Dilma, "la fuerte"
Presidente brasileira é tratada como a grande estrela da Cúpula Ibero
Americana, em Cádiz, na Espanha; numa conversa com o publisher do El
Pais, Juan Luis Cebrián, ela deu lições ao país que, até recentemente,
tratava o Brasil como um dos objetos de sua reconquista da América
Latina; "é preciso pagar as dívidas, mas também é preciso tempo para que
os países o façam em condições sociais menos adversas; não apenas por
razões éticas, mas também econômicas", disse Dilma; confira íntegra
247 - Não resta a menor dúvida: a presidente Dilma
Rousseff foi a grande estrela da Cúpula Ibero Americana, realizada em
Cádiz, na Espanha. Neste domingo, o jornal El Pais, maior diário
espanhol, dedica uma página inteira à líder política que a publicação
qualifica como "Dilma, la fuerte". E o relato foi feito por ninguém
menos que Juan Luís Cebrián, presidente do grupo Prisa, que edita o El
Pais (leia aqui a íntegra em espanhol).
O espaço dedicado a Dilma no El Pais é um retrato dos novos tempos. Até
recentemente, a Espanha e suas empresas miravam o Brasil como um
território a mais na sua reconquista da América Latina. E companhias
ibéricas, como o Santander, a Telefônica e a Iberdrola, foram os grandes
atores da privatização de setores como o financeiro, o de
telecomunicações e o de energia no Brasil. Hoje, a Espanha está
mergulhada em profunda recessão, com mais de 25% da população
desempregada, e pede ajuda ao Brasil para que invista no outro lado do
Atlântico e para que conceda vistos a profissionais qualificados.
Dilma, "la fuerte", é, portanto, uma das esperanças de salvação do
governo espanhol. Ao editor Cebrián, a presidente brasileira enviou
mensagens importantes sobre como enfrentar a crise. "O problema europeu
não é seu estado de bem-estar social, mas sim o fato de terem aplicado
soluções inadequadas contra a crise, que resultaram num empobrecimento
da classe média", disse Dilma. "Se continuarem assim, vocês produzirão
uma recessão generalizada".
A presidente lembrou que o Brasil incorreu no mesmo erro. "Nós vivemos
isso. O Fundo Monetário Internacional nos impôs um processo que chamaram
de ajuste e agora definem como austeridade. Era preciso cortar todos os
gastos, tanto correntes como de investimento. Esse processo gerou a
quebra de praticamente toda a América Latina na década de 80".
Cebrián destacou em seu texto que Dilma é hoje considerada uma das três
mulheres mais poderosas do mundo, ao lado de Hillary Clinton, secretária
de Estado dos Estados Unidos, e Angela Merkel, chanceler alemã. Como
Hillary deixa o cargo no fim do ano, restam duas: Dilma e Merkel, que
apontam visões distintas sobre como enfrentar a crise. Enquanto a alemã
simboliza a austeridade, Dilma defende políticas contracíclicas, como
tem sido feito no Brasil desde 2008.
A presidente brasileira afirmou ao jornalista espanhol que expôs seus
pontos de vista à chanceler alemã. "Disse em todas as reuniões do G20
que a Europa passa por algo que já experimentamos na América Latina. Há
uma crise fiscal, uma crise de competitividade e uma crise bancária. E
as receitas aplicadas estão causando uma recessão brutal. Sem
investimento, será impossível sair dela", disse. "É preciso pagar as
dívidas, mas também é preciso tempo para que os países o façam em
condições sociais menos adversas; não apenas por razões éticas, mas
também econômicas."
Dilma disse ainda que o euro é um projeto inacabado, apontando o que
talvez seja a saída para a Espanha – uma autonomia monetária maior, que
permita ao país maior flexibilidade para enfrentar a maior recessão de
sua história. Ela disse ainda que "distribuir renda é uma exigência
moral, mas também uma premissa para o crescimento."
O fato incontestável é que o Brasil passou a ser ouvido com respeito
cada vez maior dos interlocutores internacionais. Dilma é chamada de "la
fuerte" sobretudo porque o Brasil também apresenta hoje uma boa solidez
econômica.
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