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quarta-feira, 18 de março de 2015

Combate à corrupção é coerente com minha vida e minha atuação, diz Dilma


Presidente anunciou pacote anticorrupção em cerimônia no Planalto.
Propostas para inibir corrupção são aposta do governo para atender protestos.



Filipe Matoso e Fernanda Calgaro  
Do G1, em Brasília
 


Dilma anunciou em cerimônia no Palácio do Planalto pacote de combate à corrupção (Foto: Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)Dilma anunciou em cerimônia no Palácio do Planalto pacote de combate à corrupção (Foto: Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
 

Ao anunciar nesta quarta-feira (18) um pacote de medidas para inibir e aumentar a punição a irregularidades na administração pública, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o combate à corrupção é "coerente" com sua trajetória pessoal e com sua atuação como chefe do Executivo federal. Em uma cerimônia no Palácio do Planalto, Dilma entregou simbolicamente ao Congresso Nacional um conjunto de propostas para combater a corrupção.

"Meu compromisso com o combate à corrupção é coerente com minha vida pessoal, com minha prática política e é coerente com minha atuação como presidenta", disse Dilma na solenidade no Palácio do Planalto, sob aplausos da plateia.

Principal aposta do governo para atender às cobranças de parte da população aos recentes escândalos de corrupção, o pacote reúne projetos que já tramitam no Legislativo sobre o tema e textos elaborados pelo Executivo.
Os principais pontos dos projetos de combate à corrupção são os seguintes:

1 – Criminalização da prática de caixa 2;
2 - Aplicação da Lei da Ficha Limpa para todos os cargos de confiança no âmbito federal;
3 – Alienação antecipada dos bens apreendidos após atos de corrupção para evitar que não sejam usados por agentes públicos e possam ser vendidos por meio de leilão;
4 – Responsabilização criminal de agentes públicos que não comprovarem a obtenção dos bens;
5 - Confisco de bens dos servidores públicos que tiverem enriquecimento incompatível com os ganhos.

 
Em meio ao seu discurso, a presidente da República ressaltou que é preciso "investigar e punir os corruptos e corruptores de forma rápida e efetiva". Segundo ela, a corrupção "ofende e humilha os trabalhadores", além de "diminuir a importância do trabalho honesto".

"[O povo] sabe que a corrupção no Brasil não foi inventada recentemente, sabe que o diferencia um país do outro e o governo do outro é o fato de alguns países e alguns governos ciram condições para que a corrupção seja prevenida, investigada e punida", destacou a petista em seu pronunciamento.

"A corrupção ofende e humilha os trabalhadores, diminui a importância do trabalho honesto, transforma a classe média e suas aspirações, dando um exemplo falso de facilidade. A corrupção prejudica empresários, prejudica o trabalhador, atinge e ofende os homens cidadãos e mulheres cidadãs de bem”, complementou.

Ministros, autoridades políticas e parlamentares da base aliada prestigiaram o ato político que marca o início da tramitação das propostas no Legislativo. No entanto, os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não compareceram à solenidade.
Na cerimônia, ao explicar o teor do pacote anticorrupção, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, defendeu que a impunidade seja enfrentada de “peito aberto”.

Ele classificou a corrupção como uma “doença”, que precisa ser trazida “à luz do sol” para ser tratada.

“Quando um governo se acumplicia diante dela, não só não cumpre sua missão, mas esconde dos olhos de todos uma realidade que corre no subterrâneo”, disse o ministro.

“A corrupção é um mal intolerável”, acrescentou. Ele destacou ainda o impacto negativo da corrupção no país e afirmou que a prática não só é “eticamente reprovável”, mas “agrava a própria exclusão social no país”, complementou.

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Promessa de 2013
Prometido por Dilma durante a campanha eleitoral, o "pacote anticorrupção" foi sugerido pela pela presidente pela primeira vez, em 2013, como uma resposta à onda de manifestações que tomou conta do país durante a Copa das Confederações.


Na campanha eleitoral do ano passado, Dilma chegou a convocar uma entrevista coletiva no Palácio da Alvorada para detalhar as propostas. No entanto, apesar de ter feito a promessa há quase dois anos, o Executivo só encaminhou o projeto ao parlamento nesta quarta.

Diante da repercussão das manifestações do último domingo (15), que levaram milhares de pessoas às ruas para protestar contra a presidente e pedir o fim da corrupção no país, o governo decidiu acelerar o envio das propostas ao parlamento.

Na véspera da entrega do pacote, integrantes do primeiro escalão do governo Dilma fizeram uma ofensiva sobre congressistas da base aliada para apresentar os projetos, coletar sugestões e assegurar apoio para a aprovação das medidas.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Suspeitos de corrupção usam shows de grandes nomes da música para desviar dinheiro

Um empresário do ramo artístico que foi preso essa semana confessou que funcionários públicos desviavam dinheiro das apresentações.




Na última terça-feira, o Ministério Público fez uma mega operação em 13 estados para combater a corrupção no país.

Lavagem de dinheiro, superfaturamento, venda ilegal de documentos. Todo tipo de golpe apareceu durante as investigações.

Num deles, os corruptos usavam shows de nomes da MPB para botar a mão em milhões de reais do dinheiro público. Veja agora, na reportagem de Jonas Campos e Mauricio Ferraz.

São acusações graves: venda de carteiras de habilitação para dirigir ônibus e caminhões. Venda de certificado para transportar cargas perigosas sem fazer curso nenhum. Prefeituras suspeitas de superfaturar shows de nomes conhecidos da música brasileira, como Fabio Júnior Zezé Di Camargo e Luciano e banda Cheiro de Amor.

Esses e outros casos vieram a público todos juntos, terça-feira passada, Dia Nacional de Combate à Corrupção. Ao todo, o desvio de dinheiro é estimado em R$ 1 bilhão.

Coordenada por promotores que integram o grupo de combate a organizações criminosas, uma mega operação foi desencadeada em 13 estados.

O Fantástico mostra, com exclusividade, detalhes das investigações dessa mega operação
Este homem é dono de uma auto-escola, na cidade de Anastácio, a 140 quilômetros de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Sem saber que estavas sendo gravado, Elcivar de Souza diz que não é preciso fazer aulas nem provas para tirar carteira de motorista, basta pagar. O dono da auto-escola diz mais, que fornece até carteira de habilitação categoria C, para dirigir caminhões. E também categoria D, para dirigir ônibus. “Vai sair na faixa de 3.200 (reais) a letra C ou D”, diz. Ele promete uma aula rápida para pessoa que compra a habilitação. Sem pagar nada. “Só pra fazer mão única, mão dupla. Que tem diferença uma da outra”.

E é assim totalmente despreparada que a pessoa pode sair por aí dirigindo caminhão ou ônibus.

Fantástico: O senhor garante?

Dono da auto-escola: Sem problema. Garantimos, sim.

Durante seis meses, o Ministério Público investigou essa fraude. Além de Mato Grosso do Sul, há motoristas de caminhões e de ônibus de Mato Grosso e São Paulo que estão dirigindo com habilitação comprada.

“Trafegam normalmente pelas vias e rodovias, colocando a vida deles e de outras pessoas em risco”, destaca Marcos Alex Vera de Oliveira, promotor de Justiça.

Antes de dirigir um caminhão tanque, o motorista precisa fazer um curso que ensina como agir em caso de acidentes. Mas segundo as investigações, a quadrilha criou um sistema fraudulento de venda de certificados. E assim, centenas de caminhoneiros circulam pelas estradas do Centro-Oeste sem ter o preparo necessário para transportar cargas perigosas.

A lei determina que o motorista desse tipo de caminhão faça o curso de "movimentação de produtos perigosos", conhecido como Mopp.

Mas na auto-escola de Anastácio, pra conseguir o Mopp , não é preciso frequentar às aulas.
“Mopp sai 400 (reais)”, diz.

Localizamos um caminhoneiro que comprou o certificado.


Fantástico: É só pagar e esperar?

Caminhoneiro: É, pagar e esperar. Na época, eu paguei R$ 380.

“O fato é que isso é extremamente grave, porque isso tipo de carga coloca em risco a segurança que trafegam pelas rodovias”, diz Airton Motti, Polícia Rodoviária Federal / MS.

Seis acusados de participar do esquema foram presos. Ao Ministério Público, o dono da autoescola, Elcivar de Souza, disse que nunca vendeu habilitações.

A promotoria também investiga o envolvimento de funcionários do Detran no esquema. Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça indicam o pagamento de propina.

- “Precisa pagar R$ 1,2 mil para o cara lá do Detran, né?

- Sei

“Estamos aguardando o promotor nos mandar os nomes desses possíveis indiciados pra que a gente possa proceder à suspensão desses servidores e depois abertura dos processos disciplinares internos”, diz Carlos Henrique Santos Pereira, diretor-geral do Detran MS.

No Rio Grande do Norte, o repórter Mauricio Ferraz mostra que prefeituras desviavam dinheiro público contratando shows musicais.

Imagens na internet mostram como foi animado o carnaval do ano passado, em Macau, litoral do Rio Grande do Norte. Foram 57 shows, tudo pago pela prefeitura. Um gasto de R$ 2,7 milhões.

Segundo o Ministério Público, quase todos os contratos foram superfaturados.

Os promotores são categóricos na investigação. Dizem que o esquema fraudulento foi planejado bem na prefeitura de Macau.

O responsável pelo Carnaval do município tem uma justificativa para o evento ser mais caro aqui do que em outras cidades. "No carnaval de Macau, nós temos um percurso de 6 quilômetros. Então, desgasta. É um desgaste muito forte”, afirma Chico Paraíba, presidente Fund. De Cultura de Macau.
O Ministério Público fez uma investigação semelhante na cidade vizinha, Guamaré, onde os gastos com shows passaram de R$ 6,5 milhões só no ano passado.

O empresário Rogério Cabral Júnior diz ter intermediado a contratação de seis bandas para apresentações no carnaval de 2012 no município.

O valor: R$ 1,1 milhão. Ao Ministério Público, ele confessou o superfaturamento. “Eu até errei, sei disso, por ter sido conivente com a situação”.

O promotor quer saber detalhes. Pergunta sobre um contrato de R$ 144 mil.

Promotor: Aqui está constando 144 mil.

Rogério: Isso.

Promotor: Então? O valor real do show?

Rogério: Aproximadamente 70 mil reais.

Ou seja, só nesse caso, a diferença é de 100%; R$ 74 mil de superfaturamento.

E segundo ele, os funcionários da prefeitura sabiam de tudo. “Todo mundo aí que participou sabia o valor de compra da banda e sabia o valor que foi emitida a nota fiscal”.

E o dinheiro? Ficava pra quem? “Essa diferença não veio para mim, em meu benefício. Segundo eles, era pra fazer pagamentos de extras que não tinham como ser faturados”.

Segundo o Ministério Público, na verdade, a diferença ia para o bolso de servidores do município.

“Recursos públicos que deveriam ser empregados na educação, na saúde, para interesses particulares”, analisa o procurador-geral de Justiça/RN Manoel Onofre Neto.

Também estão sendo investigados contratos com artistas famosos que se apresentaram na festa de 50 anos de Guamaré, em maio passado.

Para o show da banda Cheiro de Amor, a prefeitura pagou R$ 215 mil a uma empresa de eventos que intermediou a contratação.

A assessoria da banda diz que, para cobrir o cachê dos artistas e despesas como hospedagem e alimentação, cobrou e recebeu cerca de R$ 100 mil.

A assessoria disse ainda que desconhece o valor pago pela prefeitura de R$ 215 mil e que a verdade prevalecerá.

Segundo as investigações, R$ 100 mil foram para pagar o cachê da banda e o resto do dinheiro foi dividido entre servidores de Guamaré.

O cantor Fábio Júnior também se apresentou no aniversário da cidade. Nesse caso, a prefeitura negociou direto com a empresa que representa o artista.

O valor de R$ 290 mil foi dividido em dois cheques. Parte desse dinheiro, diz o Ministério Público, foi parar no bolso de um guarda municipal.

Segundo a promotoria, também há "provas contundentes" de superfaturamento na contratação de um show da dupla Zezé Di Camargo e Luciano. Na festa de aniversário de Guamaré, o valor chegou a R$ 450 mil.

Quatro meses antes, na cidade de Encanto, também no Rio Grande do Norte, pagou R$ 290 mil, por duas atrações da dupla famosa e de banda regional de forró.

“O superfaturamento na investigação ficou muito claro. Não tem nenhuma justificativa pra valores, pra diferenças tão desproporcionais”, afirma a promotora de Justiça Patrícia Antunes Martins.

A empresa que representa o cantor Fábio Júnior informou que não compactua com superfaturamentos ou atos ilegais de qualquer natureza.

Disse ainda que o valor do show depende de inúmeras variáveis, como local, data do evento e se o contratante vai bancar despesas como passagens aéreas e montagem de palco.

Também em nota, o advogado de Zezé Di Camargo e Luciano disse que os artistas estão tranquilos quanto aos contratos da dupla.

Disse ainda que, na apresentação em Guamaré, o contrato de R$ 450 mil incluiu, além do cachê da dupla, todas as despesas com estrutura e logística.

Segundo o advogado, houve lisura e transparência nos contratos e a dupla jamais participou de qualquer situação ilegal ou imoral.

“Os artistas não são objeto de investigação, a princípio, do Ministério Público e nós esperamos ouvi-los no curso do processo pra que se esclareça o recebimento ou não desses valores”, completa a promotora de Justiça Patrícia Antunes Martins.

Semana passada, 13 pessoas foram presas em Guamaré, inclusive Emílson Borba Cunha, que era prefeito na época da assinatura dos contratos.

Em nota, o advogado do político informou que irá provar a inocência dos investigados e a inexistência de superfaturamento nos shows.


Nos 13 estados onde aconteceu a operação contra a farra com dinheiro público, 101 pessoas foram presas.

“O que é de estarrecer é justamente essa sede, essa vontade de ir em cima de recursos, de verbas vindas da sociedade, do povo, por pessoas inescrupulosas no ambiente do patrimônio público”, diz Oswaldo Trigueiro, presidente do Conselho Nacional de Procuradores Gerais.

sábado, 13 de abril de 2013

O avião de Roseana

 

Sem pedido de informação

Após receber uma denúncia dando conta que Roseana Sarney estaria mascarando a compra de um jatinho através de um contrato de prestação de serviços entre a PMR Táxi Aéreo e o governo do Maranhão, o deputado estadual Rubens Junior resolveu investigar a situação.

De acordo com Rubens, o fato da empresa ter recebido diversos pagamentos mensais no valor de 819 000 reais pode até não ser prova suficiente para acusar Sarney sobre a compra, mas, no mínimo revelaria algum tipo de irregularidade, uma vez que um valor fixo era pago com o avião saindo ou não do chão.


Para esclarecer o assunto, Junior tentou aprovar na Assembleia Legislativa um pedido de informações para que Roseana detalhasse a história do jatinho.

Para investigar o caso, contudo, não conseguiu o apoio da maioria dos deputados. Longe disso, de 42 parlamentares estaduais, só oito concordaram com o pedido de informações.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Farra dos milhões no Amapá


Alvo do MP

O Ministério Público concluiuum levantamento dos gastos com verbas indenizatórias dos deputados estaduais do Amapá em 2011, mesmo ano em que os promotores descobriram também uma lista de falcatruas que corriam soltas na assembleia legislativa local, durante a operação Eclésia.

Seis deputados abocanharam mais de 1 milhão de reais, cada um, com verbas indenizatórias só em 2011. E outros quinze torraram 800 000 reais ou mais no mesmo período – entre eles o presidente da Casa à época, Moisés Souza – o cabeça de um esquema de corrupção que envolve formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e outras práticas criminosas, segundo o MP.

A festa com verba indenizatória foi garantida por uma decisão do Legislativo local de dobrar o limite de 50 000 reais para 100 000 reais por gabinete. Os documentos apreendidos na Aleap mostram que o apetite dos parlamentares amapaenses custaram 23 milhões de reais: para ser ter ideia do tamanho da brincadeira, esse valor supera a soma dos orçamentos previstos para bombeiros e polícias militar, civil, militar e técnico-científica do estado naquele ano.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Revista aponta "negócios suspeitos" de Henrique Alves e Felipe Maia com governo federal.



O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB), e o deputado federal Felipe Maia (DEM), filho do senador José Agripino Maia (DEM), são apontados como beneficiários de "negócios suspeitos" com o governo federal. As informações estão na revista IstoÉ, que chegou as bancas neste fim de semana.

A reportagem, intitulada "Os negócios suspeitos de Henrique Alves & CIA", mostra que o presidente da Câmara e mais quatro parlamentares são questionados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por participarem de empresas contratadas pelo governo federal. "Esses negócios teriam propiciado a eles polpudos rendimentos", diz a publicação.

A reportagem toma por base um relatório que TCU, órgão que durante dois anos investigou a atuação de parlamentares suspeitos de valer-se de seus cargos para obter contratos com órgãos públicos e empresas estatais. De acordo com o relatório, de caráter sigiloso, cinco parlamentares são mencionados por descumprir o artigo 54 da Constituição, que proíbe deputados e senadores de exercer cargo executivo em empresas contratadas pelo governo.

Entre os envolvidos estão o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, o ex-ministro Eunício Oliveira (PMDB-CE), o ex-governador e deputado Paulo Maluf (PP-SP) e o deputado Felipe Maia (DEM_RN). Um quinto nome é mencionado: José Gerardo, que perdeu o mandato em 2010, condenado por corrupção.

Henrique Alves entrou no relatório por sua ligação com a Newtec, antiga Cabugi Tec, uma produtora de eventos que realizou pelo menos dois contratos – obtidos sem licitação – com a Petrobras. Conforme documentos da Junta Comercial, anexados pelo TCU, a Newtec foi fundada pelo próprio Henrique Alves em 1994, quando ele cumpria o sexto mandato consecutivo na Câmara. Em 2005, quando se encontrava no oitavo mandato, o parlamentar passou 50% do capital a um sobrinho, Aluizio Alves, mantendo a participação restante.

No caso de Felipe Maia, ele é citado por ser dono da maioria das cotas da Comav, empresa de comércio de combustíveis de aviação. De acordo com a revista, o democrata emplacou três contratos com a BR Distribuidora, com valores que giram em torno de R$ 50 milhões por ano.

Relatório do TCU será analisado por Comissão de Ética da Câmara dos Deputados

O relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) não tem valor de sentença judicial. Possui apenas o caráter de recomendação, que o Legislativo pode acatar ou não.

Embora as conclusões do tribunal tenham sido enviadas à Comissão de Ética da Câmara no final do ano passado, até agora seu presidente, deputado José Carlos Aleluia (PSD-BA) não tomou nenhuma providência.

O Ministério Público também recebeu o relatório, e não determinou a abertura de investigações, até agora.

Informações do Jornal de Hoje

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Corrupção na máquina



Cardozo: 103 demissões

A administração federal expulsou, demitiu ou destituiu 56 servidores em outubro por envolvimento em corrupção: quase dois por dia. É a segunda maior marca deste ano. Só perde para setembro. Na ocasião, 59 funcionários públicos da União ficaram sem emprego.

No ano, já são 450 expulsos. Olhando para o histórico de dez meses, desde 2003, os números de 2012 chamam atenção: o total fica atrás somente de 2011, quando foram expurgados 465 servidores entre janeiro e outubro.

De acordo com os dados da Controladoria-geral da União (CGU), que divulga o balanço mensal das expulsões, o Rio de janeiro registrou o maior número até agora, com 88 funcionários públicos banidos em 2012, seguido por São Paulo, com 49, e Distrito Federal, logo atrás: 48.

No ranking da Esplanada neste ano, o Ministério da Justiça, de José Eduardo Cardozo, se livrou de 103 servidores de conduta questionável e passou a Previdência Social, que já mandou embora 99 funcionários desde janeiro. O Ministério da Saúde pôs para fora outros 68 no mesmo período.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Lista aponta 10 ‘práticas de corrupção’ do dia a dia do brasileiro

 


Mariana Della Barba, BBC Brasil

Quase um em cada quatro brasileiros (23%) afirma que dar dinheiro a um guarda para evitar uma multa não chega a ser um ato corrupto, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais e o Instituto Vox Populi.

Os números refletem o quanto atitudes ilícitas, como essa, de tão enraizados em parte da sociedade brasileira, acabam sendo encarados como parte do cotidiano.

"Muitas pessoas não enxergam o desvio privado como corrupção, só levam em conta a corrupção no ambiente público", diz o promotor de Justiça Jairo Cruz Moreira.

Ele é coordenador nacional da campanha do Ministério Público "O que você tem a ver com a corrupção", que pretende mostrar como atitudes que muitos consideram normal são, na verdade, um desvirtuamento ético.

Como lida diariamente com o assunto, Moreira ajudou a BBC Brasil a elaborar uma lista de dez atitudes que os brasileiros costumam tomar e que, por vezes, nem percebem que se trata de corrupção.

Leia mais em Lista aponta 10 ‘práticas de corrupção’ do dia a dia do brasileiro

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

RN é campeão em reeleição e corrupção do voto



 

Do jornal Valor Econômico
Um amplo e minucioso estudo apresentado pelo jornal Valor Econômico (São Paulo-SP) mostra que o Rio Grande do Norte é o estado brasileiro com o melhor índice de reeleição de prefeitos. A fragilidade na fiscalização do voto, a falta de melhor instrução do povo e a dependência do cidadão do poder público explicariam a dificuldade de mudanças.
Nas últimas quatro disputas municipais, a taxa de reeleição no recordista Estado potiguar foi em média de 71,7% .
O cientista político Antônio Spinelli explica que o cenário do Rio Grande do Norte é emblemático. Há uma extrema pobreza e dependência de recursos do governo. Mossoró, a propósito, é apontda como destaque negativo nesta prática política.
“Nestas cidades prefeitos costumam fornecer ambulâncias para o transporte de doentes para hospitais da capital e que outros veículos são contratados a particulares, por fora, sem licitação. O exemplo ilustraria a rede de empregos temporários que são criados em torno da prefeitura e que geram fidelidade política ao mandatário de plantão”, afirma o cientista político.
“Na época da eleição, os prefeitos colocam a máquina para funcionar de modo avassalador. Há um uso massivo e indiscriminado das finanças para se reeleger. A compra de votos é generalizada”, diz Spinelli.
Mossoró e corrupção
“Com pouca fiscalização, a véspera da eleição é tida como o dia mais importante de campanha, quando grupos de trabalho saem pela noite e varam a madrugada distribuindo cestas básicas, camisetas e outros agrados aos eleitores. Denúncias, geralmente, são feitas pelos adversários políticos, mas os processos não são concluídos e não há punição na maior parte dos casos”, narra.
“O grau de corrupção do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte é muito alto. A própria ex-corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon, ficou estarrecida quando veio aqui, pois até desembargador estava envolvido”, diz Spinelli.
O professor destaca que o índice de permanência no poder pelos mesmos grupos políticos é ainda maior se se somar, à taxa de reeleição, a proporção de prefeitos que conseguem fazer seus sucessores. Ele cita o caso de Mossoró, cidade natal da governadora Rosalba Ciarlini Rosado (DEM).
“Rosalba foi prefeita por três mandatos (1989-1992; 1997-2000; e 2001-2004), depois elegeu uma sucessora, Fafá Rosado (DEM), que já se reelegeu (2005-2008 e 2009-2012), e nesta disputa fez uma segunda sucessora, Claudia Regina (DEM). A hegemonia foi mantida mesmo com todos os esforços e da união de PSB e PT para tirar do DEM a única prefeitura que a sigla mantém hoje entre as 118 maiores do país. Será, na prática, o sexto mandato dela, Rosalba, ou delas, já que todas são mulheres”, ressalta Spinelli.”

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Seguindo o dinheiro



Demóstenes: triangulação com a quadrilha

Uma estranha movimentação financeira feita em um intervalo de poucos dias tem intrigado a cúpula da CPI do Cachoeira.

O empresário Marcelo Limírio, sócio de Carlinhos Cachoeira, depositou seis milhões de reais para Ataídes de Oliveira, suplente do senador tucano João Ribeiro.

Logo depois, os mesmos 6 milhões de reais foram parar na conta da Nova Faculdade, que tem Demóstenes Torres como um dos donos.

sábado, 21 de julho de 2012

Os três amigos

Novas gravações da Polícia Federal mostram Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres fazendo negócios em nome do governador de Goiás, Marconi Perillo
MURILO RAMOS, MARCELO ROCHA E DIEGO ESCOSTEGUY


ÉPOCA teve acesso a novas conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo – que, no final de fevereiro, deslindou a infiltração do crime organizado no governo de Goiás. A íntegra das conversas – 5,9 gigabytes de informação – corre sob segredo de Justiça na 11ª Vara Federal de Goiânia. Nela, encontra-se fartura de trechos inéditos – e explicitamente reveladores, sobretudo sobre o envolvimento do tucano Marconi Perillo, que governa o Estado de Goiás, com o esquema liderado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira e pela construtora Delta. Entre outras novidades, há diálogos em que se diz que Perillo “mandou passar” à Delta um contrato que poderia render R$ 1,2 bilhão. Noutros diálogos, cita-se Perillo como responsável por ordenar, por intermédio do ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM), que o diretor do Detran no Estado, indicado por Cachoeira, contratasse uma empresa de um amigo do governador. Descobre-se, ainda, que um irmão de Perillo, chamado Antônio Pires Perillo, ou Toninho, tinha um celular Nextel habilitado nos Estados Unidos para conversar com Cachoeira – e que Toninho prestou serviços a ele.

ESCOLHA O governador Marconi Perillo. De acordo com a Polícia Federal, ele se empenhou para que uma obra em Goiânia  fosse entregue à construtora Delta (Foto: Dida Sampaio/AE)
Desde que a existência da quadrilha de Cachoeira veio a público, em fevereiro, sabia-se que a força do grupo escorava-se, entre outros políticos, no senador Demóstenes. O envolvimento de Perillo aparecia, até então, por indícios. Na semana passada, ÉPOCA revelou as evidências – contidas num relatório enviado pela PF à Procuradoria-Geral da República – de que a Delta firmara um “compromisso” político com Perillo: comprara a casa que o governador vendia, pagara R$ 500 mil a mais do que ela valia – e passara a receber em dia o que o governo de Goiás lhe devia.
De acordo com as gravações, outros acertos de Perillo com as empresas ligadas ao esquema de Cachoeira acontecem em março de 2011, logo após a venda da casa para a Delta. No dia 1º de março, Perillo vende a casa. No dia 2, começam os negócios. Às 21 horas, Demóstenes liga para Cachoeira. O assunto é urgente: Demóstenes tem um “recado” a transmitir a Cachoeira. De quem? De Perillo.
 Descobre-se, portanto, que a relação de Perillo com a quadrilha de Cachoeira era ampla – envolvia não apenas seu assessor Wladmir Garcez, que acabara de intermediar os pagamentos da Delta pela casa, mas também Demóstenes. Diz Demóstenes: “Fala, professor. O seguinte: tava precisando falar com você. Ou se você não puder, manda o Wladmir (Garcez) falar comigo. Não é nada daquele assunto, não. É outro, que apareceu agora. É um recado do Marconi. Precisava te passar” (ouça o áudio). Cachoeira pergunta se Demóstenes está em Goiânia. “Tô aqui”, diz Demóstenes. “Se você puder vir aqui... Se não puder, manda o Wladmir que eu explico o que é.” Cachoeira não titubeia:
“Vou aí agora então”.
Pouco mais de meia hora depois, após o encontro com Demóstenes, Cachoeira liga para o presidente do Detran de Goiás, Edivaldo Cardoso, conhecido como Caolho. Caolho fora nomeado para o cargo assim que Perillo assumiu o governo, segundo a investigação, por indicação de Cachoeira, que o encarregara de assegurar que a Delta e demais “empresas amigas” faturassem alto não somente no Detran, onde ele assinaria contratos e autorizaria pagamentos, mas também nas demais áreas do governo de Goiás. Como Caolho faria isso? Graças a seu acesso privilegiado à cúpula do governo tucano, Caolho tinha bom trânsito com Perillo e seus assessores. Deveria ainda manter Cachoeira a par de possíveis novos projetos do governo.

estresse O senador Demóstenes Torres e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Segundo escutas da PF, eles ficaram estressados com a pressão  de Perillo (Foto: Cadu Gomes/Reuters e Sergio Lima/Folhapress)
É nesse contexto que transcorre o diálogo entre Cachoeira e Caolho naquela noite de março – um breve, porém claro, sinal do empenho de Perillo em ajudar a turma. Cachoeira diz a Caolho: “Tenho um recado do Marconi e do Demóstenes para você”. Caolho pergunta do que se trata. “Por telefone é ruim, né?”, afirma Cachoeira. Ato contínuo, Caolho pergunta se os dois podem se encontrar.
Cachoeira, cansado depois de um dia intenso e sem encontrar uma brecha na agenda do dia seguinte, acaba transmitindo o recado de Perillo por telefone. “Você teve com a Politec?”, diz Cachoeira.
“Tive, ué”, responde Caolho. Temendo uma bronca, Caolho se adianta e conta tudo: “Quem mandou, pediu para eu receber a Politec foi o Marconi (Perillo). Ligou e pediu para eu receber o cara (da empresa Politec)” (ouça o áudio). Cachoeira confirma: “Aí mas ele (Perillo) não lembra, não. O problema é esse. Ele falou lá que você tinha que fechar (com a Politec), o negócio deles lá”.
Caolho explica em detalhes a ordem de Perillo para contratar a Politec. “O homem (Perillo) que ligou para mim. O Barros (Carlos Alberto Barros, fundador da Politec) estava lá no palácio, ele (Perillo) me ligou, falou comigo pessoalmente para eu receber o cara lá”, diz. Cachoeira determina então que Caolho resolva logo o contrato com os executivos da Politec: “O Demóstenes falou para você nem chamar o Marcelo (Marcelo Augusto Gomes de Lima, gerente de projetos da empresa)”. Caolho conta que a Politec já o procurara para oferecer serviços de vistoria para carros. Diz Caolho: “Esse negócio foi o Marconi que pediu. (...) Ele (Perillo) ligou e eu atendi. Não mandou recado, não. Ligou no telefone e falou assim, ó: ‘Eu tô aqui com o Barros (da Politec). Você conhece ele? Ele vai te procurar. Você pode receber ele aí hoje?’ Eu disse: ‘Posso, governador, manda ele vir aqui que eu falo com ele agora’”. Perillo, segundo o relato de Caolho, é direto: “(Perillo) falou: ‘Atende ele (Barros, da Politec) aí que é meu amigo, tá?’”.

Ao perceber que o assunto já estava encaminhado no Detran, Cachoeira se irrita com a pressão de Perillo e ordena que Caolho explique a situação aos executivos da Politec. Diz Cachoeira: “Fala para eles (Politec): ‘O que foi politicamente combinado já está fechado’”. Caolho também reclama: “Povinho estressado... E o Marconi também tem uma memória de grilo”. “Mas aí você já passa lá amanhã e resolve esse estresse”, diz Cachoeira. Em seguida, ele afirma que os executivos da Politec também pressionaram Demóstenes. Noutra ligação com Cachoeira, cinco minutos depois, Caolho está mais leve: “Amanhã resolvo isso. Hahaha! Eu acho divertido um negócio desses. O governador manda receber o cara, o cara chega para mim e diz que conversou com ele. (...) ‘O senhor (Barros, da Politec) só põe no papel aqui para mim que eu vou autorizar’: foi essa minha conversa com ele (da Politec)”.

Os interesses da Politec, do amigo de Perillo, foram atendidos. A empresa conseguiu prestar serviços ao Detran, presidido por Caolho, sem licitação nem contrato formal. O serviço de vistoria de carros, antes feito por múltiplas empresas credenciadas, passou a ser executado exclusivamente pela Politec.

Em fevereiro deste ano, o Departamento Nacional de Trânsito, o Denatran, detectou irregularidades no sistema oferecido pela Politec ao Detran de Goiás. Descobriu-se que a Politec não era homologada no Denatran nem repassava as informações das vistorias ao banco de dados do órgão – brecha que permitia, em tese, que carros roubados ou fora dos padrões de segurança fossem revendidos. Diante dos fatos, o promotor Rodrigo Bolelli determinou ao Detran goiano que encerrasse a contratação informal da Politec.

A Politec, que nasceu em Goiânia, é uma grande empresa de tecnologia. Vale R$ 254 milhões e mantém contratos com governos estaduais, além do governo federal. Desde que Perillo virou governador, no ano passado, recebeu R$ 8 milhões do Estado de Goiás. Quando Barros abordou Perillo no ano passado, a Politec já estava encalacrada com a PF. Em 2009, ela e outras três empresas foram alvo da Operação Mainframe, ação conjunta da Polícia Federal e da Secretaria de Direito Econômico (SDE) contra o cartel que presta serviços de informática ao governo federal. Num dos endereços vasculhados pelos agentes da PF foram encontradas anotações com nomes de políticos e valores anotados ao lado. Havia, segundo os investigadores, o nome de um senador – a identidade dele é mantida sob sigilo. As investigações desse caso ainda estão em curso.

Caolho era mesmo próximo a Perillo? Ao que tudo indica, sim. Semanas depois da pressão para a contratação da Politec, no dia 30 de março, Perillo foi jantar na casa de Caolho, ao lado de Cachoeira – e admite isso. Escutas da PF revelam que Cachoeira e Caolho esmeraram-se nos preparativos para o convescote. Num dos áudios, Cachoeira afirma que levaria uma garrafa de vinho e uma de champanhe ao encontro. Pouco antes da tertúlia, Cachoeira liga para Garcez e pede que se apresse: Perillo deveria chegar antes do previsto. Esse jantar é um dos três encontros que Perillo admite ter tido com Cachoeira. O segundo foi na sede do governo goiano. O terceiro, na casa do ex-senador Demóstenes Torres (ouça o áudio).
As novas investigações da PF também se referem a um segundo caso: a instalação em Goiânia do VLT, veículo leve sobre trilhos. Na tentativa de criar uma agenda positiva, Perillo reuniu secretários na semana passada para definir o cronograma da licitação que escolherá a empresa responsável pela instalação do trem. Perillo espera que, na segunda quinzena de agosto, o edital seja lançado. O VLT deverá fazer a ligação leste-oeste da cidade, com 12,9 quilômetros de extensão, uma obra incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Segundo a investigação da PF, as articulações do governo, no ano passado, para implantar o VLT em Goiânia ficaram comprometidas porque o contrato fora dirigido para a Delta. Num diálogo interceptado no dia 30 de março de 2011, Garcez narra a Cachoeira uma conversa mantida com o presidente da Agência de Transportes e Obras Públicas (Agetop) e tesoureiro de Perillo na campanha de 2010, Jayme Rincón. Nesse diálogo, segundo Garcez, Rincón disse que o governador escolhera a Delta para administrar as obras. “O governador já tinha falado com ele (Rincón) sobre o negócio do VLT e que é pra passar o negócio pra Delta”, afirmou (ouça o áudio). Em entrevista a ÉPOCA, Rincón disse não ter conversado com Garcez sobre o VLT: “Não tem a menor consistência. Nem se cogitava o VLT. Esse assunto não é afeito a minha área”. ÉPOCA perguntou a ele por que participara da reunião com Perillo no início da semana, para tratar justamente desse assunto. Rincón afirmou que acompanha temas de infraestrutura do governo goiano e que a única participação da Agetop será ceder funcionários para elaborar uma carta-consulta ao BNDES.
As investigações da PF trazem ainda um terceiro assunto à tona: o envolvimento de Antônio Perillo, irmão do governador, com a quadrilha de Cachoeira. De acordo com os áudios, ele pertencia ao clube dos que usavam aparelho Nextel para falar com integrantes da turma do bicheiro. Numa das ligações, Cachoeira pergunta onde Toninho está. Toninho diz que está na saída de Goiânia. Diante de um convite de Cachoeira para encontrá-lo na sede da Delta Construções, Toninho foi rápido: “Vamos agora” (ouça o áudio). Em outro telefonema, Cachoeira demonstra intimidade com ele. “Toninho, você me chamou aqui e desligou o telefone. Tá parecendo aquelas biscates”, diz Cachoeira. Em 8 de abril do ano passado, Cachoeira conversa com Roberto Coppola, seu sócio argentino no ramo dos jogos de azar. Quando Cachoeira informa a Coppola sobre a possibilidade de ir a Buenos Aires na Semana Santa, Coppola diz que Toninho também iria à Argentina no período (ouça o áudio).
 Toninho chegou a acionar Garcez, em 14 de fevereiro deste ano, para perguntar por que seu Nextel não funcionava. No mesmo dia, Eliane Pinheiro, ex-chefe de gabinete de Perillo, pede a Garcez que verifique a situação do aparelho, pois “Toninho está de viagem marcada para Miami”.
A mensagem
Para os políticos

As investigações da PF desnudam as conexões entre Cachoeira, Perillo e Demóstenes

Para o eleitor

É importante considerar esse tipo de informação na hora de votar
O governador Marconi Perillo afirmou que “jamais disse a quem quer que seja” para passar as construções do VLT de Goiânia para a Delta. “Esta afirmação é infame e irresponsável. Como é que o governador poderia pedir a alguém para ‘passar uma obra’ que não existia nem no papel nem se sabia ainda se seria executada?”, afirma. Segundo Perillo, o projeto do VLT ainda está em fase de elaboração. Em relação à Politec, Perillo afirmou que “todos os empresários que o procuram são por ele encaminhados aos órgãos competentes para que se inteirem dos projetos e assuntos relacionados ao governo”. Tudo isso, segundo ele, de forma transparente. “As informações são prestadas pelos responsáveis por cada área do governo sempre obedecendo aos princípios de ética, lisura e transparência.” Perillo foi questionado também sobre as relações de seu irmão com Cachoeira, incluindo o aparelho Nextel doado pelo grupo do bicheiro. Perillo disse que a pergunta deveria ser formulada ao irmão e que não tem conhecimento desse assunto. No comunicado, Perillo disse que não mais se pronunciará a respeito de assuntos de ordem pessoal. “Não cabe alimentar ilações retiradas fragmentadamente de mais de 30 mil horas de gravações, com o único intuito de criar polêmicas e estabelecer relações entre fatos que não se coadunam. Entre todas as gravações divulgadas, não existe nenhuma comprobatória de negócio ou contrato que efetivamente tenha beneficiado alguma pessoa ou empresa.”

A crer na versão de Perillo, o que se lê, ouve e se descobre a cada dia nas investigações da PF decorre não somente de uma sofisticada ação orquestrada “politicamente” pelo PT, mas também de uma extraordinária sucessão de coincidências e mentiras contadas por diferentes integrantes da turma de Cachoeira. Coincidências e mentiras corroboradas por cheques, transferências bancárias, atos de governo. É verdade que Garcez poderia estar usando indevidamente o nome de Perillo e ter criatividade suficiente para inventar recados ou acertos. Mas era amigo de Perillo, frequentava seu gabinete e lhe entregava cheques de Cachoeira. O mesmo vale para Cachoeira, Cláudio Abreu, da Delta, e para os demais personagens envolvidos nos repasses de dinheiro. Como se descobre agora, o mesmo sinuoso raciocínio teria de ser aplicado ainda a Caolho, Demóstenes, ao irmão de Perillo...

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Assepsia: suspeitos tentam manter contrato da Marca com Município

Interceptações revelam intenção de grupo acusado de fraude renovar os contratos da organização social na Secretaria Municipal de Saúde.


Três interceptações divulgadas pelo Ministério Público trazem em sequência ligações de Risiely Lunkes, ex-Superintendente da Marca em Natal, com Rose Bravo.

Na primeira chamada, Risiely comenta como foi o seu depoimento na Promotoria do Patrimônio Público, contrariando as expectativas de Alexandre Magno. Ela diz ainda que não comprometeu nenhum nome.

Posteriormente, há um contato com uma pessoa identificada por Cristiane, funcionária da Secretaria Municipal de Saúde. Na ligação é combinada uma reunião entre a secretaria Maria do Perpétuo Socorro e Tufi Soares, pessoa formalmente estranha ao negócio jurídico celebrado pela SMS com a MARCA e que na verdade é o sócio oculto da MARCA / SALUTESOCIALE, atualmente foragido e procurado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, segundo o MP.

Na chamada posterior, Risiely confirma com sua sucessora à frente da Marca em Natal, mulher identificada por Giceli, que Tufi viria a Natal para discutir o contrato de renovação da Marca com o Município.

Ouça:

Risiely Lunkes X Rose Bravo



Risiely Lunkes X Cristiane



Risiely Lunkes X Giceli

terça-feira, 3 de julho de 2012

Operação Assepsia: Ex-secretário de saúde depõe no Ministério Público

Da redação do DIARIODENATAL.COM.BR, com informações do repórter Moisés de Lima
ex-secretário de Saúde de Natal, Thiago Barbosa Trindade se apresentou às 16h desta terça-feira na sede do Ministério Público para prestar depoimento sobre a Operação Assepsia que investiga desvio de verbas na terceirização dos serviços de saúde da capital.

Thiago Trindade afirmou em entrevista ao Diário de Natal que “mesmo que fosse do meu interesse não teria poder para fazer tudo isso”. O ex-secretário ainda ressaltou, “nenhum gestor é responsável sozinho por assinar contratos desta relevância, existem instâncias como a Procuradoria, Controladoria Geral, Gabinete Civil que investigam e autorizam a assinatura dos contratos”, afirmou o ex-secretário.

O depoimento de Trindade está sendo acompanhado pelo seu advogado Arsênio Pimentel e pelo promotor do Patrimônio Público Emanuel Dayan. O interrogatório é a portas fechadas e já dura aproximadamente duas horas.

O procurador do município Alexandre Magno também deveria depor nesta terça-feira, mas até o momento não se apresentou ao MP.

sábado, 19 de maio de 2012

Vereadores são presos e prefeito é acusado de corrupção em Alagoas

Eles são acusados de corrupção por autorizarem venda de um terreno

Odilon Rios, O Globo

Sete vereadores da cidade de Rio Largo, a 25 quilômetros de Maceió, e quatro empresários - um deles diretor da Usina Utinga Leão, que fica na cidade - foram presos na noite desta quinta-feira acusados de corrupção, por autorizarem a venda de um terreno, avaliado em R$ 21 milhões, por R$ 700 mil, pertencente ao município.

Três vereadores são considerados foragidos. O Ministério Público de Alagoas pediu a prisão do prefeito da cidade, Toninho Lins, mas o Tribunal de Justiça ainda não decidiu sobre o assunto.

Conforme investigações do Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) - que começaram após denúncia da TV Pajuçara, afiliada da Rede Record no estado - o prefeito encaminhou à Câmara dos Vereadores da cidade projeto de lei para adquirir uma área de 252 hectares, da Usina Utinga Leão, em processo de falência, para a construção de casas populares.

O valor da desapropriação da área seria de R$ 700 mil - a serem pagos à usina.

A Câmara autorizou a operação, mas, as casas não foram construídas. Assim, o prefeito encaminhou novo projeto à Câmara, desta vez pedindo autorização para vender o terreno a uma empresa comercial, pelos mesmos R$ 700 mil. Só que uma avaliação feita na área, a pedido do MP, contatou que o terreno valia R$ 21 milhões.

Leia mais em Vereadores são presos e prefeito é acusado de corrupção em Alagoas

sábado, 5 de maio de 2012

Para tirar o ministro

Como a turma de Carlinhos Cachoeira queria usar uma suspeita de corrupção no Amazonas para varrer Alfredo Nascimento do Ministério dos Transportes

MURILO RAMOS



PORTO INSEGURO O ex-ministro dos Transportes e senador Alfredo Nascimento (PR). Ele foi alvo  do jogo político promovido  pelo grupo de Carlinhos Cachoeira  (Foto: Dida Sampaio/AE)
Políticos acusados de corrupção costumam atribuir as suspeitas a invenções de adversários. Apresentam-se como inabaláveis e acima do que chamam de “ilações fantasiosas” de quem tenta prejudicá-los. Quem quiser ganhar com a fragilidade de um homem público, especialmente em benefício próprio, precisa ter certeza de que ela existe. Esse raciocínio leva organizações criminosas a se empenhar em descobrir casos concretos para passar rasteiras no submundo da política.

As investigações da Polícia Federal (PF) sobre a atuação da organização do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, mostram que a equipe investigava a carreira de desafetos até identificar um ponto fraco. Com ele nas mãos, chegava o momento de buscar seu objetivo. Foi o que tentaram fazer com o então ministro dos Transportes, o senador Alfredo Nascimento (PR). De acordo com os áudios captados pela PF, Cachoeira e seu sócio, o então diretor da Delta Construções, Cláudio Abreu, planejaram usar uma suspeita de corrupção para derrubá-lo do cargo.
A mensagem

Para o governo

Nem o mais alto escalão do governo está imune a pressões de criminosos

Para o Congresso
Novas denúncias deixam ainda mais claro que as investigações da CPMI precisam ser amplas
Numa gravação do dia 5 de julho do ano passado, Cachoeira sugeriu a Abreu procurar o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Goiás, Alfredo Soubihe Neto, para obter histó-rias desabonadoras a respeito de Nascimento. Soubihe Neto é apadrinhado do deputado federal Sandro Mabel (PMDB-GO), a quem Cachoeira queria pedir informações sobre irregularidades na gestão de Nascimento. “Senta com o Alfredo (Soubihe). Fala com ele que precisa tirar o ministro”, diz Cachoeira. “O Sandro é quem sabe.
O Sandro pode falar... que tem donativo, entendeu?” Em outra ligação no mesmo dia, Abreu diz a Cachoeira que a queda de Nascimento favoreceria o próprio Sandro Mabel. “O bom seria se valorizasse até pro Sandro ser o ministro. Aí era ótimo”, afirma Cachoeira.
Há duas semanas, ÉPOCA revelou que Cachoeira e Abreu tramaram, em maio do ano passado, contra o então diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot. Depois, eles comemoram a decisão do governo de afastar Pagot, acusado de corrupção.
AFUNDOU Porto construído pelo estaleiro Eram (no alto), Cláudio Abreu (no detalhe)  e trecho de gravação captada pela PF (abaixo). Abreu e Cachoeira pretendiam divulgar irregularidades para derrubar Nascimento  (Foto: Andre Dusek/AE)

Pagot e Nascimento acumulavam acusações de irregularidades nos Transportes. Cientes de que Nascimento era visto com desconfiança, Cachoeira e Abreu pretendiam estimular Mabel a delatá-lo.

A dupla aproveitava também as disputas internas no PR. Mabel tivera desentendimentos com o presidente de honra do PR, o deputado federal Valdemar Costa Neto (SP). Mabel insistira em se candidatar à presidência da Câmara – contra a vontade de Valdemar, comprometido com o PT.

Nascimento era ministro graças à sustentação política de Valdemar. No começo de 2011, Cachoeira enxergou que era hora de “Sandro dar o troco nesse povo”.

Cachoeira e Abreu defendiam os interesses da empreiteira Delta Construções. Apesar dos riscos para os negócios, Cachoeira e Abreu se empenharam em afastar Nascimento. Para Cachoeira, o melhor caminho era Mabel contar o que sabia sobre ligações de Nascimento com o Estaleiro Rio Amazonas (Eram). “O estaleiro chama Eram. Manda o Xavier descobrir qual é o rolo que tem por trás. Era construção de balsas, em Manaus. Não construiu nenhuma e levou o dinheiro”, afirma Cachoeira a Abreu. O Xavier citado na gravação é Clodoaldo Xavier, lobista da Delta e frequentador do Dnit.

O Eram é um foco de problemas, sobretudo para Nascimento. Em 2010, a então ministra Dilma Rousseff esteve com Nascimento na inauguração do Porto de Humaitá, no Amazonas. A obra, executada pelo Eram, custou R$ 12,8 milhões. Mais de um ano depois, o porto afundou parcialmente, antes de entrar em funcionamento. Até 2006, o Eram fazia pequenos reparos em embarcações no Amazonas. Tornou-se um fenômeno da construção de portos fluviais.

A maior parte dos contratos do Eram é com a Companhia Docas do Maranhão (Codomar), ligada ao Ministério dos Transportes e responsável por investimentos milionários em hidrovias. Essa particularidade – uma companhia com sede no Maranhão para administrar todos os portos fluviais do país – é fruto de um acerto de Nascimento e Valdemar com o grupo do PMDB ligado ao senador José Sarney (AP).

Na gestão do PR no Ministério dos Transportes, o Eram ganhou 12 contratos com a Codomar. Os compromissos somam quase R$ 100 milhões. O Eram foi favorecido com convênios firmados entre o Dnit e prefeituras do Amazonas. Os sucessivos atrasos na entrega de portos e balsas obrigaram o Eram a assinar aditivos com a Codomar para adiar os serviços. Um dos contratos está na 13a alteração. Alguns desses aditivos foram assinados pela Codomar mesmo após o Dnit ter alertado, em abril de 2011, para a situação irregular do Eram.

Pouco antes, o Estado do Amazonas declarara o Eram “inidôneo”. Em 2010, mesmo com os atrasos já caracterizados, o Eram conseguiu dois novos contratos com a Codomar – são mais R$ 16 milhões. O Ministério Público Federal no Amazonas abriu três investigações sobre o Eram em contratos de construção de portos. A empresa não se manifestou.

Em 6 de julho, um dia após Cachoeira e Abreu falarem sobre a obtenção de informações sobre Nascimento, o ministro deixou o cargo. No dia 7, a dupla comenta que o senador Demóstenes Torres espalhava a informação de que o deputado federal Sandro Mabel fora o responsável por passar à imprensa informações que resultaram na queda. A aposta de Cachoeira em Mabel fazia sentido.

“O Sandro sempre ia ao Dnit pressionar para que obras de rodovias em Goiás saíssem logo. Entre elas a BR-060”, disse a ÉPOCA o ex-diretor-geral do Dnit Luiz Antonio Pagot. Procurado por ÉPOCA, o deputado Sandro Mabel não quis se pronunciar sobre o caso.

Nascimento diz não saber os motivos que levaram Cachoeira e Abreu a tentar desestabilizá-lo. Ele afirma não ter relação pessoal ou comercial com o Eram e que solicitou à Codomar que encontrasse solução para os atrasos das obras. “Vários projetos apresentaram problemas na execução, muitos dos quais não foram entregues até hoje”, diz Nascimento. O atual ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, disse ter se reunido com representantes do Eram para cobrar “eficiência e agilidade nos trabalhos”.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Cachoeira, o governador paralelo de Goiás

Enviado por Ricardo Noblat
Contraventor pagava salário extra de até R$ 15 mil a secretários do governo Marconi Perillo e houve ameaça de paralisação quando os pagamentos foram interrompidos; dinheiro vinha da Construtora Delta

247

Oficialmente, o governador de Goiás se chama Marconi Perillo. Foi eleito em 2010, pelo PSDB, e ocupa seu terceiro mandato à frente do Palácio das Esmeraldas.

Os documentos da Polícia Federal, no entanto, revelam que havia um governo paralelo em Goiás. E ele era comandado por Carlos Cachoeira.

De acordo com as investigações, o bicheiro e sócio da Construtora Delta pagava um salário adicional a alguns colaboradores de Marconi Perillo. Entre eles, Edivaldo Cardoso, que se afastou da presidência do Detran/GO, e João Furtado de Mendonça Neto, que continua à frente da secretaria de Segurança Pública.

De acordo com a PF, o ganho extra de Edivaldo seria de R$ 15 mil mensais; o de Neto, de R$ 10 mil. A origem dos recursos seria a construtora Delta.

As informações fazem parte do anexo 4 do inquérito tornado público pelo Brasil 247. Estão na página 133 e são chocantes. Na conversa, de 15 de julho do ano passado, Edivaldo Cardoso relata a Carlos Cachoeira que os negócios da Delta estão travados porque teria havido atraso nos pagamentos.

De acordo com a interpretação da Polícia Federal, o secretário de Segurança Pública de Goiás pretendia receber seus atrasados dos meses de abril e maio do ano passado (leia aqui a transcrição completa). Caso contrário, deixaria de atender a Delta, que, no governo Perillo, saltou do zero para contratos de mais de R$ 450 milhões.



Atualização das 23h21 - Recebi de Antonio Carlos de Almeida Castro, advogado do governador Perillo: "A reprodução da materia do blog 247 (por sinal não se identifica nunca quem é o responsavel por este blog)comete séria injustiça contra o Governador Marconi Perillo.

Na realidade o relatorio da PF,no tópico específico sobre o governador,termina com a menção expressa de que não há elementos que justifiquem uma investigação policial sobre a pessoa do Marconi.E mais, o que existe quando seu nome aparece em gravações, são menções que deixam claro que algumas pessoas a ele se referiam em circunstancias que mais parecem que estão usando o nome dele do que qualquer outra coisa.

Tanto é que o Governador aparece falando nas gravações apenas uma unica vez,em conversa de 15 segundos,onde ele liga para cumprimentar o Sr Cachoeira pelo aniversario, pratica comum entre politicos.No mais, desde que se elegeu, recebeu este senhor em uma audiência oficial para tratar de assunto de interesse da área farmacêutica.

Teve dois ou três encontros sociais,o que é absolutamente comum pois o Sr. Cachoeira era uma pessoa que era recebida por todos e frequentava todas as rodas de Goiás.

As pessoas ligadas ao Governo, que comprovadamente mantinham relações que possam ser consideradas suspeitas, foram afastadas,sem que isto implique em pre julgamento,e assim continuara agindo o Governador .

Cumpre ressaltar que em virtude de nota absolutamente falsa,publicada em outro blog,que dizia ter havido entrega de dinheiro no Palácio, coisa que nem a Polícia e nem o Ministário Páblico afirmaram,o Governador pediu-me que entrasse com uma inusitada representação junto ao Procurador Geral da Republica solicitando que fosse determinada a abertuira de um inquérito para que ele seja investigado.

Ou seja, estamos em um momento tão delicado que um Governador tem que pedir a abertura de um inquérito contra si para provar sua inocência em virtude exatamente da divulgação de notícias sem fundamento mínimo na realidade e sequer nas investigações.

A interpretação rasteira de um 'tira hermeneuta' serve de base para outras interpretações descontextualizadas, e aos poucos este inquérito vai servindo a interesses que não o da Justiça."

terça-feira, 1 de maio de 2012

Agaciel Maia cai na rede de Cachoeira

Nominuto.com

Estava demorando muito...

Porque onde tem confusão, irregularidade, imoralidade, basta cutucar um pouquinho que o nome do norte-rio-grandense Agaciel Maia, o ex-diretor do Senado que mesmo envolvido em escândalos virou deputado distrital, aparece.

E apareceu.

Leiam o que está escrito no portal Brasil 247:

Os grampos da Operação Monte Carlo ganham novo cenário. O inquérito contem gravação de uma conversa do deputado distrital Agaciel Maia (PTC) com José Olímpio Queiroga, um dos líderes da quadrilha de Cachoeira preso desde o dia 29 de fevereiro, quando a Operação Monte Carlo foi deflagrada. Os dois negociavam o voto pela emenda que permitia a instalações de postos de gasolina somente em estabelecimentos novos. Maia nega a interferência e diz que apoia a quebra do monopólio do combustível.

A lei complementar no 01/2011, apresentada pelo distrital Chico Vigilante (PT), previa que supermercados e shoppings pudessem ter postos de gasolina nas intermediações. A norma contraria o cartel de combustível instalado em Brasília. Em 15 de junho de 2011, o deputado Raad Massouh (PPL) apresentou uma emenda para que a autorização fosse dada apenas para as empresas que conseguissem a licença depois da aprovação da lei, excluindo quem já tem o posto instalado, mas não em funcionamento.

As gravações foram feitas com autorização judicial. Queiroga estaria sendo cobrado por um homem identificado como Ricardo Porto e depois entra em contato com Agaciel Maia. Segue as conversas grampeadas na tarde da votação da emenda:

Ricardo: “Rapaz, ele assinou do lado contrário à gente. Cara, cê acredita? Tô te falando cara”

José Olímpio: “Ah, mas cê tá brincando!”

Ricardo: “Tô te falando! Contra a gente! O Agaciel vai se queimar à toa, cara”

As gravações da PF mostram que, em seguida, Olímpio telefonou para o deputado distrital.

José Olímpio: “Alô, deputado, como é que tá você?”

Agaciel Maia: “Tô bem, graças a Deus. E você?”

José Olímpio: “O meu amigo Marcola, Ricardo Porto ligaram agora! Rapaz, cadê aquele seu amigo lá? Você não tá contra o Raad”

Agaciel Maia: “E não votei favorável, rapaz? (...) Eu ainda tirei um voto que era deles: o (deputado) Cristiano Araújo (PTB). (...) Agora, eu fiz aquele discurso, esculhambei com todo mundo e tal, mas votei a favor!”

Em nota, o deputado Chico Vigilante afirma que está estupefato com os fatos, “apesar de ter dito e repetido diversas vezes que o crime organizado estava por trás da aprovação do projeto de lei complementar 01/2011”.

Cristiano Araújo afirma não ter conhecimento de nenhuma motivação, além das convicções dos parlamentares, para a aprovação da proposta. Ele nega conhecer as pessoas envolvidas na investigação e acredita que seu nome foi citado fora de contexto pelo deputado Agaciel Maia. “Para o parlamentar, a emenda corrige imperfeições do projeto original, preservando os consumidores do DF de eventuais monopólios no setor de combustíveis”, afirmou, em nota, a ssessoria de imprensa do distrital.

O distrital Raad Massouh disse que não conhece Carlos Cachoeira e nem José Olímpio e afirma que não fez qualquer tipo de acordo para a elaboração da emenda.

A emenda foi aprovada por 13 parlamentares.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Delta bancou mensalão com dinheiro desviado de obra no RN, diz PF

Construtora teria comprado material de qualidade inferior para sobrar dinheiro e pagar propina a funcionários do DNIT; obra é a da BR-304.

Por Atanázio Vieira


FD/Brasil/Nominuto
Fernando Cavendish, dono da Delta Engenharia.
As denúncias de que a construtora Delta seria ligada ao esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira começam a chegar ao Rio Grande do Norte.

A investigação da Polícia Federal, que agora se desdobrou em dois processos na Justiça cearense, identificou o pagamento de um "mensalão" pela Delta a servidores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) do Ceará.

E o dinheiro era conseguido através de fraudes em licitações e compra de material de qualidade inferior à praticada no mercado, segundo indica a investigação. Foi através desse esquema que o pessoal do DNIT do Ceará teria desviado dinheiro das obras da BR-304, que une Natal a Russas (CE).

Aluizio Alves, preso pela PF na Operação Mão Dupla em 2010 e então diretor da Delta Norte e Nordeste, será convocado a depor na CPI Mista de Cachoeira, pela liderança do PSDB no Senado. Procurada, a Delta informou que não se pronunciaria sobre a permanência do executivo no conselho de administração da empreiteira.

sábado, 28 de abril de 2012

Áudios apontam que Demóstenes recebeu R$ 3,1 milhões de Cachoeira

Desse valor, R$ 1 milhão teria sido depositado na conta do senador.

Supremo liberou para CPI acesso a inquérito sobre Demóstenes Torres.


Do G1, com informações do Jornal Nacional

 



Gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal revelam que o senador Demóstenes Torres (sem partido - GO) pode ter recebido até R$ 3,1 milhões do grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso pela PF na Operação Monte Carlo, deflagrada para combater um esquema de exploração de jogo ilegal. Desse valor, R$ 1 milhão foi depositado na conta do senador.

Nesta sexta-feira (27), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, relator do inquérito que tramita na Corte para investigar as relações de Demóstenes com o contraventor, autorizou que três comissões do Congresso retirem cópia integral dos autos da investigação, entre elas a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instalada nesta semana no Congresso para apurar as relações de Cachoeira com agentes públicos e privados.
No material que compõe o inquérito sobre Demóstenes, está um diálogo revelado pelo Jornal Nacional em 28 de março entre Cachoeira e Geovani Pereira da Silva, apontado na denúncia do Ministério Público Federal de Goiás (MPF-GO) como tesoureiro do grupo. O JN obteve agora o áudio da conversa - clique no vídeo acima para ouvir.

Geovani: Porque eu tô devendo pra ele aqui, 1 milhão e oitenta e seis. E, na verdade, eu só tenho os oitenta e seis.

Cachoeira: Esse um é o do Demóstenes, uai.

Em outro diálogo, Cachoeira conversa com Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta no Centro-Oeste, que foi afastado de seu cargo. Abreu foi preso pela Polícia Civil do Distrito Federal nesta semana em uma operação sobre supostas fraudes cometidas no DF, como desdobramento da Operação Monte Carlo.

Cachoeira: Cê fala quanto? Que do Demóstenes, no total, eu dei dois e ocê três e cem, não é isso?

Cláudio Abreu: Exatamente;


Cachoeira: É uai. A conta é fácil. Você deu um e quinhentos, mais seiscentos. Dois e cem. Depois, segurou mais um para mim. Três e cem. Então não tem outra conta.

Nesta sexta, o site Brasil 247 divulgou a íntegra do pedido de abertura de inquérito contra o senador Demóstenes. O documento, assinado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. diz que "em diálogo no dia 22 de março de 2011, às 11:18:00, entre Carlos Cachoeira e Cláudio Abreu, não degravado pela autoridade policial, é expressamente referido que o valor de um milhão foi depositado na conta do Senador Demóstenes e que o valor total repassado para o Parlamentar foi de R$ 3.100.000,00 (três milhões e cem mil reais)."

O advogado de Cachoeira não foi localizado para comentar as gravações.

O advogado do senador Demóstenes Torres chamou de fantasioso o relatório assinado pelo procurador geral da República. Disse ser falsa a informação de que Demóstenes teria recebido R$ 3,1 milhões do bicheiro Cachoeira, e não quis se pronunciar sobre a conversa em que Gleyb e Demóstenes combinaram a entrega de R$ 20 mil no apartamento do senador.

Marconi Perillo

Em outra conversa a qual o JN teve acesso mostra proximidade entre Demóstenes, Cachoeira e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Na quinta, o advogado de Perillo, que é o mesmo de Demóstenes, pediu ao PGR para investigar o governador.
O primeiro trecho do diálogo é entre Cachoeira e Demóstenes. Foi antes de um jantar, na casa do senador.

Cachoeira: fala, doutor!

Demóstenes: fala, professor, tá marcado lá pras oito?
Cachoeira: Ta,uai, preparadinho já.
Demóstenes: num quer levar o Cláudio [Abreu, ex-diretor da Delta] mais tarde, não? Parece que o governador gosta dele. Ele chega às oito lá que o governador ficou... chegar às oito, manda o Cláudio chegar às nove, até lá nos já conversamos fiado.
A assessoria do governador de Goiás informou que ele já tinha confirmado anteriormente a presença em um jantar na casa de Demóstenes no qual encontrou Cachoeira.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Faltou Demóstenes



Porta-voz do DEM contra cotas

A principal voz do DEM na ação contra a política de cotas para o acesso às universidades não compareceu ao julgamento no STF. No plenário da Corte teve advogado irônico que ficou perguntando por que Demóstenes Torres não apareceu…

terça-feira, 24 de abril de 2012

Conselheiros de Tribunal no Amapá suspeitos de desvio de R$ 100 mi

Daniella Jinkings, Agência Brasil

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu hoje (23) afastar do cargo cinco dos sete conselheiros do Tribunal de Contas do Amapá, suspeitos de desviar R$ 100 milhões do tribunal.

Cinco servidores da instituição também foram afastados. A Corte deferiu os afastamentos remunerados até a análise da denúncia e proibiu a entrada dos acusados no Tribunal de Contas para que eles não comprometam a instrução processual.

De acordo com o Ministério Público (MP), o desvio do dinheiro público era feito por meio de emissão de cheques e saques da conta do tribunal diretamente na boca do caixa. Também havia pagamentos a funcionários fantasmas. Além de pedir a prorrogação desse afastamento, o MP pediu a aplicação da mesma medida a nove conselheiros e servidores acusados dos mesmos crimes.

Os conselheiros afastados são o presidente Reginaldo Wanderley Salomão, o corregedor Manoel Antônio Dias, José Júlio Miranda Coelho, Margarete Salomão de Santana Ferreira e Amiraldo da Silva Favacho.

O ex-presidente do Tribunal de Contas do Amapá, José Júlio Coelho, chegou a ser preso durante a Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, que investigou um esquema de desvio de recursos da União em 2010. Ele havia sido afastado do cargo, por decisão da Corte Especial do STJ, pelo prazo de 360 dias.

De acordo com o relator, ministro João Otávio de Noronha, o caso descoberto por uma grande operação da Polícia Federal é extremamente grave, envolve quantias expressivas e revela uma peculiar situação de desmandos no Amapá.