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terça-feira, 23 de junho de 2015

Juro bancário de pessoa física sobe em maio e bate novo recorde da série


No mês passado, taxa cobrada pelos bancos somou 57,3% ao ano.
Inadimplência de pessoa física registrou novo incremento em abril.



Alexandro Martello  
Do G1, em Brasília
 
Os juros cobrados pelos bancos nas operações com pessoas físicas, excluindo o crédito imobiliário e rural, subiram pelo quinto mês seguido em maio e atingiram 57,3% ao ano, segundo informações divulgadas pelo Banco Central nesta terça-feira (23).



Evolução dos juros bancários
Em %
48,7649,4249,4749,6649,2450,5751,0549,5852,0354,2754,456,1357,27Series 1mai/14jun/14jul/14ago/14set/14out/14nov/14dez/14jan/15fev/15mar/15abr/15mai/15485052545658
Banco Central


A taxa média de juros cobrada pelos bancos nestas operações, de acordo com o BC, registrou aumento de 1,2 ponto percentual no mês passado e 7,7 pontos percentuais no acumulado de 2015. Em abril, os juros bancários estavam em 56,1% ao ano.

O patamar de maio, de acordo com o BC, é o maior desde o início da série histórica, em março de 2011, ou seja, em pouco mais de quatro anos. Até então, a maior taxa de juros já registrada para pessoas físicas nas operações com recursos livres havia sido registrada em abril deste ano.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, informou que, em 2006, os juros bancários para pessoas físicas estavam maiores do que os registrados em maio deste ano - mesmo sem haver uma série histórica mais ampla, com dados anteriores a 2011, disponíveis para consulta.

A autoridade monetária mudou, no início de 2013, o formato de registro dos dados relativos aos juros bancários e, ao mesmo tempo, também desativou a série histórica que vigorava anteriormente - informando, na ocasião, que os dados não eram mais comparáveis. "Na série curta [de 2011 para cá], é a taxa de juros mais alta para a série. Se olharmos a série antiga [não disponível para consulta], já tínhamos tido juros mais altos do que isso", declarou Maciel.

Juro bancário subiu mais que taxa básica
O aumento dos juros bancários acompanha a alta da taxa básica da economia (Selic), fixada pelo Banco Central a cada 45 dias para tentar conter as pressões inflacionárias. Desde outubro do ano passado o BC vem subindo os juros ininterruptamente. Naquele momento, a taxa estava em 11% ao ano. No fim de maio, já havia avançado para 13,25% ao ano, um aumento de 2,25 pontos percentuais.


Os números mostram que os bancos elevaram suas taxas de juros ao consumidor de maneira mais intensa. Em setembro do ano passado, antes do reinício do ciclo de elevação dos juros básicos pelo Banco Central, os juros bancários para pessoas físicas estava em 49,2% ao ano, avançando para 57,3% ao ano em abril – um aumento de 8,1 pontos  percentuais, ou seja, mais do que três vezes a alta da taxa Selic.

Segundo um levantamento feito pela consultoria Economatica para a BBC Brasil, apesar da desaceleração econômica, a rentabilidade sobre patrimônio dos grandes bancos de capital aberto no Brasil foi de 18,23% em 2014 – mais que o dobro da rentabilidade dos bancos americanos (7,68%).

Cheque especial e cartão de crédito
Os juros do cheque especial e do cartão de crédito rotativo, duas das modalidades mais caras do mercado financeiro, continuaram avançando em maio.


De acordo com o banco, os juros do cheque especial avançaram 6 pontos percentuais de abril para maio, para 232% ao ano. Com isso, permaneceu no maior patamar desde dezembro de 1995 – quando estava em 242,2% ao ano – ou seja, no maior nível em quase 20 anos.

Os juros cobrados pelos bancos nesta linha de crédito tiveram forte aumento nos últimos meses. No fim de 2013, estavam em 148,1% ao ano. O crescimento, portanto, foi de 83,9 pontos percentuais nos últimos 17 meses.

Taxa de todas operações e de empresas
 
Já a taxa de juros média de crédito de todas operações (pessoas físicas e empresas), ainda somente com recursos livres, ou seja, sem contar crédito habitacional, rural e do BNDES, subiu de 41,8% ao ano em abril para 42,5% ao ano em maio deste ano – também o maior patamar da série histórica, que tem início em março de 2011.


A taxa das operações de pessoas jurídicas, com recursos livres, avançou 0,3 ponto percentual em maio, para 26,9% ao ano. Em abril, estava em 26,6% ao ano. O nível de março é o mais alto desde julho de 2011, quando somou 27,6% ao ano.

 
Inadimplência
Segundo o Banco Central, a taxa de inadimplência das pessoas físicas, nos empréstimos bancários com recursos livres (sem contar crédito rural e habitacional), que mede atrasos nos pagamentos acima de 90 dias, subiu de 5,3% em abril para 5,4% em maio. É o maior patamar desde novembro do ano passado (5,5%).


Já a taxa de inadimplência das operações dos bancos com as empresas, ainda no segmento com recursos livres, subiu de 3,9% em abril para 4% no mês passado.

Considerando a taxa total de inadimplência, que engloba operações com as pessoas físicas e empresas, ainda nas operações com recursos livres, a taxa avançou de 4,6% em abril para 4,7% em maio.

'Spread' bancário
Com o aumento das taxas de juros bancárias de pessoa física em março, houve alta do chamado "spread bancário" – que é a diferença entre o que os bancos pagam pelos recursos e quanto cobram de seus clientes – no mês passado.


Em abril, "spread" nas operações com pessoas físicas somava 43,3 pontos percentuais, avançando para 44,4 pontos em maio, o maior patamar da série histórica do BC. Na parcial deste ano, houve um forte aumento de 7,1 pontos percentuais. Com isso, o o spread continua em níveis historicamente elevados.

O "spread" é composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios (que são mantidos no Banco Central) e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Juro do cheque e cartão de crédito tem forte queda, mas ainda é alto

Números de outubro foram divulgados pelo Banco Central e pela Anefac.

Em outubro, juro do cheque especial somou 143,4% ao ano, revela BC.





Alexandro Martello Do G1, em Brasília


O Banco Central informou nesta quinta-feira (29) que as taxas médias das linhas de crédito bancárias para as pessoas físicas e jurídicas, além de todas as operações dos bancos, registraram queda outubro, atingindo a mínima histórica.
Os números do BC, e da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), mostram que os juros cobrados pelos bancos nas operações com cheque especial pessoa física e do cartão de crédito foram as que tiveram quedas mais expressivas ao longo de 2012. Mesmo assim, como eram absurdamente altas, ainda permanecem desvantajosas na comparação com outras linhas de crédito.


"Ao longo do ano, modalidades com juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial, o volume do crédito concedido têm crescido menos do que modalidades mais baratas, como crédito pessoal e consignado [desconto em folha de pagamentos]. Isso tem contribuído para reduzir os juros médios", avaliou o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

Segundo ele, isso evidencia uma "mudança de comportamento" por parte dos tomadores do crédito.

Cheque especial

No caso da taxa de juros das operações dos bancos no cheque especial para pessoas físicas, por exemplo, a taxa média dos bancos somou 143,4% ao ano em outubro, com forte queda de 44,7 pontos percentuais sobre o fim do ano passado (188,1% ao ano). Mesmo assim, ainda continua sendo uma das linhas mais caras do mercado financeiro.

Cartão de crédito

No caso do cartão de crédito, o BC não realiza um levantamento formal da taxa de juros. Entretanto, estudo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que a taxa de juros cobrada pelos bancos nas operações com cartões de crédito é a mais alta do país.

Em outubro, a taxa chegou a 192,9% ao ano, segundo a Anefac, contra 238,3% ao ano em dezembro do ano passado. Com isso, a redução dos juros somou 45,5 pontos no decorrer de 2012. Mesmo assim, como no caso do cheque especial, os juros ainda são muito elevados nesta modalidade de crédito.
 
Linhas de crédito mais baratas

No crédito consignado (desconto em folha de pagamentos), uma das linhas mais baratas do mercado, por exemplo, a taxa média cobrada pelos bancos em outubro somou 23,5% ao ano em outubro. Neste caso, a queda foi de 3,5 pontos neste ano, uma vez que a taxa estava em 27% no fechamento de 2011.

O crédito pessoal, por sua vez, registrou juro médio de 39,1% em outubro deste ano, contra 48,2% ao ano no fim do ano passado. Nesta modalidade de crédito, o recuo dos juros, na parcial deste ano, somou 9,1 pontos.

No caso do crédito para aquisição de veículos, a taxa média cobrada pelas instituições financeiras somou 20,7% ao ano em outubro de 2012, em comparação com 26,2% ao ano no fechamento de 2011. A queda dos juros nesta modalidade somou 5,5 pontos no acumulado deste ano.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Juros bancários de pessoa física são os menores em 18 anos, revela BC

Taxa média das operações foi de 35,6% ao ano em agosto.


Incluindo empresas, taxa média de juros ficou em 30,1% no mês passado.



Alexandro Martello Do G1, em Brasília

A taxa média de juros bancários cobrados pelas instituições financeiras em suas operações com pessoas físicas ficou em 35,6% ao ano em agosto, o menor valor de toda a série histórica do Banco Central, que tem início em julho de 1994. Em julho, a taxa estava em 36,2% ao ano.


Do mesmo modo, a taxa média de juros bancários de todas as operações com recursos livres (que não têm destinação específica, como crédito rural ou imobiliário), que inclui pessoas físicas e empresas, também registrou o menor valor de toda a série do BC, que, nesse caso, começa em junho de 2000.

Em agosto, os juros médios de todas operações de crédito somaram 30,1% ao ano, contra 30,7% ao ano em julho.

No caso da taxa média que os bancos cobram em suas operações com empresas, ainda segundo números do BC, o valor registrado em agosto, de 23,1% ao ano, é o menor desde julho de 2007 (23% ao ano).

Corte dos juros básicos e liberação de recursos

As reduções das taxas de juros praticadas pelos bancos começou a acontecer após o início do processo de corte dos juros básicos da economia, conduzido pelo Banco Central desde agosto do ano passado. Desde então, em nove reuniões seguidas do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC reduziu os juros de 12,5% para 7,5% ao ano. Um corte de cinco pontos percentuais.

As instituições financeiras, por sua vez, reduziram os juros bancários de pessoas físicas em 10,6 pontos percentuais desde agosto do ano passado, e a taxa média geral (de todas as operações) recuou 9,6 pontos percentuais neste período. Em ambos os casos, os juros bancários caíram mais do que a taxa básica da economia.

Isso está relacionado, também, com o fato de o governo estar liberando recursos que estavam retidos no BC (chamados de compulsório) para as instituições financeiras. Desde o início deste ano, R$ 70 bilhões já foram liberados pelos bancos e, recentemente, a autoridade monetária informou que pretende injetar mais R$ 30 bilhões na economia nos próximos meses. Outro fator que favoreceu a redução dos juros bancários foi a redução do IOF para pessoas físicas de 3% para 1,5% ao ano.

Com a pressão por parte do governo, o movimento de corte mais agressivo dos juros bancários coincide com propagandas das principais instituições financeiras. O primeiro anúncio aconteceu em 4 de abril, por parte do Banco do Brasil, e foi seguido pela Caixa Econômica Federal e por bancos privados, como Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, entre outros. Desde então, houve uma série de anúncios de redução dos juros.

'Spread bancário'

O corte dos juros bancários com intensidade maior do que o recuo da taxa básica, definida pelo Banco Central, tem gerado redução do chamado "spread bancário". Em agosto do ano passado, estava em 34,4 pontos percentuais nas operações para pessoas físicas. No mesmo mês deste ano, somou 27,7 pontos percentuais. Uma redução de 6,7 pontos.

O alto nível do "spread bancário" no Brasil vinha sendo duramente criticado pela presidente da República, Dilma Rousseff, e por integrantes da equipe econômica, como o ministro da Fazenda, Guido Mantega. No início deste ano, Mantega avaliou, após encontro com representantes das instituições financeiras, que os bancos privados têm "margem" para reduzir seu "spread bancário" e, consequentemente, os juros cobrados de seus clientes.

Além do lucro dos bancos, o spread também é composto pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros. Estudo do Ministério da Fazenda mostram que o "spread bancário" brasileiro é um dos maiores do mundo.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Copom corta juros para 8% ao ano e renova mínima histórica

Este foi o oitavo corte consecutivo nos juros básicos da economia brasileira.

Com decisão, rendimento da poupança também tem nova queda.



Alexandro Martello Do G1, em Brasília


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, reduziu de 8,5% para 8% a taxa básica de juros da economia. O corte, definido por unanimidade pelo colegiado na noite desta quarta-feira (11), foi o oitavo consecutivo na taxa Selic, que começou a recuar em agosto do ano passado.
Com a decisão do BC, foi "renovada" a mínima histórica – ou seja, os juros atingiram o menor patamar já registrado em toda a série histórica do Banco Central, que começa em 1986. Até o momento, a menor taxa apurada era justamente de 8,5% ao ano.

Selic a 8% (Foto: Editoria de Arte/G1)
Expectativa do mercado e explicação do BC
A decisão do Banco Central confirmou a expectativa da maior parte dos economistas do mercado financeiro. A previsão dos analistas dos bancos é de que o Copom promova um novo corte dos juros em sua reunião de 28 e 29 de agosto, desta vez para 7,5% ao ano - patamar no qual a taxa terminaria 2012.
Ao fim do encontro, o BC divulgou a seguinte frase: "O Copom considera que, neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação. O Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária. Diante disso, dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 8,00% a.a., sem viés".

Atividade, inflação e setor produtivo

Ao baixar os juros, o BC busca estimular a atividade e combater os efeitos da crise financeira internacional na economia brasileira. Mesmo com oito cortes consecutivos nos juros, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,2% no primeiro trimestre deste ano.

A autoridade monetária avalia que os cortes de juros demoram de seis meses a um ano para terem impacto pleno na economia, e informa que espera um crescimento maior do PIB brasileiro no segundo semestre de 2012.

Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Para 2012 e 2013, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

O Copom tem argumentado que a crise financeira internacional possui "viés desinflacionário" e que, por isso, tem sido possível reduzir a taxa básica de juros sem comprometer o controle da inflação.

Os cortes de juros também facilitam o financiamento da atividade produtiva. "A economia real passa a ter uma dimensão muito mais relevante, muito mais atraente, em relação à economia financeira, o que significa dizer que devem aumentar os investimentos e o movimento em torno das empresas produtivas. E renasce com muita intensidade o mercado de capitais. Isso vai ser uma revolução no financiamento das empresas brasileiras", declarou o consultor do Iedi, Júlio Sérgio Gomes de Almeida.

Arte Poupança 11.09 (Foto: Editoria de Arte/G1)
Rendimento da poupança
O corte dos juros básicos por parte do Banco Central reduz, novamente, a rentabilidade da poupança. Pelas novas regras definidas pelo governo, a poupança passou a ser atrelada aos juros básicos da economia, rendendo 70% da aplicação, mais a Taxa Referencial, quando a taxa básica estiver abaixo de 8,5% ao ano.
Com juros em 8% ao ano, a poupança será remunerada em 5,6% ao ano mais TR, contra 5,96% ao ano (acrescida da TR) quando os juros estavam em 8,5% ao ano. Antes da mudança das regras, a poupança rendia 6,17% ao ano, mais TR. Na poupança, porém, não é cobrada taxa de administração e nem Imposto de Renda (IR) - ao contrário dos investimentos em fundos. Os recursos podem ser sacados a qualquer momento.

Segundo o administrador de investimentos, Fabio Colombo, a caderneta de poupança continua atraente para os pequenos investidores. "Os juros reais [calculados após o abatimento da inflação] estão caindo. Nesse cenário, para quem tem volumes pequenos e não tem acesso a fundos de investimentos DI, ou renda fixa, com taxas de administração abaixo de 1,5% ao ano, a melhor opção ainda é a poupança", afirmou ele.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Bancos repassam corte da Selic e juro do crédito é o menor da história

Juro médio de pessoa física e de empresas é o menor da série do BC.

Com isso, 'spread bancário' tem recuado neste ano, informa instituição.


Alexandro Martello Do G1, em Brasília

Os cortes feitos pelo Banco Central na taxa básica de juros, a Selic, estão chegando ao consumidor.

Segundo dados do próprio BC, os bancos repassaram as reduções, e as taxas médias de juros das operações de crédito para pessoas físicas atingiram em maio o menor patamar de toda a série histórica, de 38,8% ao ano.

Até o momento, a menor taxa da série, que começa em julho de 1994, havia sido registrada em novembro de 2010, de 39,1% ao ano.

Os dados mostram ainda que os bancos foram além dos cortes na Selic, reduzindo também o chamado "spread bancário" (que é a diferença entre a taxa de captação dos bancos e os juros cobrados dos tomadores finais do crédito). Isso porque, enquanto o juro pago pelos bancos recuou 3,5 pontos percentuais desde agosto de 2011, a queda no juro cobrado pelas instituições recuou mais: 7,4 pontos percentuais.

Juros médios das pessoas físicas atingiram menor patamar da série histórica do BC, iniciada em julho de 1994; até o momento, a menor taxa fora registrada em novembro de 2010: 39,1% ao ano
O movimento de corte mais agressivo dos juros bancários coincide com propagandas das principais instituições financeiras. O primeiro anúncio aconteceu em 4 de abril, por parte do Banco do Brasil, e foi seguido pela Caixa Econômica Federal e por bancos privados, como Itaú-Unibanco, Bradesco e Santander, entre outros.

"Em maio, a queda dos juros bancários foi pronunciada. Não vemos queda nesse nível desde 2003", informou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel.


'Spread bancário'

O corte dos juros bancários com intensidade maior do que o recuo da taxa básica, definida pelo Banco Central, tem gerado redução do chamado "spread bancário". Em agosto do ano passado, estava em 34,4 pontos percentuais nas operações para pessoas físicas. Em maio deste ano, somou 30,5 pontos percentuais.

O alto nível do "spread bancário" no Brasil tem sido duramente criticado pela presidente da República, Dilma Rousseff, e por integrantes da equipe econômica, como o ministro da Fazenda, Guido Mantega. No mês retrasado, Mantega avaliou, após encontro com representantes das instituições financeiras, que os bancos privados têm "margem" para reduzir seu "spread bancário" e, consequentemente, os juros cobrados de seus clientes.

Além do lucro dos bancos, o spread também é composto pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros. Levantamento mostra que o setor bancário, representado por 25 bancos, foi o que registrou o maior volume de lucro entre as empresas de capital aberto em 2011 no Brasil. Estudo do Ministério da Fazenda mostram que o "spread bancário" brasileiro é um dos maiores do mundo.

Taxa média geral e de empresas

Segundo o Banco Central, os juros bancários de todas as operações (pessoas físicas e empresas) também caíram em maio deste ano, quando atingiram 32,9% ao ano, contra 35,1% ao ano em abril de 2012. O patamar do mês passado, neste caso, também é o menor valor da série histórica, que começa em junho de 2000. No caso da taxa média cobrada dos bancos nas operações com empresas, a taxa recuou de 26,3% ao ano em abril para 25% ao ano em maio

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Lojistas do Simples vão pagar 1% sobre antecipação de recebíveis no mês de maio

As taxas cobradas nessa linha oscilavam entre 4% e 5%. A medida deverá ajudar os lojistas a alavancar as vendas no mês de maio.
O Banco do Brasil reduziu a taxa de juros para 1% ao mês da linha de crédito especial para o Dia das Mães, destinada a lojistas do varejo inscritos no Simples Nacional. Esses empresários poderão contar com a antecipação de "recebíveis", valores que eles esperam obter no movimento de vendas no mês. As taxas cobradas nessa linha oscilavam entre 4% e 5%. A medida contou com o apoio e a negociação da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e foi anunciada ontem (9) pelo BB.

A medida deverá ajudar os lojistas a alavancar as vendas no mês de maio, segundo o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior. Ele estima ainda que a redução da taxa possa ocorrer também em outras épocas como no início do ano quando as famílias arcam com despesas escolares para seus filhos. Dessa forma, os comerciantes poderiam contar com a antecipação dos recursos. As negociações nesse sentido vão continuar, informou Pellizzaro Junior.

Os comerciantes inscritos no Simples Nacional têm, em geral, de um a dois funcionários e, com a redução de juros, passam a contar com um fluxo de caixa mais favorável para seus negócios. Segundo Pellizzaro Junior, a redução da taxa foi acertada com o BB porque o banco "está na vanguarda da baixa de juros, o que é importante, pela capilaridade de sua rede”. Ele informou que os demais bancos também podem aderir à medida, “facilitando a vida dos pequenos comerciantes, que precisam contar com a disponibilidade de obter recursos a custo mais baixo".

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Caixa Econômica Federal anuncia nova redução de juros

A Caixa Econômica Federal anunciou nesta sexta-feira novos cortes nas suas taxas de juros, conforme antecipou na quinta-feira a Agência Estado. A redução abrange três linhas para pessoas físicas (Consignado, CDC e veículos) e linhas para micros, pequenas e médias empresas. Os novos porcentuais começam a valer na próxima segunda-feira (23).

A taxa do consignado para aposentados do INSS, que já havia sido cortada no último dia 9, cai para uma faixa entre 0,75% ao mês (mínima) e 1,77% ao mês (máxima). Hoje, está entre 0,84% e 1,80% ao mês.

A taxa mínima do CDC salário cai de 2,39% para 1,80% ao mês. No financiamento de veículos, a mínima recuou de 0,98% para 0,89%.

Em nota, a Caixa diz que as novas taxas acompanham a decisão do Copom de reduzir a taxa Selic. "Com as novas reduções, a Caixa reafirma seu posicionamento de oferecer as melhores taxas de mercado e facilitar o acesso ao crédito a todos os cidadãos brasileiros", diz o banco em nota.

Micro, pequena e média empresa

O novo corte nas taxas de juros anunciado há pouco pela Caixa Econômica Federal inclui também linhas para micro, pequenas e médias empresas. Os novos porcentuais começam a valer na próxima segunda-feira, dia 23.

A operação de antecipação de recebíveis imobiliários Construgiro passa a ter uma taxa mínima de 0,97% ao mês e máxima de 1,46% ao mês, acrescidas de TR (taxa referencial). Essa linha é destinada às empresas de Construção Civil. Hoje, os porcentuais variam de 1,01% a 1,50% ao mês mais a TR.

A Caixa também destaca o juro menor nas operações de Capital de Giro parcelado, na linha denominada Crédito Especial Empresa, que tem garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO). As taxas mensais prefixadas, que estão hoje entre 1,47% e 2,69%, caem para 1,37% e 2,05%. As taxas pós-fixadas, que variam de 1,39% a 2,63%, recuam para a faixa entre 1,29% a 1,99%.

Cheque e capital de giro sem redução

Apesar de vários bancos terem reduzido suas taxas de juros na última semana, acompanhando o movimento iniciado pelas instituições estatais, a Caixa Econômica Federal defendeu há pouco que continua a oferecer as "melhores condições" do mercado, principalmente em linhas como cheque especial e capital de giro. Essas duas modalidades não foram incluídas neste segundo pacote de redução de taxas anunciado hoje pela Caixa. No dia 9 de abril, a Caixa reduziu a taxa mínima do cheque especial para 1,35% ao mês e a máxima para 4,27% ao mês.

"No capital de giro para empresas, mesmo após a divulgação do movimento de redução de juros pelos principais bancos, a taxa de 0,94% ao mês da Caixa continua sendo a melhor do mercado", defendeu a Caixa em nota.

O banco estatal informou ainda que o novo produto Cartão Azul Caixa, lançado em 9 de abril com taxa do rotativo de apenas 2,85% ao mês "já apresenta as melhores condições para clientes que recebem ou queiram transferir o salário". Ontem, o Banco do Brasil também havia cortado os juros pela segunda vez neste mês. Em alguns casos, as taxas do BB haviam ficado abaixo das praticadas pela Caixa.

*Fonte: Estadão

Juros mínimos não valem para todos

Andrielle Mendes - repórter Tribuna do Norte

Os juros bancários continuam caindo. Depois dos bancos públicos, foi a vez dos privados anunciarem redução das taxas para empréstimos. HSBC, Bradesco, Santander e Itaú foram os primeiros a seguir os passos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, que anunciou uma nova redução esta semana. Mas é preciso cautela. "As taxas mínimas não são para todos", alerta Tâmara Sousa, economista da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste). Na prática, os bancos não estão reduzindo suas taxas de juros, afirma o professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Alexandre Chaia, em entrevista à Agência Estado. "Na verdade, os bancos estão colocando precondições para o cliente poder ter uma taxa mais baixa", disse.
Júnior SantosAs taxas mínimas para veículos estariam entre as que só se aplicam mediante o cumprimento de exigênciasAs taxas mínimas para veículos estariam entre as que só se aplicam mediante o cumprimento de exigências

Foi o que constatou a Proteste ao realizar simulações junto a agências bancárias na última semana no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em duas das agências visitadas, para comprar um carro pagando uma taxa de 0,98% ao mês o cliente precisava dar uma entrada de 50% e financiar o restante em um ano. "As condições são muito restritivas", analisa a economista. "Os clientes só sabem que não terão direito a taxa mínima depois que chegam às agências. Os bancos precisam deixar claro quem terá direito a quê", defende.

Antônio Santos, gerente de Assistência Técnica de uma concessionária na zona Sul de Natal, sabe bem o que é isso. Ele já planejava trocar o carro. A redução dos juros foi o empurrãozinho que faltava. Antônio escolheu o carro, reservou uma boa entrada e procurou o gerente. Na agência, soube que não teria direito a taxa mínima, de 0,99%, mesmo sendo cliente do mesmo banco desde 99, possuindo uma série de produtos e pagando quase o valor total do carro. "Fiquei frustrado", resume Antônio, que agora avalia se vai financiar o carro pelo banco. Para Tâmara Sousa, da Proteste, não dá para se iludir, achando que se vai ter acesso as taxas mínimas.

Alexandre Chaia, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), concorda. Em entrevista à Agência Estado, ele explicou que os bancos estão concedendo limites mínimos de juros apenas para seus clientes especiais. "Nem mesmo a Caixa e o Banco do Brasil reduziram todas suas taxas de juros linearmente para todo mundo. Reduziu para quem já está lá e para quem vai ser aprovado nas linhas de créditos deles", disse o professor do Insper, entrevista à agência.

Chaia critica a postura adotada pelo Ministério da Fazenda, que colocou os bancos privados na parede e praticamente os forçou a reduzir os juros. "O que não pode é o governo dizer que quer que reduza porque quer que reduza. O governo está jogando as margens dos bancos para baixo", defende. "O governo não pode querer forçar redução de juros por obrigação. Quem tem de decidir isso é o acionista e não o governo. Se o governo quisesse reduzir de verdade, abriria mão de parte do ganho dele nos impostos", completa, ainda em entrevista à Agência Estado. A Proteste já planeja uma nova visita aos bancos, desta vez aos privados. "Queremos saber se os clientes estão tendo acesso as taxas oferecidas", afirma Tâmara Sousa, economista da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor. A data permanece sob sigilo.

Outro lado

Procurados pela equipe de reportagem, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal - os primeiros a anunciar a redução dos juros - preferiram não rebater as críticas. A superintendência da Caixa no Rio Grande do Norte optou por não se manifestar. A superintendência do Banco do Brasil no RN encaminhou uma nota, afirmando que "o Programa BOMPRATODOS beneficia diretamente mais de 44 milhões de empregados de empresas públicas e privadas que recebem salários pelos bancos, 24,7 milhões de beneficiários ou pensionistas do INSS que tiveram redução em linhas de crédito específicas no Banco do Brasil, e todos os 55 milhões de clientes pessoas físicas do BB, que passaram a contar com taxas reduzidas para financiamento de veículos e bens de consumo", trazendo os números nacionais. Nenhum dos dois superintendentes comentou se consideravam a medida restritiva.

Financeiras devem aderir aos cortes das taxasSão Paulo (AE) - Depois dos grandes bancos, agora é a vez de as financeiras cortarem as taxas de juros para não perder clientes. "Todas vão reduzir as taxas no limite do possível. No decorrer do mês que vem, vamos ter boas novidades", avisou Érico Ferreira, presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), que reúne 64 financeiras. Desde que o governo sacudiu o mercado de crédito duas semanas atrás e usou os bancos oficiais para forçar a redução dos juros, a competição se acirrou até entre a Caixa e o Banco do Brasil (BB). Quem saiu ganhando foi o consumidor, como o funcionário público João Paulo da Silva Barreto, de 30 anos.

Funcionário do Judiciário, ele acaba de fazer uma operação de portabilidade: levou um crédito consignado obtido no BB para a Caixa. "Valeu mudar porque a taxa de juros da Caixa é menor", disse Barreto, que não fechou a conta salário no BB. A taxa de juros mensal cobrada pela Caixa é de 1,2% e no BB de 1,37%. Isso dá uma redução de R$ 14 na prestação atual de R$ 1.430, de um empréstimo de R$ 45 mil, financiado em 40 meses.

Além das condições mais vantajosas de empréstimo, Barreto disse que optou pela migração porque pretende obter um outro financiamento para compra de imóvel. Por isso, ele acha é interessante ter conta na Caixa.

O vice-presidente de Atendimento e Negócios da Caixa, José Henrique Marques da Cruz, descreveu a "operação de guerra" que foi montada pelo banco para atender ao aumento significativo no número de clientes que houve em duas semanas. A partir de segunda-feira, todas as agências vão abrir uma hora mais cedo. "Deslocamos até funcionários de áreas 'meio' para o atendimento", contou. No dia 12 de maio, um sábado as principais agências vão funcionar só para atender o público e fazer simulações sobre as novas condições dos empréstimos.

O executivo ilustra com números o crescimento da procura por informações sobre crédito. Desde o dia 9 de abril até ontem, o site da Caixa recebeu 1,035 milhão visitações e realizou 421 mil simulações de crédito. O telemarketing com 350 funcionários, montado exclusivamente para informar sobre o novo pacote de crédito, recebeu 40.730 ligações.

Além da maior procura, há números vigorosos de aumento nos empréstimos.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

BC reduz juros básicos, mas bancos ampliam seus ganhos

Ronaldo D´ercole, O Globo

Mesmo com a queda dos juros básicos da economia (Selic) e a forte expansão do crédito nos últimos anos, os bancos brasileiros resistem em reduzir os spreads (diferença entre a remuneração que pagam aos investidores e o que cobram nos financiamentos aos clientes) e, pior, eles vêm aumentando as margens de ganho sobre empréstimos.É o que mostra estudo exclusivo da consultoria Austin Rating.

Com base em informações do Banco Central, a Austin identificou que, enquanto a Selic caiu de 18% ao ano, em dezembro de 2005, para 10,25% em fevereiro deste ano, os spreads médios nos bancos variaram de 28,6 para 28,4 pontos.

No entanto, a fatia que vai para o caixa dos bancos (margem líquida) subiu de 29,64% para 32,73%. Os números compilados pela Austin mostram que os custos administrativos e com compulsórios caíram nesse período, mas em vez de diminuir as taxas para o tomador final, os bancos aumentaram a parte do spread destinada a cobrir impostos, e também elevaram seus ganhos (margem líquida).

Para os especialistas, isso contribuiu para os lucros recordes do setor nos últimos anos. Procurada, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou por meio de sua assessoria que não se pronunciaria sobre o assunto.