Dilma Rousseff discursa durante a 40ª
Reunião
Ordinária do Pleno do Conselho de
Desenvolvimento Econômico e
Social
(Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
A presidente
Dilma Rousseff afirmou nesta
quarta-feira (27) que “os tremores da crise” econômica internacional serão
“muito mais suaves” para a maioria dos países. Em discurso para plateia de
empresários, ela disse que o Brasil precisa mudar para ter maior
competitividade.
A presidente discursou durante a 40ª reunião do Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social (CDES), o chamado Conselhão, no Palácio do Planalto. O grupo,
presidido por Dilma, é formado por representantes de trabalhadores, empresários,
movimentos sociais, governo e lideranças de diversos setores.
Dilma destacou o crescimento da China para dizer que o pior da crise foi
superado. “Os tremores da crise, na maioria dos países, este ano são muito mais
suaves. Acho que tem um cenário bastante favorável com o fato de a China ter
feito o que se chama de aterrissagem suave”, afirmou.
A presidente afirmou que, apesar do “imenso risco de crise aguda” que a
Europa correu no ano passado, “essa parte foi superada”.
Aumento da taxa de investimento
A presidente defendeu as
medidas tomadas pelo governo para enfrentar a crise, mas destacou que o país
precisa aumentar sua competitividade.
“Nós tomamos todas as medidas que achávamos adequadas. Algumas tinham o
caráter de urgência do curto prazo, mas nenhuma delas deixou de considerar que o
país precisa mudar e mudar em direção a ter uma maior competitividade”, declarou
Dilma.
Segundo a presidente, o governo quer elevar a taxa de investimento para um
percentual de 25% do PIB.
"Acho que nós queremos chegar a ser uma nação desenvolvida. Eu disse nação
desenvolvida. Nós queremos ser um país de classe média e para sermos um país de
classe média, nós temos uma trajetória a cumprir. Nós queremos que a taxa de
investimento seja 25%, mas nós queremos isso porque nós queremos uma renda per
capita muito mais significativa e elevada do que a atual. É por isso que nós
queremos uma taxa elevada de investimento", disse.
'Racionalidade no uso dos recursos'
A presidente Dilma
Rousseff disse ainda nesta quarta-feira que o governo federal vai buscar, em
2013, “racionalidade” no uso dos recursos públicos. Ela defendeu mudanças na
área tributária, mas disse que não é “razoável” fazer “tudo de uma vez só”.
“Acredito que nós devemos ter uma racionalidade no uso dos recursos públicos.
Esse ano, nós buscaremos isso, racionalidade nos tributos. É obvio que não temos
todo o dinheiro do mundo para fazer desoneração. Há rigidez, mas no ano passado
nós fizemos desonerações significativas. O que nós não conseguimos fazer é tudo
de uma vez só. Não é razoável, provoca desequilíbrio”, afirmou Dilma.
A presidente destacou que o governo, em 2012, desonerou a folha de pagamentos
de mais de 30 setores, mas disse que “há irracionalidades na estrutura
tributária” do país. Algumas deduções de impostos – como a redução do Imposto
sobre Produtos Industrializados (IPI) e a reforma do ICMS – foram “pontuais”,
segundo ela. “Outras têm de ser horizontais porque serão transformações que vão
mudar nossa estrutura tributária”, afirmou.
De acordo com a presidente, a desoneração da folha de pagamentos é importante
porque os demais países diminuirão o custo trabalhista após a crise. “Não se
iludam, os países vão sair dessa crise com custo do trabalho menor. Nós temos
que buscar a redução dos custos do emprego através da diminuição de impostos”,
afirmou.
‘Estrita ética’
A presidente afirmou que a sociedade
impõe “cuidado extremo” com o uso do dinheiro público e defendeu a ética e a
transparência na gestão.
“Nós estamos mudando de patamar. Não porque queiramos a sociedade nos
implorar patamares diferenciados. Ela impõe também um cuidado extremo com a
questão do uso do dinheiro público. Esse é um país que não tem mais condições de
levar em conta a mais estrita ética, a maior transparência e maior controle dos
gastos públicos”, declarou.
A presidente defendeu critérios meritocráticos e técnicos de gestão.
“Isso
não significa a despolitização no sentido maior da palavra política”, disse.
“Porque sem vontade política, ninguém faz o Bolsa Família”, explicou.
Dilma criticou ainda o cadastro de programas sociais deixado por Fernando
Henrique Cardoso, o mesmo utilizado atualmente para a concessão do Bolsa
Família.
“Nós tivemos, óbvio, que fazer toda uma engenharia e uma tecnologia social.
Criamos um cadastro, porque não existia cadastro. É conversa que tinha cadastro.
Nós levamos um tempão para fazer isso. E para limpar o cadastro? E para
identificar se não tinha gente em duplicidade. E até hoje fazemos isso”,
disse.