sábado, 14 de julho de 2012

Suplente de Demóstenes toma posse no Senado

Brasília (AE) - Em uma cerimônia surpresa que não durou cinco minutos, o empresário Wilder Pedro de Morais assumiu na manhã de ontem o mandato de senador no lugar de Demóstenes Torres (sem partido-GO), cassado na quarta-feira por usar o mandato para defender interesses do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Somente quatro senadores participaram da posse, número mínimo previsto no regimento do Senado: Ciro Nogueira (PP-PI), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Ana Amélia (PP-RS) e Roberto Requião (PMDB-PR).
Geraldo MagelaWilder Pedro (primeiro à direita) nega envolvimento com negócios de Carlinhos CachoeiraWilder Pedro (primeiro à direita) nega envolvimento com negócios de Carlinhos Cachoeira

Coube a Ciro Nogueira, como único representante da Mesa Diretora, ciceronear o novo senador pelo DEM no plenário, apresentá-lo aos presentes e empossá-lo, pouco depois das 9h. Logo em seguida, Morais deixou o Senado sem falar com os jornalistas.

"Ele chega ao Senado em uma situação desconfortável", afirmou Ana Amélia, referindo-se às suspeitas que pairam sob o novo colega: a de que ele teria omitido parte do patrimônio na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral e que teria entrado para a suplência de Demóstenes com o empenho de Cachoeira, conforme conversa grampeada pela Polícia Federal entre o contraventor e Morais.

O presidente do Democratas, senador Agripino Maia (RN), afirmou que recebeu um telefonema de Morais meia hora depois da posse dele. "(Morais) está no direito dele", disse Maia sobre a posse relâmpago. Na conversa, o mais novo senador do DEM disse-lhe que vai responder a todos os questionamentos em um "curto prazo", sem precisar quando. Ele comunicou a Maia que estava em férias com a família.

Empossado, Morais garante direito a foro privilegiado, ou seja, só responderá a investigações criminais com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). Receberá um salário de R$ 26,7 mil por mês, além de uma série de outro benefícios como verba para montar o gabinete, auxílio-moradia (em caso de não ocupar imóvel funcional) e cota de combustível.

Com a cassação de Demóstenes Torres, Wilder terá mais seis anos e meio de mandato. O nome parlamentar adotado pelo novo senador será Wilder Morais.

Patrimônio

Wilder Morais (DEM), suplente do senador cassado Demóstenes Torres (GO), usou de novo as redes sociais para explicar o áudio gravado pela Polícia Federal que mostra suposto elo com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. "Ao contrário do que vem sendo divulgado, o meu real propósito não foi mostrar gratidão, mas pôr fim a uma conversa bem constrangedora", publicou o ex-secretário de Infraestrutura de Goiás.

Em escutas publicadas na edição de ontem do jornal "Folha de S.Paulo", obtidas durante as investigações da Operação Monte Carlo, que levaram Cachoeira à prisão, ele afirma que foi responsável pela ascenção política de Wilder Morais. "Fui eu que te pus na suplência, essa secretaria, fui eu. Você sabe muito bem disso", diz o contraventor.

Wilder responde: "Carlinhos, deixa eu te falar um negócio procê. Pensa um cara que nunca teria, enfim, encontrado um governo, que nunca teria sido b.... nenhuma, cara. Você tá falando com esse cara".

Horas após a divulgação da escuta no Jornal Nacional, o suplente publicou em perfis no Twitter e no Facebook, que o áudio é fragmento de uma conversa onde os dois discutiam questões de foro íntimo que resultaram no fim de seu casamento. Wilder era casado com Andressa Mendonça, atual mulher de Carlinhos Cachoeira.

Sem negar a suposta indicação do contraventor aos cargos políticos, o mais novo senador de Goiás afirma: "Se a íntegra da conversa fosse divulgada, a interpretação dos fatos certamente seria outra."

Vice-presidente da CPI discute pelo Twitter

Brasília (AE) - Vice-presidente da CPI do Cachoeira, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) bateu boca com um falso perfil no microblog Twitter do senador Wilder Morais (DEM-GO), que assumiu ontem o lugar de Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO), cassado na quarta-feira por quebra de decoro. O perfil falso foi denunciado por Wilder no Twitter próprio: @wildermorais. Logo depois, quem se fazia passar pelo novo senador tirou a página do ar.

Enquanto Wilder tomava posse na presença de apenas quatro senadores, logo pela manhã, Paulo Teixeira postou no Twitter a opinião de que toda a chapa de Demóstenes deveria ser cassada: "O suplente do ex-senador Demostenes Torres deveria ser cassado pelo fato da vaga ter sido conquistada pela organização criminosa". Imediatamente, o perfil falso de Wilder, que se registrou como "@wilder_morais", contra-atacou: "Lamento muito o fato de que V. Exa. me ataca de forma grosseira e irresponsável. Responderei na tribuna aos seus ataques".

Paulo Teixeira disse ao Grupo Estado que não tinha ideia de que o personagem com o qual discutia não existe. "Eu vi que ele estava respondendo e decidi não fazer mais comentários, para não ficar num bate-boca interminável". O vice-presidente da CPI reafirmou, no entanto, sua opinião sobre a posse de Wilder: "Acho que tanto o Demóstenes quanto os dois suplentes deveriam ser cassados, porque a chapa foi eleita por uma organização criminosa".

No pouco tempo em que esteve no ar, o perfil falso do senador Wilder provocou petistas, como Paulo Teixeira, e defensores do governo e do PT, como o ator José de Abreu. A este, disse o Wilder fictício: "Terei sempre meu gabinete aberto, Zé, tenha certeza disso." E pediu ajuda para defender o Estado de Goiás, "hoje vítima de infâmias". O artista global dispensou o convite para ir ao gabinete de Wilder (o falso), e lembrou de suas raízes goianas: "Meu avô e meu pai eram goianos, ambos ligados ao Direito."

Corregedoria do MP abre investigações

Goiânia (AE) - A Corregedoria-Geral do Ministério Público de Goiás (MPE) iniciou, ontem, investigações sobre uma "eventual infringência de dever funcional" do Procurador de Justiça, Demóstenes Lázaro Xavier Torres, durante sua permanência, a partir de 2001, no Senado Federal.

No entanto, o foco dos trabalhos se concentra mais nas denúncias de ter empregado o cargo de senador, do qual foi cassado há dois dias, por quebra de decoro parlamentar no suposto envolvimento com o bicheiro Carlos Augusto Ramos de Almeida, o Carlinhos Cachoeira.

A decisão da Corregedoria foi possível porque Demóstenes, que é procurador de Justiça, retornou nesta quinta às suas antigas funções. Como informou a Nota Oficial: "por ter Demóstenes Torres reassumido a 27ª Procuradoria de Justiça, foi iniciado o processo". Denominado de "averiguação da reclamação disciplinar (2012.0036 6906)", o procedimento tem caráter sigiloso, e visa apurar responsabilidades.

Para estabelecer se ocorreu algum deslize do procurador, a Corregedoria disse ainda que serão requeridos junto ao Senado Federal e à Procuradoria Geral da República o envio de documentos específicos, cujos conteúdos não foram revelados na Nota Oficial.

Ontem, Demóstenes Torres não apareceu na sua antiga sala, no terceiro andar. É que, após ter se apresentado ao MPE, na quinta, também requereu licença de cinco dias. A assessoria de imprensa não informou se o prazo da licença será contado em dias úteis ou corridos.

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