segunda-feira, 29 de outubro de 2012

PT e PSDB somam juntos mais da metade dos votos do 2º turno

Dos 23,3 milhões de votos válidos, 12,5 milhões foram para as duas siglas.


O PT teve 30% dos votos válidos, enquanto o PSDB ficou com 24,2% deles.



Do G1, em São Paulo


Votos válidos por partido no segundo turno
 
PT 6.987.961 (30,0%)
PSDB 5.642.589 (24,2%)
PMDB 1.954.364 (8,4%)
PSB 1.672.127 (7,2%)
PDT 1.547.690 (6,6%)
DEM 839.810 (3,6%)
PC do B 791.300 (3,4%)
PSD 602.046 (2,6%)
PP 582.512 (2,5%)
PR 440.200 (1,9%)
PSOL 437.320 (1,9%)
PSC 387.483 (1,7%)
PTB 374.877 (1,6%)
PPS 340.789 (1,5%)
PTC 280.809 (1,2%)
PV 228.912 (1,0%)
PRB 105.610 (0,5%)
PRTB 84.442 (0,4%)
TOTAL 23.300.841
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

Mais da metade dos eleitores que compareceram às urnas de 50 cidades no domingo (28) escolheu votar no PT ou no PSDB, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As duas siglas abocanharam 54,2% dos 23,3 milhões de votos válidos do segundo turno. Outros 16 partidos tiveram candidatos disputando pelo menos uma prefeitura em 20 estados. Onze partidos disputaram apenas o primeiro turno.

O PT foi o partido que mais recebeu votos no segundo turno: 6,99 milhões (30% do total). Em segundo lugar ficou o PSDB, com 5,6 milhões (ou 24,2% de todos os votos válidos).
O Partido dos Trabalhadores foi também o mais votado no primeiro turno, quando teve 17,2 milhões de votos, o equivalente a 16,79% do total.

O PSDB, no entanto, teve aproveitamento melhor em relação ao número de disputas de que participou. O partido conquistou 9 das 17 prefeituras onde concorreu no segundo turno (aproveitamento de 53%), enquanto os candidatos do PT tiveram maioria de votos em 8 das 21 disputas de segundo turno, um aproveitamento de 38,1%.

O PMDB, que no primeiro turno foi o segundo partido mais votado (16.716.079, ou 16,26%), ficou em terceiro lugar no segundo turno, com 1.954.364 votos no pleito realizado neste domingo (ou 8,4% dos votos válidos). A sigla levou 16 candidatos para o segundo turno, mas venceu em apenas seis prefeituras.

O PSB e o PDT ficaram novamente entre os cinco maiores partidos, com 1,7 milhão e 1,5 milhão de votos válidos, respectivamente. Nenhum outro partido recebeu mais de um milhão de votos. O DEM, sexta sigla em número de eleitores do pleito de domingo, teve 839,8 mil votos.

O PSD, partido mais recente do país, teve desempenho pior no segundo turno em relação ao primeiro. Na votação do dia 7 de outubro, o partido foi o sexto mais votado e no dia 28 foi o oitavo, com um total de 602 mil votos. Mas, apesar da participação nas urnas ter encolhido de 5,6% para 2,6% do total de votos, a sigla venceu três das cinco eleições que disputou: em Florianópolis (SC), Londrina (PR) e Ribeirão Preto (SP).

Já o PC do B conquistou três das quatro prefeituras que disputou no segundo turno e viu sua participação crescer de 1,82% para 3,4% dos votos válidos em relação ao primeiro turno.

O PP completa a lista de partidos com mais de 500 mil votos no segundo turno: recebeu 582,5 mil, ou 2,5% do total. PR, PSOL, PSC, PTB, PPS, PTC, PV, PRB e PRTB tiveram menos de 2% dos votos válidos nas 50 cidades onde a eleição foi para o segundo turno. O PTC foi o único dos 18 partidos participantes do pleito com 100% de aproveitamento: conquistou a única prefeitura que disputou, em São Luís (MA).

PMN, PRP, PTN, PHS, PT do B, PSL, PSDC, PSTU, PPL, PCB e PCO não tiveram candidatos participantes do segundo turno.

Agenda da Governadora

SEGUNDA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2012





8h às 16h - Local: Governadoria, Natal / RN

Despachos Administrativos

A governadora Rosalba Ciarlini participa de reuniões administrativas de rotina.


16h30 - Local: Governadoria, Natal / RN

Reunião

Reunião de Avaliação do Comitê de Combate aos efeitos da Seca.


17h - Local: Governadoria, Natal / RN

Reunião

Reunião do Grupo Gestor do Plano de Enfrentamento à crise na área de Urgência e Emergência na Saúde do RN.


18h - Local: Governadoria, Natal / RN

Audiência

Audiência com Ana Márcia Diógenes Paiva Lima, Coordenadora do UNICEF para o Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, e Francisca Maria Andrade, Especialista em Programas do UNICEF.

domingo, 28 de outubro de 2012

Fernando Haddad, do PT, é eleito prefeito de São Paulo

Ex-ministro da Educação vence José Serra, do PSDB.


No primeiro turno, Haddad ficou em segundo lugar.



Do G1 São Paulo

 

Haddad vota ao lado da filha (Foto: Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo)Haddad vota ao lado da filha (Foto: Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo)
 
Fernando Haddad, do PT, foi eleito neste domingo (28) prefeito de São Paulo nos próximos quatro anos. Às 19h16, com 92% dos votos apurados segundo a Justiça Eleitoral, o petista tinha 3.158.994 milhões de votos, o que corresponde a 56,03% dos votos válidos, contra 2.479.094 milhões de José Serra (PSDB) – 43,97% (siga a apuração em tempo real).
 
 

A vitória marca o retorno do PT à Prefeitura da capital paulista oito anos após Marta Suplicy deixar o comando da cidade. A partir daí, se seguiram as gestões de José Serra e Gilberto Kassab (PSD).

Haddad tem 49 anos e é professor-doutor em ciência política da Universidade de São Paulo (USP), onde estudou direito, fez mestrado em economia e doutorado em filosofia. Ele foi chefe de gabinete da Secretaria de Finanças na gestão da prefeita Marta Suplicy em São Paulo e ministro da Educação entre 2005 e 2012, quando se licenciou para disputar a Prefeitura de São Paulo.

O convite partiu do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu a escolha de Haddad em detrimento de nomes tradicionais do PT, como o de Marta.

Campanha

O resultado mostrou uma variação significativa para o candidato petista em relação ao primeiro turno. Serra havia ficado em primeiro com 30,75% dos votos válidos, enquanto Haddad ficou com 28,98%.

 Com a migração de boa parte dos votos dos outros concorrentes, Haddad levou o pleito. Haddad teve o apoio de Gabriel Chalita (PMDB), e Serra, de Soninha Francine (PPS) e de Paulinho da Força (PDT). Celso Russomanno (PRB) ficou neutro.

No primeiro turno, Russomanno foi o alvo principal dos concorrentes por liderar as pesquisas. Já no segundo turno, o tucano e o petista levantaram diferentes temas para tentar mostrar suas qualidades e a desvantagem de se votar no adversário.
A primeira grande polêmica do segundo turno foi o chamado “kit gay”. O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, declarou apoio a Serra e criticou a elaboração do kit pelo Ministério da Educação para combater a homofobia nas escolas. Serra também criticou o material produzido. O assunto ganhou mais repercussão ainda após vir a público que Serra também havia produzido um kit contra a homofobia em escolas durante sua gestão no governo do Estado, em 2009.

Serra apostou então em mostrar-se como o candidato que apostou em parcerias com organizações sociais (OSs) para a gestão de hospitais públicos. E afirmou diversas vezes que a saúde cairia de qualidade com Haddad e que as parcerias iriam acabar. O petista negou.

Serra citou ainda as falhas na aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e repetiu por diversas vezes em seu programa que é o mais experiente e capaz de tirar propostas do papel.

Haddad

O petista insistiu no fato de Serra ter deixado a Prefeitura em 2006 para disputar o governo do Estado, dois anos antes do fim do mandato. Bateu na tecla de que só o PT tinha um plano de governo bem elaborado, pensado desde janeiro e publicado em agosto. Já o plano de Serra, publicado no meio do segundo turno, segundo Haddad, era uma “carta de intenções” sem metas.

Capital paulista (Foto: Arte/G1)

O candidato do PT criticou duramente a gestão Kassab, que chegou ao poder como vice de Serra.

Uma das áreas mais atacadas foi a da habitação. Na TV, Haddad afirmou que as 28 mil unidades feitas por Serra e Kassab representam número bem menor que as gestões petistas - Luiza Erundina (1988-1992) construiu 36 mil moradias populares em quatro anos, e Marta, cerca de 23 mil.

O tema foi um dos usados por Haddad para afirmar que vai “desbloquear” a cidade. Segundo ele, por motivos políticos, a Prefeitura não usava a verba federal. Entre as promessas é trazer o programa Minha Casa Minha Vida e o uso de verba federal para a construção de 172 creches.

Haddad rebateu as críticas feitas por Serra a sua gestão à frente do Ministério da Educação. Ele citou a criação do ProUni, que concede bolsas em faculdades particulares a alunos da rede pública, como um dos programas que criou.

Entre as propostas que Haddad

destacou está a criação do Arco do Futuro, proposta de descentralização da cidade levando o crescimento para regiões como a Avenida Cupecê, na Zona Sul. Haddad propôs também concluir três hospitais prometidos por Kassab, criar a Rede Hora Certa para concentrar atendimentos, exames e cirurgias em postos de saúde, e a criação do Bilhete Único Mensal.

Carlos Eduardo é eleito prefeito de Natal

 
Júlio Rocha, DN Online
Carlos Eduardo e Hermano Morais foto: Elias Medeiros/Paulo de Sousa/DN/D.A.Press
Carlos Eduardo e Hermano Morais foto: Elias Medeiros/Paulo de Sousa/DN/D.A.Press
O candidato Carlos Eduardo Alves (PDT) é o novo prefeito de Natal após derrotar Hermano Morais (PMDB) no 2º turno das eleições municipais neste domingo. Na apuração do Tribunal Regional Eleitoral quando foram apuradas 90,79% das urnas, o pedetista já estava eleito 57% dos votos válidos, enquanto o deputado estadual contou com 42%.

O prefeito acompanhou a apuração junto com a família em sua residência e concederá uma coletiva a imprensa no diretório municipal do PDT no início da noite deste domingo.

Carlos Eduardo já havia ocupado o cargo de prefeito de Natal em 2002, ao substituir Wilma de Faria, sendo reeleito em 2004 onde permaneceu até 2008.
A comemoração da vitória deverá contar com carreata do novo prefeito Carlos Eduardo sairá da av. Salgado Filho às 20h com encontro de trios na Salgado Filho x Bernardo Vieira.
Confira o perfil do prefeito de Natal

Carlos Eduardo Nunes Alves nasceu no Rio de Janeiro em 5 de junho de 1959, onde o pai Agnelo Alves trabalhava como jornalista. Desde os dois anos de idade reside em Natal. Formou-se em Direito pela Faculdade Católica Santa Úrsula, do Rio de Janeiro.

Voltou a Natal e se elegeu deputado estadual pelo PMDB em 1986, tendo ocupado uma cadeira na Assembleia Legislativa por quatro legislaturas, chegou a ser líder da oposição e, mais tarde atuou como líder do governo naquela Casa.

Em agosto de 1996, assumiu a Secretaria Estadual do Interior, Justiça e Cidadania, mais tarde transformada em Secretaria do Trabalho, da Justiça e da Cidadania. No ano 2000, Carlos Eduardo foi eleito vice-prefeito de Natal na chapa encabeçada por Wilma de Faria e em 2002 assumiu a prefeitura de Natal com a renúncia da titular para disputar e vencer o Governo do Estado. Em 2004 foi eleito prefeito de Natal pelo voto popular governando até 2008.

A Última Eleição Sob a Tutela da Globo

Carta Maior: A última eleição “como refém da Globo”

 

Capas de jornais da véspera do primeiro turno das eleições presidenciais de 2006


da Carta Maior

pautado pelo Francisco Niterói

A sólida dianteira de Haddad em SP, reafirmada pelo Ibope e o Datafolha deste sabado, deixa ao conservadorismo pouca margem para reverter uma vitória histórica do PT e – talvez – a derradeira derrota na biografia política de José Serra.

Ainda assim há riscos.

E não são pequenos.

Há alguma coisa de profundamente errado com a liberdade de expressão num país em que, a cada escrutínio eleitoral, a maior preocupação de uma parte da opinião pública e dos partidos, nos estertores de uma campanha como agora, não seja propriamente com o embate de idéias, mas com a ‘emboscada da véspera”.

Não se argui se ela virá; apenas como e quando a maior emissora de televisão agirá na tentativa de raptar o discernimento soberano da população, sobrepondo-lhe suas preferências, seus candidatos e seus interditos.

Tornou-se uma aflita tradição nacional acompanhar a contagem regressiva dessa fatalidade que desgraçadamente instalou-se no calendário eleitoral para corroe-lo por dentro.

Após 10 anos no governo, as forças progressistas não tem mais o direito de contemporizar com uma doença maligna que pode invalidar a democracia e desfibrar a sociedade.

Que a votação deste domingo seja a última tendo as urnas como refém da Globo,seus anexos e aliados.

PS do Viomundo: A bala de prata deste ano foi o julgamento do mensalão em período pré-eleitoral

"Horas de Pasmo", por Janio de Freitas, sobre o STF

 

Da Folha
 
JANIO DE FREITAS
 
 
É incompreensível que a maioria do Supremo faça qualquer sentença com absoluta falta de método
"VOSSA EXCELÊNCIA aumenta a pena-base em um ano, e sua proposta fica igual à do eminente ministro fulano de tal." Ou então: aumenta ali, ou muda acolá, e pronto.

Frases assim foram ditas inúmeras vezes, por vários ministros, nos dois últimos dias de sessão do Supremo Tribunal Federal, semana passada. Artifícios e manipulações sem conta. Foi por aí que se determinaram tantas das penas que, como todas, um tribunal deve compor de modo a serem justas e seguras. Ainda mais por se tratar do Supremo entre todos os tribunais.

Mas o que parecia estar naquelas transações não eram dias, meses e anos a serem retirados de pessoas, pelo castigo da reclusão. Em uma palavra pessoal: fiquei horrorizado.


As condições vigentes no país permitem aos juízes do Supremo a formulação das condenações mais apropriadas, sejam quem forem os réus e a extensão das penas. Por isso é incompreensível que a maioria do Supremo faça qualquer sentença sob balbúrdia de desentendimento, em absoluta falta de método e com o total descritério que se pôde ver, em sessões inteiras.

"Ajustamos no final" foi expressão também muito utilizada. Está nela denunciado o desajuste de uma decisão que é nada menos do que condenação à cadeia. Com erros tão grosseiros, por exemplo, como o de precisarem constatar que davam a Ramon Hollerbach, sócio a reboque de Marcos Valério, pena de cadeia maior, como réu secundário, que a de seu mentor e réu principal nas atividades sob julgamento.

Mas, outra vez em termos muito pessoais, não sei se foi mais chocante ver a inversão, tão óbvia desde que se encaminhava, ou a naturalidade com que quase todos os ministros a receberam, satisfeitos com o recurso à expressão "ajustamos no final". Cuja forma sem excelências e eminências é "deixa pra lá, depois a gente vê".

Tudo a levar o ministro Luiz Fux, até aqui uma espécie de eco do ministro relator, a uma participação própria: "Precisamos de um critério". Não pedia o exagero de um critério geral, senão apenas para mais uma desinteligência aguda que acometia quase todos. A proposta remete, porém, a outro caso de critério proposto. E bem ilustrativo das duas sessões de determinação das penas.

O ministro Joaquim Barbosa valeu-se de uma lei inadequada para compor uma das condenações a quatro anos e seis meses. A "pena-base" de tal lei é de dois anos, e o máximo vai a 12. Logo, o ministro relator apenas multiplicara a "pena-base" por dois. Forçosa a conclusão de que a lei aplicável era outra, cuja "pena-base" é de um ano e a máxima, de oito, Joaquim Barbosa inflamou a divergência.

Luiz Fux fez a proposta conciliatória. Os quatro anos desejados pelo relator (mais seis meses de aditivo) cabem nos limites das duas leis, não implicando a mudança de lei em diferença de pena. Ora, é isso mesmo, tudo resolvido para todos.

Como assim? Na condenação proposta pelo duro relator, o réu merecia condenação a duas vezes a "pena mínima" da primeira lei, e, se mantidos os anos totais, passou a ser condenado a quatro vezes a "pena mínima" recomendada pela segunda lei, a aplicada.

Não nos esqueçamos de dizer aos filhos ou aos netos que, por decisão do Supremo, o dobro e o quádruplo agora dão no mesmo.

Por falar em proporções, Marcos Valério pegou 40 anos e Hollerbach, 14, já na inauguração de suas condenações, ainda incompletas. O casal Nardoni, acusado do crime monstruoso de maltratar e depois atirar pela janela a pequena filha do marido, foi condenado a 28 e 26 anos.

Como os ministros do STF gostam também de outras duas palavras referentes a sentenças -as "razoabilidade e proporcionalidade" necessárias à Justiça-, aquelas penas sugerem algo de muito errado em um dos julgamentos citados. Ou no Judiciário e seus códigos. Ou no Supremo.

O ar profundamente humano do STF

 

Autor:
 
Coluna Econômica

Períodos eleitorais deixam nervos à flor da pele e o comportamento do STF (Supremo Tribunal Federal) não tem ajudado a trazer bom senso para o debate político.

O que se passa é apenas mais um capítulo de um penoso processo de aprendizado democrático. Especialmente em um momento em que as urnas tornam mais distantes os sonhos de uma rotatividade no poder.

Do lado de parte da mídia, há uma tentativa insistente de envolver Lula no julgamento e, se possível, de processá-lo e fazê-lo perder seus direitos civis. Do lado de parte do PT, um chamado à resistência capaz de elevar ainda mais a temperatura política.

No meio, botando lenha na fogueira, os doutos Ministros.

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Mentes mais conspiratórias à esquerda podem suspeitar da preparação de um novo golpe. Mentes conspiradoras à direita podem mesmo acreditar que poderão fomentar o golpe.
No fundo, o que ocorre com o Supremo é apenas uma manifestação eloquente de humanidade. Não da grande humanidade, dos princípios que consagram homens e civilizações. Mas das fraquezas e vaidades que tornam - do mais solene magistrado ao mais simples cidadão - os homens iguais entre si.

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O capítulo atual do aprendizado é o da exposição do STF à luz dos holofotes, com transmissão ao vivo e, pela primeira vez, analisando um processo penal. Vaidosos por natureza, como o são todos os intelectuais dotados de conhecimento especializado – e, no caso do STF, com esse conhecimento sendo manifestação de poder – os Ministros foram expostos ao desafio de se tornarem celebridades e não perderem a linha.

Alguns não conseguiram.

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Foi o que levou um Celso de Mello a colocar gasolina na fogueira, e esforçar-se tanto pelo grande momento de oratória, insistir tanto na ênfase definitiva, a ponto de comparar partidos políticos ao PCC.

O mesmo fez Marco Aurélio de Mello, com sua defesa do golpe de 64. O Ministro que sempre se jactou de chocar os pares – inclusive com alguns posicionamentos históricos – com a concorrência inédita dos demais ministros precisou avançar alguns tons na competição. E pode haver prato melhor do que um Ministro da mais alta corte defendendo uma transgressão à Constituição?

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Essa mesma sensação de poder acometeu Joaquim Barbosa, a ponto de avançar sobre colegas que ousassem discordar da voz de Deus. Contra os advogados dos réus, não a explosão de trovões – que só são utilizados contra iguais – mas o riso irônico de quem trata com personagens insignificantes, perto da grandeza do Olimpo.

Todos trovejam e Ayres Britto passarinha, com sua voz de pastor das almas, tentando alcançar o tom grave dos colegas mais eloquentes.

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No plano real, fechadas as cortinas do espetáculo, não há possibilidade de se alcançar Lula. A teoria do “domínio do fato”, encampada pelo Procurador Geral da República, subiu na escala hierárquica e pegou José Dirceu e José Genoíno. Mas mesmo o PGR considerou exagero alçar voo para mais um degrau e alcançar Lula. Definitivamente, Lula está fora do processo.

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Assim, as investidas dos Ministros do STF explicam-se muito mais pelas fraquezas humanas, pelo estrelismo que acomete espíritos menos sábios, do que pelo maquiavelismo político. Eles são humanos. Apenas não foram informados disso.