domingo, 15 de julho de 2012

Novas regras para o futebol

Insatisfeitos com o desempenho da arbitragem, os ingleses criaram um grupo para observar o quarteto de árbitros a cada jogo. O mesmo deveria ser feito no Brasil
Os ingleses, país onde o futebol apareceu no século XVIII, criou e elaborou as regras do jogo de futebol no século XIX. Não satisfeitos com o desempenho da arbitragem em suas competições da Premier League, recentemente, os inventores das leis do jogo implementaram um novo experimento, objetivando aprimorar a qualidade de seus árbitros. Para isso, foi constituído um grupo de delegados multidisciplinar, que tem a missão precípua de observar de forma minuciosa as ações do quarteto de árbitros a cada rodada.

Esse grupo é escolhido e composto por um delegado indicado pela liga inglesa, por ex-técnicos, ex-jogadores, ex-dirigentes que estejam em interação com o futebol e ex-árbitros com notório conhecimento sobre as regras que regem os destinos do esporte das multidões no retângulo verde.

O delegado designado como observador vai, depois de 72 horas da realização da partida, conversar com o treinador de cada equipe e ouve os prós e os contra da arbitragem. O espaço de tempo tem como objetivo propiciar aos técnicos de futebol uma opinião ponderada, já que os ânimos estão acalmados e porque aquele profissional viu, reviu e treviu os acertos e equívocos da arbitragem.

Além de observar e realizar uma análise do comportamento dos atletas, dos homens do apito, do público, dos dirigentes, da integridade física e da segurança, esse grupo elenca sobretudo as deficiências negativas e os aspectos positivos do árbitro e seus assistentes, desde o momento em que chegam ao estádio, durante o jogo e após o término da partida.

De posse das opiniões do relatório desse grupo, exceto o relatório do ex-árbitro, o delegado escalado faz um relato pormenorizado e o encaminha à Premier League. Procedimento semelhante faz o ex-árbitro. A mudança foi uma exigência dos clubes, que querem uma maior responsabilização nos atos dos árbitros. Com dois relatórios de alto nível avaliando a sua competência, os árbitros, a meu ver, apresentarão um desempenho significativo e os críticos terão uma visão mais racional das tomadas de decisões da arbitragem assim que a bola rolar.

Esse mesmo método deveria ser criado no futebol brasileiro, mas na sua forma específica, isto é, com a indicação de pessoas credenciadas para o desempenho do mister. No Brasil, principalmente no futebol paranaense, essa missão vem sendo outorgada em alguns casos, habitualmente, a quem não entende nada sobre as regras do esporte.

Valdir Bicudo é investigador da Polícia Civil em Curitiba/PR e ex-árbitro de futebol

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