terça-feira, 10 de abril de 2012

Pressão e eleição


Já com os cabelos crescendo e o bigode mais farto com o fim das sessões de quimioterapia e radioterapia para tratar de um câncer na laringe, o ex-presidente Lula disse aos amigos que chegou a uma conclusão: já está de volta à política e vai fazer campanha para o PT nas eleições de outubro, mas com moderação. Ele tem dito que não vai mais “ter aquela agenda alucinante” do passado em que mergulhou na candidatura de Dilma Rousseff. Em suma: estará mais cuidadoso com a saúde.

Essa decisão de Lula faz aumentar a pressão sobre o pré-candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Até aqui, os petistas reconhecem que Haddad está fazendo a sua parte – ou como sugeriu a colega Marta Suplicy, está “gastando sola de sapato” para percorrer os diversos bairros da cidade, visitando periferias e conversando com militantes pela cidade. Tudo de forma organizada como manda uma boa campanha eleitoral.

Mas, a esta altura, a pressão sobre ele vai aumentar e ele estará lutando para desarmar uma armadilha: Lula espera que ele deslanche nas pesquisas para entrar de cabeça na campanha; e ele espera Lula entrar de cabeça na campanha para deslanchar nas pesquisas.

Ninguém tem dúvida de que a escolha de Fernando Haddad como candidato saiu do bolso do colete de Lula sem qualquer consulta ao partido ou a petistas. Mas todos sabem que Lula também espera “que ele dê a parte que lhe cabe” – ou seja, mostrar capacidade de crescer e conquistar o eleitorado.

De forma muito reservada, petistas fazem comparação com a campanha de Dilma Rousseff – outra candidatura que saiu do bolso do colete de Lula e que prosperou e venceu. Em abril de 2010, Dilma já havia conquistado os dois dígitos nas pesquisas. Em campanha, este é sempre um marco: o momento em que o candidato chega aos 10% das intenções de votos.

Dilma chegou a este patamar em abril e na convenção que formalizou sua candidatura já estava beirando os 20% das inteções de votos. Em julho, conquistava a dianteira.

Com 3% das intenções de votos, Fernando Haddad terá de mostrar resultados logo. Não que se fale na possibilidade de troca de candidato. Marta Suplicy disse que não iria disputar a eleição a esta altura. Mas é que, se não crescer, Lula pode reduzir sua participação na campanha paulista – o que até agora não está no script. Como disse um petista amigo de Lula, o ex-presidente não é de dar murro em ponta de faca.

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