quarta-feira, 17 de abril de 2013

TJ tem quase mil ações por improbidade administrativa em tramitação

Segundo números enviados ao CNJ, Tribunal potiguar recebeu 121 denúncias disso. Há outras 60 por corrupção no Judiciário

Por Ciro Marques

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte teve em 2012, exatamente, 978 processos em tramitação por improbidade administrativa. A informação é do próprio órgão do Judiciário, que acabou ficando de fora de um levantamento feito pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), nesta semana, com os números referentes a processos de combate a esse tipo de crime no Brasil.

Tribunal de Justiça não enviou informações ao CNJ (Foto: Wellington Rocha)

Segundo o CNJ, nacionalmente (com exceção do RN), o Poder Judiciário transformou em ação judicial, no ano passado, 1.763 denúncias contra acusados de corrupção e lavagem de dinheiro e 3.742 procedimentos judiciais relacionados à prática de improbidade administrativa. Em 2012, a Justiça realizou 1.637 julgamentos, que resultaram na condenação definitiva de 205 réus. Com esses números, a quantidade de processos em tramitação sobre corrupção, lavagem de dinheiro e improbidade chegou a 25.799, no final do ano passado.

No Rio Grande do Norte, o TJRN recebeu no ano passado, exatamente, 121 denúncias por improbidade administrativa. Porém, só 20 casos denunciados de corrupção foram aceitos pelo Tribunal, fazendo a soma de processos com esse tema que estão em tramitação no Judiciário Potiguar chegar a 60. Não foram divulgados, porém, o número de réus condenados por essas práticas criminosas. Contudo, o TJRN tem a informação que houve o julgamento de 31 ações sobre improbidade administrativa. Todos eles, inclusive, foram classificados como “julgamentos definitivos em processos judiciais”. Apenas um foi referente à corrupção.

Enquanto isso, nacionalmente, um dos objetivos da pesquisa do CNJ é responder às indagações do Grupo de Ação Financeira Internacional (Gafi), que avaliou de forma desfavorável as ações do Brasil para o combate a esses crimes, especialmente em decorrência da falta de estatísticas processuais. O Gafi é um organismo internacional sem personalidade jurídica que atua na esfera da Organização para a Cooperação Internacional e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e reúne países com o propósito de fortalecer os mecanismos globais de prevenção e repressão ao crime de lavagem de ativos financeiros e financiamento do terrorismo.

A pesquisa também vai subsidiar o Estado brasileiro no processo de avaliação da implantação da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (Uncac). Outro objetivo é dar cumprimento à Ação n. 01/2011 da Estratégia Nacional contra a Corrupção e a Lavagem de Dinheiro (Enccla), coordenada pelo CNJ, que consiste em implantar mecanismos de levantamento de dados e estatísticas nos órgãos engajados no combate à corrupção, à improbidade administrativa e à lavagem de dinheiro.

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