Folha omite Abril ao falar sobre vice de Serra
Alexandre Schneider está sendo investigado por ter contratado, sem
licitação, a Fundação Victor Civita, ligada à Abril, para treinar
professores; no entanto, o jornal de Otávio Frias não cita o grupo
comandado por Fábio Barbosa em sua reportagem; pacto de silêncio?
247 – Nos últimos dois dias, a Folha de S. Paulo
levantou suspeitas sobre uma licitação do Ministério da Educação,
ocorrida na época em que Fernando Haddad era ministro. Fazendo tabelinha
com o jornal, o candidato tucano José Serra cobrou investigação
imediata do caso.
Um dia depois, a campanha de Fernando Haddad lembrou uma investigação
que atinge o vice de Serra, Alexandre Schneider, que foi secretário
municipal de Educação em São Paulo, na gestão de Gilberto Kassab, e
contratou, sem licitação, a Fundação Victor Civita para treinamento de
professores, deixando um rombo de R$ 611 mil (leia mais no artigo de Altamiro Borges).
Ao falar sobre o caso, a Folha, de Otávio Frias, trata a denúncia contra
Schneider como uma retaliação de Haddad e não cita que a investigação
diz respeito à contratação, sem licitação, de uma fundação ligada à
Editora Abril, comandada por Fábio Barbosa. Na semana que antecedeu as
eleições municipais, a revista Veja São Paulo fez capa enaltecendo as
qualidades de Gilberto Kassab, depois que a Abril fechou um contrato de
R$ 1,4 milhão para vender as revistas Nova Escola à prefeitura.
Leia, abaixo, a reportagem da Folha, que fala sobre a investigação sobre Schneider, mas não cita a Abril e também reportagem sobre o escândalo que envolve a empresa de Roberto Civita. Pacto de silêncio na mídia?
Para se defender de críticas de Serra a sua gestão no MEC, petista cita processos contra Kassab e seus secretários
Candidato do PT diz que adversário deveria desqualificar atuação de seu vice, Schneider, que é réu em ação
DE SÃO PAULO
O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, atacou ontem o vice de José Serra (PSDB) e disse que o tucano está em uma "situação delicada" por causa das suspeitas de irregularidades na gestão do aliado Gilberto Kassab (PSD).
O petista citou o vice do tucano, Alexandre Schneider, ao rebater ataques de Serra em razão de auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) que apontou indícios de irregularidade em licitação durante sua gestão no Ministério da Educação.
"Ele [Serra] deveria desqualificar a gestão do seu vice. O seu vice está respondendo por improbidade administrativa. Não tem ninguém da minha equipe respondendo a processo", afirmou.
"Ele está numa situação delicada. É uma gestão muito complicada. Não existe vontade de apurar e punir."
Schneider, ex-secretário municipal de Educação, é alvo de ação por improbidade administrativa desde 2010, após representação do ex-vereador petista Beto Custódio na Promotoria, em razão de contrato sem licitação para treinamento de educadores.
O petista também mencionou Hussein Aref Saab, ex-chefe de licenciamentos da prefeitura investigado por sua evolução patrimonial, o próprio Kassab (denunciado pela Promotoria pelo contrato da inspeção veicular) e outros secretários do prefeito.
Haddad disse que estes casos estão mais avançados do que o investigado no MEC e que ele próprio pediu a investigação no ministério.
Schneider negou qualquer irregularidade e disse que a contratação feita em sua gestão tinha respaldo em ações semelhantes do MEC.
Serra disse que "até dupla sertaneja" serve de "laranja" de empresa contratada pelo MEC. "Não trocaria um Schneider por seis Haddad em matéria de honestidade e competência."
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