Começa neste sábado (18) uma campanha do Ministério da Saúde para vacinar
crianças que por algum motivo perderam alguma das imunizações previstas para os
menores de cinco anos. Até a próxima sexta (24), 34 mil postos de vacinação em
todo o país ficarão abertos, voltados para a ação.
Durante o período, todos os menores de cinco anos devem ser levados a um
posto para verificar se estão com as vacinas em dia. Caso a criança esteja com
alguma dose atrasada, os postos têm estoque de todas as vacinas necessárias para
fazer a atualização.
O Ministério da Saúde repassou R$ 18,6 milhões para fundos estaduais e
municipais na campanha, que envolverá 350 mil profissionais. O país tem 14,1
milhões de crianças na faixa etária visada pela iniciativa.
A campanha já vai contar com as duas vacinas que o Ministério incluiu na
lista nesta semana. A pentavalente (contra difteria, tétano, coqueluche,
hepatite B, e meningite e outras doenças bacterianas) estava até então
disponível em duas vacinas separadas, divididas em tetravalente e hepatite B. A
outra novidade é a vacina inativada contra poliomielite (VIP), que não conterá
mais o vírus "vivo" e passará a ser aplicada por meio de injeção.
| Idade |
Vacina |
Dose |
| Ao nascer |
- BCG (tuberculose) - Hepatite B |
Única |
| 2 meses |
- Pentavalente - Poliomielite
injetável - Rotavírus - Pneumocócica 10 |
Primeira |
| 3 meses |
- Meningocócica C |
Primeira |
| 4 meses |
- Pentavalente - Poliomielite
injetável - Rotavírus - Pneumocócica 10 |
Segunda |
| 5 meses |
- Meningocócica C |
Segunda |
| 6 meses |
- Pentavalente - Poliomielite oral -
Pneumocócica 10 |
Terceira |
| 6 meses a menores de 2 anos |
- Influenza (gripe) |
Anual |
| 9 meses |
- Febre amarela |
Inicial |
| 12 meses |
- Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) - Pneumocócica 10 |
Primeira Reforço |
| 15 meses |
- Tríplice bacteriana (difteria, coqueluche e tétano) -
Poliomielite oral - Meningocócica C |
Reforço |
| 4 anos |
- Tríplice bacteriana (difteria, coqueluche e tétano) - Tríplice viral
(sarampo, caxumba e rubéola) |
Reforço Segunda |
| Menores de 5 anos |
- Poliomielite |
Atualização da vacina |
| 10 anos |
- Febre amarela atenuada |
Uma a cada dez anos |
Além delas, o calendário básico inclui as vacinas BCG, hepatite B, vacina
oral poliomielite (VOP), rotavírus, pneumocócica 10 valente, meningocócica C
conjugada, febre amarela, tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) e DTP
(difteria, tétano e coqueluche). A tabela ao lado mostra quando essas vacinas
devem ser aplicadas.
Primeiro x segundo semestre
O ministro Alexandre Padilha
explicou na última terça que o calendário nacional de vacinação contra a pólio
se dividirá em dois, com estratégias diferentes para o primeiro semestre e para
o segundo.
Nos primeiros meses do ano, o foco será a vacinação oral contra a pólio. No
segundo semestre, em vez de ser aplicada uma segunda gotinha, o governo pretende
atualizar o calendário vacinal. A meta será checar se a caderneta das crianças
está ou não em dia.
VIP
A Vacina Inativada Poliomielite (VIP) se destinará a
bebês de 2 e 4 meses de idade, e as famosas gotinhas serão usadas nos reforços,
aos 6 e aos 15 meses. Mesmo quem já tiver se imunizado, mas ainda estiver dentro
da faixa até 5 anos, deve comparecer à rede pública acompanhado dos pais ou
responsáveis. Durante as campanhas nacionais, serão ministradas apenas as
gotinhas.
Uma das vantagens da injeção é que ela acaba com o risco de uma paralisia
infantil causada como consequência da dose oral. Esse efeito colateral, porém, é
raro: um caso em cada quatro milhões.
A introdução da VIP vem sendo feita em países que já eliminaram a pólio. A
Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), no entanto, recomenda que as nações
da região continuem aplicando as gotinhas, com o vírus atenuado, até a
erradicação mundial da paralisia.
O vírus da poliomielite ainda circula em 25 países. Para se manter livre, o
Brasil vai usar simultaneamente as duas vacinas (oral e injetável) e aproveitar
as vantagens de cada uma.
Ao todo, foram adquiridas mais de oito milhões de doses e, na primeira
remessa, serão enviadas 726 mil para abastecer todo o território.
Vacina contra pólio será em forma de injeção para
bebês de 2 e 4 meses e em gotinha para crianças de 6 e 15 meses de idade.
Primeiras doses terão vírus atenuado e as demais, ativo (Foto:
Divulgação/Ricardo Boni)
Da pentavalente para a heptavalente
Quanto à nova vacina
pentavalente, o ministro ressaltou que o benefício é reduzir o número de picadas
nos pequenos, que devem tomar uma dose aos 2 meses, a segunda aos 4 meses e a
terceira aos 6 meses.
Além disso, por ser fabricada por meio de uma parceria entre o Instituto
Butantan, em São Paulo, e o laboratório Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo
Cruz, no Rio de Janeiro, a dose deve fortalecer a produção nacional.
O ministro informou que o próximo passo é produzir uma vacina heptavalente,
um projeto entre Butantan, Bio-Manguinhos e a Fundação Ezequiel Dias (Funed), de
Minas Gerais, o que deve levar quatro ou cinco anos.
Vitamina A
Além da campanha nacional de vacinação, com a
introdução de duas novas doses no calendário, o Ministério da Saúde anunciou a
suplementação nutricional de vitamina A, por via oral, que será feita em
crianças entre 6 meses e 5 anos de idade, em 2.434 municípios das regiões Norte,
Nordeste e nos vales do Jequitinhonha e do Mucuri, em Minas Gerais.
A ação faz parte do programa federal Brasil Carinhoso, e a meta é reduzir as
mortes e internações por doenças infecciosas. Além disso, a vitamina melhora a
visão e o desenvolvimento cognitivo.
A gotinha de vitamina A será aplicada no mesmo período de vacinação, que vai
deste sábado até sexta, e deve continuar nos postos de saúde depois. A
expectativa é atingir 7,8 milhões de crianças nos municípios que já integram o
programa Brasil sem Miséria, onde há uma maior concentração de pobreza.
Nas demais regiões do país, a suplementação será feita no decorrer deste
segundo semestre, nas Unidades Básicas de Saúde, e deve atingir 3.034 municípios
em todos os estados, incluindo 34 distritos indígenas.