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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Vítimas de incêndio em Santa Maria (RS) vão receber medicamento americano para ajudar na desintoxicação

Segundo Secretaria de Saúde, 124 pessoas estão internadas no Estado

 
Do R7, com Fala Brasil
 
Reprodução/Rede Record
Remédio americano será usado no tratamento de vítimas do incêndio de Santa Maria (RS)
As vítimas do incêndio na boate Kiss em Santa Maria (RS) vão receber um medicamento norte-americano para ajudar na desintoxicação.

A carga chega na manhã deste sábado (2) no aeroporto de Brasília. Os remédios não são produzidos no Brasil e São uma doação do governo dos Estados Unidos.

São 140 kits de um medicamento que auxilia na redução dos níveis de cianeto, uma substância extremamente tóxica que foi inalada pelas vítimas do incêndio.

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Do aeroporto, os remédios serão levados para a base aérea de Brasília, onde um Legacy da Força Aérea Brasileira levará os kits para a base aérea de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre (RS).

Segundo a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul, 124 pessoas estão internadas em todo Estado. Após confirmar a segunda morte de um dos pacientes hospitalizados, o que elevou o número de mortos da tragédia para 236, o órgão informou que algumas vítimas apresentaram melhoria no estado de saúde, saindo da ventilação mecânica.

Incêndio

O incêndio dentro da boate Kiss no centro de Santa Maria, cidade a 290 km da capital, Porto Alegre, aconteceu na madrugada de 27 de janeiro, durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira. Segundo testemunhas, durante o show foi utilizado um sinalizador — uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" — que ao ser lançado atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. O fogo se espalhou em poucos minutos.

A casa noturna estava cheia na hora que o fogo começou. Cerca de mil pessoas estariam no local. O incêndio provocou pânico e muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência. Os donos não tinham qualquer autorização do Corpo de Bombeiros para organizar um show pirotécnico na casa noturna. O alvará da boate estava vencido desde agosto de 2012, afirmou o Corpo de Bombeiros.

Ao entrar na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para socorrer as vítimas do incêndio ocorrido na madrugada deste domingo (27), os bombeiros se depararam com uma barreira de corpos.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, coronel Guido Pedroso de Melo, descreveu a situação.

— Os soldados tiveram que abrir caminho no meio dos corpos para tentar chegar às pessoas que ainda estavam agonizando.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Prefeito garante: não havia nada errado na boite assassina

 

Blog do Augusto Nunes

Nascido há 60 anos em Santa Maria, onde sempre viveu, Cezar Schirmer conhece rua por rua, prédio por prédio a cidade que governa. Reeleito em outubro, o prefeito teve mais de quatro anos para conhecer página por página, linha por linha a legislação municipal concebida para impedir que aconteça o que aconteceu.

Político profissional há 40 anos, o ex-vereador, ex-deputado estadual, ex-deputado federal e ex-secretário de Estado sabe que, quando algum episódio ameaça a sobrevivência eleitoral, a culpa é sempre dos outros.

Se é que nunca entrou na Kiss, o prefeito cansou-se de ver o caixote comprimido pelos edifícios vizinhos que já foi fábrica de cerveja antes de virar boate pronta para fabricar massacres.




Cezar Schirmer


Schirmer também conhece as normas que determinam a interdição ou o fechamento de casas noturnas que não dispõem de saídas de emergência adequadamente sinalizadas. A Kiss tinha uma única porta, pela qual entraram e deveriam ter saído mais de 200 vítimas de homicídio culpado.

Os fiscais da prefeitura deveriam vistoriar o local regularmente. Se olhassem por alguns segundos as paredes e o teto, notariam que o dono do lugar resolvera enfeitá-los com material inflamável.

Nessa hipótese, o serial killer que explorava baladas seria obrigado a exercitar a ganância criminosa em outro ramo. E Schirmer não estaria lastimando a tragédia que nada fez para evitar.

“Nunca chorei na minha vida, e agora choro toda hora”, repetiu nesta quarta-feira. Para não ter de chorar também a perda do mandato ou a morte nas urnas, o oficial graduado do PMDB gaúcho tenta terceirizar os pecados que cometeu.

Leia a íntegra em O papelório do prefeito garante que não havia nada de errado na boate assassina

domingo, 27 de janeiro de 2013

Banda que tocava em boate em Santa Maria teve um integrante morto

Baterista tentou ajudar sanfoneiro a escapar, mas músico acabou morrendo.


Grupo se apresentava pelo menos uma vez por mês na boate Kiss.



Luna D'Alama Do G1, em São Paulo



A banda Gurizada Fandangueira, que tocava na boate Kiss em Santa Maria (RS) na hora do incêndio onde pelo menos 232 pessoas morreram e outras 131 se feriram na madrugada deste domingo (27), teve um de seus seis integrantes mortos: o sanfoneiro (gaiteiro) Danilo Jaques, o mais jovem do grupo.

O baterista Eliel de Lima, de 31 anos, contou ao G1 que, antes de deixar o local, desatou a sanfona das costas do amigo. Eliel diz que foi o último músico a deixar o palco. Nessa hora, Danilo estava parado ao lado da porta do banheiro, ainda preso à sanfona. Foi quando o baterista ajudou o colega a se livrar do instrumento.

Na imagem abaixo, postada no Facebook da banda, de acordo com Eliel aparecem (da esquerda para a direita) ele, o sanfoneiro Danilo, o percussionista Márcio André Santos, o baixista Giovani Kegler (mais ao fundo), o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o ex-integrante Will Machado – todos na faixa dos 30 anos. O atual guitarrista, Rodrigo Martins, não aparece na foto porque entrou depois. Também faz parte do grupo Venancio Anschau, responsável por controlar a mesa de som.
anda Gurizada Fandangueira, que tocava na hora do incêndio em Santa Maria, teve um integrante entre os mortos: o sanfoneiro Danilo Jaques, que aparece acima de camisa azul e blazer preto (Foto: Arquivo pessoal)anda Gurizada Fandangueira, que tocava na hora do incêndio em Santa Maria, teve um integrante entre os mortos: o sanfoneiro Danilo Jaques, que aparece acima de camisa azul e blazer preto (Foto: Arquivo pessoal)
 
"Àquela altura, o pessoal já estava correndo, a fumaça levantando, aí não o vi mais, estava tudo escuro, era uma fumaceira", lembra.

Depois disso, Eliel saiu correndo em direção à saída e ficou esperando em um estacionamento em frente pelos outros cinco companheiros da banda. Aos poucos, os músicos se encontraram, mas Danilo não voltou.

"A gente saiu mal, no meio da fumaça, tive dor no peito. Fiquei aguardando para podermos nos achar, para ver quem tinha saído. Fomos nos encontrando aos poucos e ficamos na expectativa de achar o Danilo, mas ele não apareceu", relata.

Eliel só ficou sabendo da morte do amigo no início da tarde deste domingo, pois mora na cidade de Rosário e foi para casa depois do acidente.

Segundo o baterista, Danilo "era uma pessoa maravilhosa, parceira, com um jeito alegre e divertido". Ele conta que tentou ligar para a família da vítima, mas não conseguiu contato e decidiu não insistir para não atrapalhar os parentes nessa hora difícil.

Início do incêndio

Eliel lembra que a banda estava tocando há cerca de meia hora, depois das 3h da manhã, quando o fogo começou – as faíscas do show pirotécnico que o grupo usava atingiram a espuma do isolamento acústico no teto do estabelecimento e as chamas se espalharam.

Os integrantes da banda foram as primeiras pessoas a perceber o incidente, por isso conseguiram escapar rápido, "superapertados". Para chegar até a saída, tiveram que atravessar toda a boate Kiss, pois o palco ficava no lado oposto ao da porta externa.

"Um segurança chegou com um extintor de incêndio, tentou apagar o fogo, mas o extintor não funcionou", revela o baterista.

O músico diz que não se machucou, apenas se esfolou. Ele conta que ficou em frente à boate por cerca de uma hora, até os bombeiros isolarem a área para pôr os corpos das vítimas na rua. Eliel deixou o local por volta das 4h da manhã.

Show pirotécnico

A banda Gurizada Fandangueira tocava na boate Kiss pelo menos uma vez por mês, de acordo com o baterista. Nas apresentações, o grupo costumava usar efeitos de pirotecnia, que duravam apenas alguns segundos, segundo Eliel.

"Nunca deu problema, e não são os músicos que controlam isso, mas um rapaz da equipe técnica. A gente usava aqueles negócios no chão, que levantam e se apagam sozinhos. Acho que aciona por controle remoto", diz.

Segundo o baterista, os companheiros ainda não conversaram sobre o acidente nem sobre o futuro da banda. Eliel toca na na Gurizada Fandangueira há apenas nove meses, mas o grupo existe há quase dez anos e fazia show do CD "O som que o povo gosta".

Em um dos perfis da banda no Facebook, há um texto de apresentação que diz: "Com a grande experiência comprovada em bailes e shows, demonstra além de todo seu talento, muita inovação em estrutura, efeitos visuais e pirotécnicos, os quais fazem toda a diferença na identidade exclusiva da banda".

Integrantes de outra banda desaparecidos

Valderson Wottrich, líder da banda Pimenta e seus Comparsas, que tocava na boate Kiss antes do incêndio, disse que dois dos quatro membros do grupo ainda estão desaparecidos.

A banda se apresentou entre 1h e 2h10, antes da entrada do grupo Gurizada Fandangueira, que usou efeitos pirotécnicos durante o show. O vocalista conta que foi difícil enxergar quando abriu a porta para sair do camarim. Ele e o outro integrante conseguiram sair a tempo, logo no início do incêndio, mas os outros dois integrantes estão desaparecidos.

"Conseguimos sair logo no início pela porta que tinha um metro e meio de largura. Só conseguíamos enxergar 5 centímetros à frente por causa da fumaça preta", relata.

Incêndio em boate provoca pânico e mortes em Santa Maria, no RS

Segundo delegado regional de Santa Maria, há pelo menos 90 mortos.

Fogo começou por volta das 2h30; polícia ainda retira corpos do local.



Do G1 RS


Incêndio deixa mortos em boate de Santa Maria (Foto: Germano Roratto/Agência RBS)Incêndio deixa mortos em boate de Santa Maria (Foto: Germano Roratto/Agência RBS)
Um incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, deixou ao menos 90 mortos na madrugada deste domingo (27), de acordo com a Polícia Civil. O número total de vítimas ainda é desconhecido e há centenas de feridos sendo atendidos nos hospitais da cidade. A polícia e o Corpo de Bombeiros ainda trabalham no local, checando as circunstâncias do fogo e retirando corpos da área.

"Nós terminamos o rescaldo do local e estamos fazendo a remoção dos corpos. O IGP fará reconhecimento dessas vítimas. São mais de 40 anos de Bombeiros e nunca vi uma tragédia nessa proporção", afirmou o Coronel Moisés da Silva Fuchs, comandante do Corpo de Bombeiros de Santa Maria, em entrevista à Rádio Gaúcha.

Segundo o delegado regional de Santa Maria, Marcelo Arigoni, um caminhão com 70 corpos chegou ao Centro Desportivo Municipal, que foi improvisado para reunir e identificar os corpos. A polícia acredita que há cerca de 20 corpos ainda dentro da boate.

Todos os hospitais da região estão recebendo as vítimas. São ao menos seis casas de saúde.

Voluntários estão auxiliando os trabalhos na cidade. "Estamos mobilizando todo o estado, temos hospitais de diversas regiões se disponibilizando para ajudar. De Canoas, Santo Ângelo, Santa Cruz, enfim. Todos estão colaborando para oferecer o melhor atendimento possível. Os trabalhos são intensos e é preciso uma mobilização muito grande", ressaltou o Secretário Estadual da Saúde, Ciro Simoni, em entrevista à Rádio Gaúcha.

Segundo informações preliminares, o fogo teria começado por volta das 2h30 quando o vocalista da banda que se apresentava fez uma espécie de show pirotécnico, usando um sinalizador. As faíscas atingiram a espuma do isolamento acústico no teto do estabelecimento e as chamas se espalharam.

O incêndio provocou pânico e muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência.

Em seu Twitter, o governador Tarso Genro lamentou a tragédia e disse que vai viajar para a cidade.

Incêndio em boate mata dezenas no Rio Grande do Sul

 

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Tragédia ocorreu na cidade de Santa Maria, na boate Kiss, onde estavam mais de mil pessoas na noite de ontem; polícia estima que pelo menos 50 pessoas morreram; área central do município está isolada