobre economia verde no evento "Rumo à Rio+20", a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que não iria comentar sobre o caso: “Não vou falar sobre a Chevron. Aqui é outro fórum: o debate é a Rio +20. A gente ainda está aguardando informações.”

A ANP confirmou que recebeu o pedido da Chevron de suspender a produção no Campo do Frade. A assessoria de imprensa da ANP informou que a agência não tem prazo para dar a resposta à petroleira americana, e que o pedido pode, sim, ser recusado. Segundo a assessoria da ANP, é preciso ver o que o contrato diz, e o que a Chevron alega para parar de produzir no Campo de Frade.

Proibição de novas perfurações
A Chevron foi proibida de perfurar novos poços no local após o acidente do ano passado. As atividades do poço existente, no entanto, tiveram continuidade. Na terça-feira (13), a ANP decidiu manter a decisão de proibir a Chevron de perfurar novos poços no local. A ANP concluiu as investigações sobre o vazamento e informou que discorda da causa apontada pela empresa norte-americana, mas não deu detalhes sobre a apuração feita.

terça-feira, 20 de março de 2012

Advogado de família de vítima pode acionar RJ por acidente de Thor

Se Thor Batista tiver 51 pontos na CNH, governo seria corresponsável, diz ele.
Filho do bilionário Eike Batista atropelou e matou ciclista em rodovia.

Janaína Carvalho  
Do G1 RJ

O advogado da família do ajudante de caminhão Wanderson Pereira dos Santos, de 30 anos, que morreu no último sábado, vítima de um acidente de trânsito envolvendo o filho do empresário Eike Batista, afirmou que pretende processar o governo do estado do Rio de Janeiro se ficar comprovado que Thor de Oliveira Fuhrken Batista tem 51 pontos na carteira de habilitação. “Pedi para fazer um levantamento sobre a informação dada pelo Jornal Nacional ontem. Se ficar comprovado que Thor tem 51 pontos na carteira, vamos acionar também o governo do estado, que nessa circunstância teria total responsabilidade”, explicou Cleber Carvalho Rumbelsperger.
Na noite de segunda-feira (19), Thor Batista usou o Twitter para dar sua versão sobre o acidente que terminou com a morte do ciclista. "Vinha na faixa esquerda com muito cuidado, sem ao menos dialogar com o meu carona, repentinamente um ciclista atravessou do acostamento do lado direito até o meio da faixa da esquerda, onde trafegam veículos", escreveu o jovem, no serviço de microblog.

Na manhã desta terça-feira (20), o advogado da família de Wanderson esteve na 61ª DP (Xerém), em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para ver como está o inquérito sobre o acidente que provocou a morte de Wanderson. Ele quer saber também onde estão acautelados o carro que Thor dirigia e a bicicleta da vítima. Segundo ele, como os veículos fazem parte de um inquérito policial, não podem ser liberados. “Vamos buscar a Justiça a qualquer custo”, garantiu Cleber. O advogado, no entanto, não conseguiu ter acesso ao inquérito policial, pois o delegado interino não estava na delegacia no momento e o delegado-titular retorna de férias na quarta-feira (21).

O advogado da família da vítima disse que vai aguardar o resultado da perícia para qualificar o crime e saber se foi homicídio doloso ou culposo. “Pela avaria no veículo e pelo estado em que ficou o corpo da vítima é possível que o motorista estivesse em uma velocidade acima do permitido. Se isso for constatado, ele assumiu o risco de um resultado como esse. O crime passa de culposo a doloso”, afirmou Cleber.

O valor do dano material ainda não foi definido pelo advogado. Segundo ele, é preciso definir a renda per capita da família e saber exatamente a falta que a renda de Wanderson vai representar neste orçamento.

Imagem do acidente com o carro de Thor Batista (Foto: Nicson Olivier/Divulgação) 
O carro de Thor Batista depois de atropelar Wandereson Pereira (Foto: Nicson Olivier/Divulgação)

Polícia abre inquérito para apurar se rapper MV Bill agrediu irmã no Rio

Ela diz ter sido agredida a pauladas pelo músico e registrou caso na delegacia.
Segundo a polícia, rapper é procurado para prestar esclarecimentos.

Christiano Ferreira 
Do G1 RJ

MV Bill  (Foto: José Carlos Pereira de Carvalho/VC no G1) 
O rapper MV Bill, noCentro do Rio de Janeiro
(Foto: José Carlos Pereira de Carvalho/VC no G1)

A Polícia Civil do Rio informou, na manhã desta terça-feira (20), que abriu um inquérito para apurar uma denúncia de agressão envolvendo o rapper MV Bill. De acordo com o delegado da 32ª DP (Taquara), Renato Mariano, a irmã do rapper esteve na delegacia, na Zona Oeste do Rio, na manhã de segunda-feira (19), onde fez um registro de ocorrência por lesão corporal com violência doméstica.

Segundo a polícia, a mulher alegou ter sido agredida a pauladas pelo músico, além de ser ameaçada, após uma discussão familiar.

O G1 tentou entrar em contato com MV Bill, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, o rapper é procurado para prestar esclarecimentos. Na segunda-feira (19), a vítima foi atendida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade de Deus, também na Zona Oeste, e encaminhada para exame de corpo de delito.

terça-feira, 13 de março de 2012

Anísio volta ser preso em ação contra o jogo do bicho no Rio, diz polícia

Ex-patrono da Beija Flor havia sido beneficiado com um habeas corpus.
Operação da PF no Rio e em Niterói tem oito suspeitos presos.

Do G1 RJ

Menos de uma semana depois de ter sido beneficiado com um habeas corpus, o ex-patrono da Beija Flor, Aniz Abraão David, conhecido como Anísio, voltou a ser preso no Rio por suspeita de envolvimento com o jogo do bicho no Rio. Segundo a Políciai Federal, ele é um dos oito presos na manhã desta terça-feira (13) durante uma operação deflagrada no Rio e em Niterói, na Região Metropolitana.

A decisão que havia concedido a liberdade a Anísio foi dada na sexta-feira (9), pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ex-patrono está internado no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, na Zona Sul, desde o dia 13 de fevereiro. Anísio sofre de "cardiopatia hipertensiva", e segundo o hospital, deu entrada na unidade com problemas "para investigação clínica de distúrbios gastrointestinais e otorrinolaringológicos."

Procurada pelo G1 nesta terça-feira, a assessoria do hospital informou que o paciente continua no hospital.

Combate ao jogo do bicho
De acordo com a PF, os suspeitos presos nesta terça-feira estão vinculados à exploração do jogo ilegal e máquinas caça-níqueis no estado. Ao todo, os agentes cumprem 10 mandados de prisão, que foram expedidos pela Justiça após investigações realizadas durante a Operação Hurricane.
Os presos serão levados para a sede da PF, na Zona Portuária da cidade. De lá, irão para um presídio do sistema penitenciária do Rio.

Combate à contravenção
A Operação Hurricane foi realizada em 2007. Na época, 25 pessoas foram presas nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, e no Disitrito Federal. Entre os presos, segundo a PF, estavam chefes de grupos ligados a jogos ilegais, desembargadores, empresários, policiais e advogados. A operação foi desencadeada para desarticular uma organização criminosa que atuava na exploração do jogo ilegal e cometia crimes contra a administração pública.

Desde então, a polícia tenta fechar o cerco contra o jogo do bicho no Rio. Em dezembro do ano passado, a Polícia Civil desencadeou operação semelhante contra os contraventores. Na operação Dedo de Deus, policiais chegaram a descer de rapel de um helicóptero na cobertura de Anísio, em Copacabana, na Zona Sul. Ele não estava em casa.

Um mês depois, Anísio foi preso por policiais civis em frente a um laboratório médico, na esquina da Rua Joaquim Nabuco com a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, em Copacabana.

Na sexta-feira (9), o STJ também concedeu habeas corpus para dois outros suspeitos de envolvimento com a contravenção: Luizinho Drummond. O habeas corpus concedido a Anísio foi uma extensão do benefício que a Justiça deu há cerca de um mês a outro suspeito: o presidente da escola de samba Grande Rio, Hélio Ribeiro de Oliveira, o Helinho da Grande Rio.

sábado, 10 de março de 2012

No Aterro do Flamengo, no Rio, príncipe Harry participa de corrida

Ele deu a largada com uma bandeira do Brasil; depois jogou vôlei e rúgbi.
Em seu segundo dia no Rio, à tarde, ele visita a uma comunidade.

Bernardo Tabak Do G1 RJ

                                                                               

Por volta das 8h50 deste sábado (10), no Aterro do Flamengo, na Zona Sul do Rio, o príncipe Harry deu a largada numa corrida, com uma bandeira do Brasil, e em seguida  juntou-se aos participantes do evento. Muitas pessoas levaram máscaras de personagens da realeza britânica, como a Rainha Elizabeth, o Príncipe Charles, e o Príncipe William, irmão de Harry.

Além da corrrida, Harry participou de um jogo de vôlei de praia e de rúgbi. Ele encontrou uma manhã de muito sol e céu azul, bem ao contrário do mal afamado clima chuvoso e nublado de Londres. Harry correu por cerca de um quilômetro e parou para se preparar para o jogo de rúgbi.

O jogo de rúgbi durou cerca de meia hora e, na sequência, foram distribuídas medalhas para os participantes. Depois, a partida de vôlei de praia. Por volta das 10h, Harry encerrou suas atividades no Aterro.
Às 8h, o público já começava a chegar em pequeno número e se posicionava na grade destinada aos fãs do príncipe.“Eu vim só para ver o príncipe. Eu gostava muito da mãe dele, a princesa Diana, que era uma princesa do povo”, conta a aposentada Neusa Ribeiro, de 71 anos, natural do Pará, que saiu de casa cedo, no Centro, e foi ao evento para matar a curiosidade.

O príncipe  Harry, do Reino Unido, é cercado pela imprensa ao participar de corrida ao lado de jovens e atletas no aterro do Flamengo, no Rio (Foto: Ide Gomes/Frame/AE) 
O príncipe Harry, do Reino Unido, é cercado pela imprensa ao participar de corrida ao lado de jovens e atletas no Aterro do Flamengo, no Rio (Foto: Ide Gomes/Frame/AE)


Já o bibliotecário Ricardo Arcanjo, de 30 anos, conta que tem um sentimento de admiração pela monarquia como forma de governo e representação popular.

“Sem dúvida, hoje eu sou republicano, mas gosto muito da figura de Dom Pedro II. Para mim, ele era muito mais liberal e progressista do que os primeiros presidentes republicanos do Brasil. Considero a proclamação da República um golpe de estado”, afirma Ricardo, enfático.

Ele mora em Botafogo, bairro vizinho ao local do evento, e foi a pé para assistir à corrida.
"Eu tinho muita curiosidade de ver o príncipe", disse ele.

Harry segura máscara com o rosto do irmão dele, o Príncipe William (Foto: Christophe Simon/AFP) 
Em corrida, Harry segura máscara com o rosto do
irmão dele, o Príncipe William
(Foto: Christophe Simon/AFP)

Em seu segundo dia no Rio, o príncipe Harry participou na manhã deste sábado de eventos esportivos no Aterro e à tarde visitará uma comunidade.

Festa no Morro da Urca
Harry esteve na noite de sexta (9) no Morro da Urca  na festa de lançamento da campanha GREAT, uma campanha para promover a Grã-Bretanha junto aos países parceiros, e não poupou elogios ao Rio de Janeiro em seu discurso. Fez brincadeiras envolvendo o seu irmão, o príncipe William, e lembrou da visita do pai, príncipe Charles, à cidade em 1978.

Harry disse na sexta à noite que estava ansioso para jogar vôlei de praia na manhã deste sábado: "É o tipo de jogo que eu gosto. Posso ensinar os brasileiros a jogar rúgbi, mas tenho um pedido a fazer aos brasileiros: por favor, se nós ensinarmos a jogar rúgbi, não façam igual ao que vocês fizeram com o futebol, que é uma coisa que nós nos arrependemos de tê-los ensinados a jogar bola", brincou ele.
O evento num dos principais cartões-postais do Rio é foi  primeiro compromisso oficial do príncipe Harry no Brasil. Ele chegou à cidade na manhã de sexta.

“Eu não posso acreditar que estou aqui. Durante anos eu ouvi falar tanto sobre este lugar extraordinário. Na verdade, desde que meu pai me falou que dançou com uma linda moça chamada Pinah, parece que isso ficou na sua mente por alguma razão. Mas tudo no Rio faz você querer dançar. Eu só estou grato que meu irmão não está aqui porque senão ele poderia querer dançar e isso não seria nada legal”, disse ele.

Harry chegou ao local às 21h06 para a festa de lançamento da campanha GREAT (Foto: Carolina Lauriano / G1)Harry chegou ao Morro da Urca às 21h06 para lançamento da campanha GREAT. Ao lado, o prefeito Eduardo Paes (Foto: Carolina Lauriano / G1)

Roteiro do príncipe
Terceiro na ordem de sucessão na monarquia britânica, Harry chegou ao Rio por volta das 7h05 desta sexta-feira, no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, na Ilha do Governador. Ele fez um passeio de helicóptero pela cidade e almoçou em uma churrascaria na Zona Sul da cidade.

Já no domingo (11), Harry participará de uma partida de polo em São Paulo para arrecadar fundos para ONGs brasileiras e para a Sentabale, sua organização de caridade em Lesoto.

Esta é a primeira vez que o príncipe vem ao Brasil. A viagem faz parte de um roteiro que incluiu Belize, Bahamas e Jamaica.

Henry Charles Albert David, príncipe Henrique de Gales, ou príncipe Harry, como é mais conhecido, é o filho mais novo do príncipe Charles e da princesa Diana, falecida em 1997. O príncipe tem 27 anos e é o mais popular membro da aristocracia britânica. Na linha de sucessão à coroa britânica, Harry ocupa a terceira posição, depois de seu pai e de seu irmão, o príncipe William.

terça-feira, 6 de março de 2012

Mulher do traficante Nem é solta pela Justiça do Rio, diz Seap

Ela foi solta no dia 2; libertação foi concedida por determinação judicial.
Danúbia de Souza Rangel foi presa em novembro por associação ao tráfico.

Do G1 RJ

Seap divulgou foto de Danúbia Souza com uniforme da presidiária (Foto: Divulgação Seap) 
Foto mostra Danúbia Souza ainda com uniforme
da presidiária (Foto: Divulgação Seap)

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária informou, nesta terça-feira (6),   que Danúbia de Souza Rangel, mulher do traficante Nem, está em liberdade desde sexta-feira (2). Danúbia estava presa desde novembro na Cadeia Pública Joaquim Ferreira de Souza.

Segundo a Seap, a libertação foi concedida por determinação judicial. De acordo com a Polícia Civil, a mulher do traficante Nem foi presa por associação ao tráfico de drogas.
Salão de belezaEm novembro, a mulher de Nem foi levada à delegacia por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Danúbia foi encontrada em um salão de beleza na Rocinha, após denúncias anônimas. Segundo a polícia, o salão seria de propriedade da irmã dela, que também prestou depoimento, mas foi liberada na ocasião.

Prisão de Nem
Nem foi preso em uma abordagem da Polícia Militar
ao tentar fugir da Rocinha, na madrugada do dia 10 de novembro, dias antes da ocupação da comunidade.

A Rocinha foi ocupada, junto com as comunidades do Vidigal e Chácara do Céu, na madrugada do dia 13 de novembro.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Vendedores de mate na praia agora são patrimônio do Rio, diz Paes

Eles terão alvará e passam a ser 'Patrimônio Cultural e Imaterial da Cidade'.

Venda de bebida em galão foi proibida em 2009, mas população reclamou.


Alba Valéria Mendonça Do G1 RJ


Prefeito Eduardo Paes posa de vendedor de mate junto com ambulantes (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)
Prefeito Eduardo Paes (de branco) posa de vendedor de mate junto com ambulantes neste
domingo (4) (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)

A partir desta segunda-feira (5), os vendedores de mate e limonada em galão e de biscoito polvilho passam a ser considerados Patrimônio Cultura e Imaterial da Cidade do Rio de Janeiro. E, mesmo debaixo da chuva que insistiu em cair na manhã deste domingo (4), o prefeito Eduardo Paes fez a festa na Praia do Leme, na Zona Sul da cidade, junto com um grupo de ambulantes itinerantes que vendem esses itens na orla. Eles vão se juntar às baianas vendedoras de acarajé à galeria de personagens típicos do estilo de vida carioca.

"O Rio é feito de ícones como as belas paisagens e o seu povo. E é essa gente do Rio a melhor coisa da nossa cidade. O vendedor de mate é a cara do Rio, um dos mais marcantes de seus personagens. Esses vendedores são a lembraça boa da nossa cidade. Do lugar onde a gente mora a gente tem sempre uma lembrança boa: uma imagem, um cheiro, um som. E o som mais forte da nossas praias é o grito desses vendedores de mate", destacou o prefeito.

Ele lembrou que, no final de 2009, a prefeitura chegou a proibir a venda de mate e limonada em galões nas praias por uma questão de problemas sanitários. Mas, diante dos protestos da população, liberou os ambulantes. Agora, diz Paes, com o alvará que todos os itinerantes vão receber, a qualidade do produto vendido também será garantida.

'Olha o mate!'

Prefeito decreta vendedores de mate como Patrimônio Cultural e Imaterial do Rio (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)
Prefeito decreta vendedores de mate como Patrimônio Cultural e Imaterial do Rio
(Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)

Animado, o prefeito bebeu mate junto com os ambulantes e até prometeu lançar um concurso para que a população eleja o grito mais criativo e animado dos vendedores de mate.

"O grito deles é um momento marcante de alegria, alguns fazem quase um repente. Essa alegria, essa descontração é a cara do Rio", disse Paes, depois de pedir a alguns dos cerca de cem vendedores que estavam no Leme para dar seus divertidos e criativos gritos de guerra e de venda.

Foi só o prefeito anunciar a intenção de promover um concurso para premiar o grito de venda mais original, que os vendedores se animaram e deram uma pequena demonstração do trabalho que Paes terá para escolher o bordão mais criativo. O prefeito até colheu algumas "pérolas" com seu iPhone.
"Ai, que maravilha. Ai, que gostoso. Você bebe do meu mate e já quer beber de novo". Ou ainda:

"Bebe ele, bebe ela, bebe até a minha mãe que é banguela". E mais: "Está um freezer, um peteleco que dói no dente. Da barriga do pinguim, bem gelado, olha o mate, minha gente!". E também: "Minha avó está maluca. Ela bebe do meu mate, mas não compra peruca!".

O número 1

O vendedor número 1do Rio: José de Oliveira Dias, há 35 anos vendendo mate e biscoito nas praias (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)
O vendedor número 1do Rio: José de Oliveira Dias,
há 35 anos vendendo mate e biscoito nas praias
(Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)

Primeiro dos cerca de 1.200 ambulantes itinerantes da cidade a receber o alvará das mãos do prefeito, José de Oliveira Dias, o "Seu Zé", de 64 anos, disse que vai exibir o crachá no pescoço com muito orgulho. Casado pela segunda vez, há 35 anos ele sustenta a família com a venda de mate, limonada e biscoito de polvilho nas praias cariocas.

"Agora, com esse reconhecimento, pode ser até que os filhos queiram ser vendedor de mate também", disse o morador de Rocha Miranda, no subúrbio do Rio, que, no verão, encara diaramente as areias escaldantes do Leblon para servir 30 litros de bebida refrescante - um galão de mate e outro de limonada - a seus clientes. Ao todo, Seu Zé carrega cerca de 40 quilos nos ombros, das 11h às 16h. "Já são tantos anos de praia, que nem preciso mais gritar, me anunciando.

O pessoal que me conhece já fica me esperando", acrescentou o vendedor número 1 entre os ambulantes da orla.

O secretário de Ordem Pública, Alex Costa, explicou que não há limitações para o cadastramento de ambulantes itinerantes do Rio. Os interessados em trabalhar na cidade devem procurar a prefeitura e apresentar os documentos necessários para obter o registro.