POR MARINA DIAS
Marco Antonio Ricciardelli, o
Marquito, chegou com uma hora de atraso para a sua primeira reunião na
Câmara Municipal de São Paulo. O humorista e assistente de palco do
apresentador Ratinho ganhou uma vaga de vereador após seu colega de
partido Celso Jatene ser nomeado secretário dos Esportes, Recreação e
Lazer pelo prefeito eleito, Fernando Haddad (PT), como
antecipou Terra Magazine.
"Estava sozinho, no estacionamento de um shopping aqui em São Paulo,
quando fui avisado pela imprensa que tinha ganhado uma vaga de vereador.
Ajoelhei perto do meu carro e chorei, agradecendo a Deus. Eu choro à
toa, sou um bobão mesmo", disse Marquito a
Terra Magazine.
Nesta quinta-feira (5), o humorista foi recebido pelo vereador Paulo
Frange, líder da bancada do PTB na Câmara. Durante a reunião de pouco
mais de meia hora, ouviu quais são as principais regras e burocracias da
Casa e garantiu que sabe como o Legislativo funciona.
"Não estou preparadíssimo. Digamos que sei de 80% das coisas", disse
Marquito na saída do encontro. Vestindo um terno preto e camisa
vermelha, cabelos presos em um rabo de cavalo baixo, o novo vereador
garantiu que continuará na televisão e que não quer nenhuma comparação
com o palhaço Tiririca (PR-SP), eleito deputado federal em 2010 com mais
de 1 milhão de votos.
Marquito arrisca dizer que, se fosse candidato a deputado, "com todos os
recursos e estratégias que Tiririca teve", seria eleito.
"Tinha certeza que seria eleito deputado, pode ser federal ou estadual… eu e Tiririca, pode ter certeza, a gente ia se bater".
O novo vereador foi o 71º candidato mais votado, com 22.198 votos.
Terra Magazine – Você está animado para assumir uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo?
Marquito - Tem que estar, né? Mas é muita pressão…
Pressão de quem?
Pressão de perguntas que ainda não dá para responder… só ano que vem, quando vamos saber melhor das coisas
Como você recebeu a notícia de que ganhou uma vaga para vereador
em São Paulo? Quando você perdeu a eleição, em 7 de outubro, você
chorou. E agora?
Fique chateado, porque foi uma grande luta. Quando você perde, você fica
chateado, mas eu relevei. E, quando fiquei sabendo que era o primeiro
suplente, fiquei feliz. Pensei: se Deus quiser minha vitória, vou ter
uma vitória. Foi uma surpresa quando fiquei sabendo ontem à noite
(quarta-feira, 4, que tinha uma vaga na Câmara). Me ligaram de um jornal
e perguntaram se estava feliz e respondi: "Sempre estou feliz, por
quê?". "Ah, porque você é o novo vereador de São Paulo". Aí fiquei feliz
mesmo.
Então não foi ninguém do PTB que avisou você? Foi a imprensa?
Isso. Foi a imprensa.
Não foi o vereador Celso Jatene?
Não. Foi o
Estadão que me deu a notícia. O Jatene me ligou
depois que assumiu a secretaria e me disse: "Parabéns, Marquito, você
vai assumir, porque estou entrando na secretaria". Estou entrando em
outra dimensão na minha vida. Fazer humor é fácil, mas é difícil, porque
fazer rir não é qualquer um que faz, mas lidar com a população, com o
povo, é uma coisa muito difícil, porque você tem que ajudar, tem que
trabalhar, não é brincar e fazer palhaçada. Vim no intuito de fazer a
minha parte.
Por que o seu slogan era "Esquisito por esquisito, vote no Marquito"?
Fiz uma brincadeira mais pelo que aconteceu com o Tiririca (que usou o
slong "Pior do que está, não fica"), mas não quero que coloquem o
Marquito como o Tiririca. Se a gente fosse igual, seríamos gêmeos,
nascidos da mesma mãe, mas ele é uma pessoa e eu sou outra. Coloquei
"Esquisito por esquisito, vote no Marquito" porque sou o esquisito na
televisão e o esquisito que não trabalha, não faz nada pelo povo… isso
sim é esquisito.
Na propaganda eleitoral, você fazia brincadeira, aparecia fantasiado. Será assim também aqui na Câmara?
Nos últimos programas de televisão, pedi para o Ratinho me apoiar e ele
disse sim mas que eu tinha que parar com as palhaçadas no horário
eleitoral. Aí eu vesti uma jaqueta e ele dizia assim: "Esse aqui eu
conheço há quinze anos. Marquito, na hora de brincar, ele brinca, mas na
hora de trabalhar, ele trabalha. Por isso peço seu voto para o
Marquito". E aí eu falava meu número: 14.222.
Você se sente preparado para assumir como vereador?
Preparadíssimo, não. Estou preparado. Preparadíssimo vou ficar no ano
que vem. Vou fazer bonito, não quero ser um esquisito, quero trabalhar.
Não recebi voto à toa.
Você já tem uma equipe de assessores?
Já. Tenho um grande assessor do meu lado (e aponta para o advogado e
assessor Edson Prestes) e já tenho a equipe, porque vereador não
trabalha sozinho. Como eu fui primeiro suplente, já estava preparado.
Meu assessor já estava preparando meu caminho. Se você não tiver… como é
que fala? Se você não tiver… fé! Como eu tive fé que daria certo, tenho
fé de que serei um grande vereador.
O senhor sabe como funciona a Câmara? Sabe quem é o presidente da Casa, as funções de um vereador?
Sim, aliás eu vou agora conversar com o diretor.
Qual diretor?
O diretor…
(Celso Gabriel, diz Edson Prece, referindo-se ao diretor de RH da Câmara).
Todos já falaram com ele, agora só falta eu. Vou conhecê-lo melhor.
Você pretende pegar dicas com o deputado Tiririca?
Não. Até porque ele entrou sem saber o que era política. Eu vou falar o
que com ele? Preciso ter um assessor que entende o Poder Legislativo.
Ele é deputado, ele faz a lei executiva, eu faço a lei legislativa, é
totalmente diferente.
Quais são suas prioridades para os próximos quatro anos? Já tem algum projeto para colocar em prática?
Tem dois. Mas não é projeto… Tem duas áreas que eu quero lutar. Saúde,
que está muito ruim. A saúde está 70%, tem que melhorar. E as creches.
Mais creches, ampliar o horário de funcionamento das creches das 7h às
20h30.
Por que você entrou para a política?
Porque me cobravam muito.
Quem cobrava?
O povo, porque eu trabalho no Ratinho. O povo me cobrava nas ruas, nos
meus shows. Aí eu pensei: vou entrar para vereador em São Paulo.
E por que você escolheu o PTB?
Porque é um partido honesto, trabalhador e o Campos Machado é uma pessoa
extraordinária, que me mostrou firmeza nas conversas. Fui convidado
pelo PMDB, PHS, PTN e não aceitei.
E vou contar uma coisa, a minha campanha foi muito pobre, não foi uma
campanha de Tiririca. Ele teve recursos, aparecia toda hora na TV. Eu
não tive recurso nenhum e não aparecia tanto na mídia… muita gente não
sabia que eu era candidato. Se eu fosse candidato para deputado, com
toda a estratégia do Tiririca, aí estaríamos nós dois na briga, porque
sou muito querido. Tinha certeza que seria eleito deputado, pode ser
federal ou estadual… eu e Tiririca, pode ter certeza, a gente ia se
bater.
Você vai continuar na TV?
Sim. Vou fazer o povo rir de dia e de noite. De dia, porque vou
trabalhar e deixar o povo feliz. Quero ser um vereador que faça a
diferença, quero ser a laranja boa.